Rio registra a segunda maior fila por UTI de Covid-19 em toda a pandemia

Felipe Grinberg
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RIO — Em meio a uma terceira onda da Covid-19 no Rio, o estado registrou nesta segunda-feira a segunda maior fila de pacientes aguardando leitos de UTI de toda a pandemia. Dados da secretaria estadual de saúde mostram que 493 pessoas aguardam uma vaga de terapia intensiva em todo o Rio.

Nem na segunda onda que atingiu o estado no fim do ano de 2020, o estado chegou próximo de ultrapassar as filas de UTI registradas em maio do ano passado. Se somados com os leitos de enfermaria, 643 pacientes aguardam transferência.

Maiores fila por leito de UTI no Rio

09 de maio de 2020 - 510 22 de março de 2021 - 49310 de maio de 2020 - 46221 de março de 2021 - 44523 de abril de 2020 - 424

Os comitês científicos do Rio e de Niterói recomendaram o fechamento total de todas as atividades não essenciais nas duas cidades para conter a pandemia do novo coronavírus, informou o telejornal RJTV. Essas recomendações devem ser atendidas. Na manhã desta segunda-feira, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, e de Niterói, Axel Grael, se reuniram com especialistas para definirem em conjunto novas medidas restritivas contra a Covid-19, que serão anunciadas esta tarde. Em uma rede social, Paes publicou uma foto do encontro e escreveu: "Reunião dos comitês científicos do Rio e Niterói nesse momento com a presença do prefeito Axel Grael. Aqui ninguém toma decisão de 'orelhada' ou por achismos".

Por orientação do comitê científico, devem fechar: lojas de comércio não essencial, shoppings, bares, lanchonetes e restaurantes (só podem funcionar no esquema drive thru ou entrega), boates, danceterias, museus, galerias, bibliotecas, academias de ginástica, salões de cabelereiro, clubes, quiosques e parques de diversão. Ainda segundo o comitê, devem permanecer abertos: supermercados, farmácias, transportes, comércio atacadista, pet shops, lojas de material de construção, locação de carros, serviços funerários e serviços médicos. As informações são da TV Globo.

Em entrevista ao GLOBO, Paes disse que ficou frustrado após reunião com o governador em exercício Cláudio Castro no domingo (21). O estado determinou a realização de um feriadão de dez dias, e não houve consenso sobre o que deveria abrir ou fechar na cidade.

— O governador combinou comigo e com o prefeito de Niterói que buscaríamos um consenso (sobre as medidas de restrição) e só então levaríamos uma única proposta para a sociedade. Não foi o que ele fez — afirmou.

Foi remarcada para 17h uma entrevista coletiva entre os dois prefeitos. Agora as decisões tomadas por ambos serão anunciadas no Teatro Popular Oscar Niemeyer, em Niterói.

Desde o início do mandato, Paes não descarta decretar medidas mais rígidas de isolamento em caso de agravamento da pandemia na capital, mas defende que quem determina essa necessidade são os especialistas.

— Desde o início, eu disse que o lockdown ou aumento de restrições só se faz em caso de necessidade. Se dependesse de certas opiniões, estaríamos com as praias fechadas e o Rio todo fechado desde janeiro. Quem me norteia é a ciência — ressaltou.

Regras propostas pelo Estado

De acordo com a "GloboNews", as medidas adotadas pelo governo estadual determinam o fechamento de escolas públicas e particulares ao longo dos dez dias de feriado, assim como de praias, parques e clubes. O toque de recolher, que impede a permanência em espaços públicos permanece das 23h às 5h, sendo que fica proibida a venda de bebida alcoólica para pessoas em pé em qualquer horário.

Quanto a bares e restaurantes, a entrada de clientes fica permitida até 21h, com funcionamento até as 23h, com capacidade máxima em 50% e permissão para delivery, drive-thru e retirada de pedidos para casa. Por mesa, poderão se sentar até quatro pessoas. Os hotéis não poderão abrir suas áreas de lazer, exceto academias e áreas de alimentação.

O comércio funcionará das 8h às 17h e serviços, de meio-dia às 20h. Shoppings abrem com 40% da capacidade, de meio-dia às 20h, e indústrias seguem as regras de feriados normalmente. Já as feiras ficam a critério dos próprios municípios.

O funcionamento dos transportes fica das 5h à meia-noite de segunda-feira a sábado e, aos domingos, das 7h às 23h, com fiscalização do uso de máscara e oferecimento de álcool gel nas estações de trem e metrô. Fica proibido, contudo, o fretamento de ônibus intermunicipais e interestaduais, a não ser transporte de trabalhadores.

Em caso de descumprimento, deverá ser aplicada multa, mas o valor ainda não foi anunciado.