Rio retoma vacinação contra a Covid-19 em idosos com 76 anos, após suspensão por falta de doses

Rafael Nascimento de Souza e Pâmela Dias
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RIO — Um dia após o município suspender a vacinação da Covid-19 por falta de doses em 82 das cerca de 230 unidades de saúde, na manhã desta quinta-feira idosos voltaram a receber a imunização em todos os postos de saúde do Rio. Nesta quinta, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) distribui uma remessa de mais de 260 mil doses da vacina Coronavac para 88 municípios do estado.

De acordo com a Secretaria municipal de Saúde (SMS) do Rio, todos os postos de vacinação contra a Covid-19 foram reabastecidos e seguem imunizando idosos com 76 anos nesta quinta-feira, como previsto no calendário da prefeitura. Segundo a pasta, o município recebeu 63 mil doses da vacina Coronacav na quarta-feira, encaminhadas pela Secretaria estadual de Saúde.

Hoje é o último dia de vacinação em pessoas na faixa dos 76 anos. A partir desta sexta-feira, será a vez da população de 75 anos. No sábado, a vacina será aplicada em idosos de 75 anos para cima que ainda não se vacinaram. De acordo com a SMS, a aplicação da segunda dose não foi afetada.

No Centro Municipal de Saúde Heitor Beltrão, na Tijuca, a maior parte do público era de idosos em busca da segunda dose. Mas também havia pessoas na faixa de 76 anos que aguardavam para receber a primeira vacina. A procura foi tão grande que provocou engarrafamento na Rua Desembargador Isidro.

A servidora aposentada Nice Abrahão, de 86 anos, chegou ao posto pouco depois das 9h. Com o cartão de vacina em mãos, a senhora recebeu a segunda aplicação.

— A segunda dose estava marcada para hoje. Estou contente e esperançosa para que essa pandemia passe logo — contou dona Nice após ser imunizada: — Eu gosto do assistir filmes no cinema e por conta disso não posso ir mais. Espero que passe logo.

Acompanhada da filha, Léia Cunha dos Santos, de 76, foi até o local para receber a primeira dose do imunizante.

— Estou muito feliz. Espero que eu receba a segunda dose para passear. Nessa tempo todo eu fiquei dentro de casa e só sai para o necessário. Espero que todo mundo seja vacinado o mais rápido possível — disse.

O novo lote da vacina é composto por 261.800 doses da Coronavac, sendo 130.900 relativas à primeira dose. O restante será destinado aos municípios que já estão aplicando a segunda dose para os grupos prioritários da população.

Doses acabaram antes do meio-dia

Por falta de imunizantes, ontem a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) precisou suspender as vacinas no começo da tarde. So nesta manhã, quando a instituição recebeu mais vacinas que o atendimento voltou a funcionar.

Como a procura está grande, a universidade resolveu dividir o estacionamento para receber quem vai ser imunizado com a primeira e segunda dose.

— Hoje estamos aplicando só a segunda dose no drive-trhu, após um redesenho. São idosos com idades a partir de 87 anos. Pensamos nesse fluxo para mater a excelência. Em um único dia, atendemos 1.783 pessoas. Caso mantivéssemos primeira e segunda doses, chegaríamos a quase três mil pessoas em um único dia — estimou o professor Ricardo de Mattos Russo Rafael, um dos coordenadores da vacinação na Uerj.

Segundo a instituição, pessoas que chegarem à unidade para receber a primeira dose serão vacinadas fora dos carros.

— O posto de vacinação de pedestre está vacinando quem é da idade que a prefeitura determina. No carro, serão vacinadas as pessoas com idades elevadas — explicou.

Ontem, ao meio dia, todas as doses acabaram. Hoje são previstos 1.290 pessoas para a segunda dose. Ontem, com 20 dias de vacinação, a Uerj atingiu a marca de 20.500 pessoas.

A Uerj recebeu nesta quinta-feira 2.500 doses, e a instituição de ensino já estão indo buscar mais imunizastes.

— Até 11h, mais de 900 pessoas já haviam recebido primeira e segunda doses — contou Ricardo.

'Fala do presidente é um desserviço', diz Aben

Para Sônia Acioli de Oliveira, professora de enfermagem da Uerj e presidente da Associação Brasileira de Enfermagem (Aben) “é fundamental entendermos que a ciência é a base de todo o processo de conhecimento”.

— Entendo que temos que combater a epidemia e também as notícias falsas e o negacionismo. Temos que fortacelecer os profissionais de saúde. Não adianta ter vacina se não tiver profissionais. Infelizmente, hoje estamos perdendo recursos para a área da saúde. O governo federal está diminuindo dinheiro para a saúde e educação. Isso é inadmissível. Nessa pandemia, estamos perdendo quase 3 mil por dia — afirmou Sônia.

Em relação aos discursos de Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a pandemia, Sônia acredita que o mandatário “desinforma a população”.

— A fala do presidente fragiliza o serviço de saúde quando ela dá informações falsas. As pessoas ficam sem saber se acreditam nele ou na saúde. Estamos fazendo o máximo com pouco investimento. Já poderíamos ter tido mais doses. Mas, não houve investimento necessário — disse.