Rio, São Paulo e Brasília podem chegar a 16 mil casos de Covid-19 na semana que vem

Ana Lucia Azevedo
Homem chega ao Hospital Regional da Asa Norte, em Brasília

O coronavírus avança mais depressa no Brasil do que a maioria das previsões indicava até agora. As mais recentes análises da evolução da doença, apresentadas ontem, indicam uma situação gravíssima à medida que a pandemia se estabelece nas capitais e nos municípios do interior.

Análises do especialista em modelagem computacional Domingos Alves, líder do Laboratório de Inteligência em Saúde (LIS) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (USP), que trabalha com vários pesquisadores de universidades no Brasil, indicam que nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, o vírus se propaga muito mais rapidamente do que se projetava há 20 dias. Somadas, as três poderiam chegar a 16 mil casos já na próxima semana. Porém, medidas de isolamento social podem reduzir esse número.

“Acreditem na ciência! Ela pode nos ajudar a reduzir o sofrimento e salvar vidas. Permaneçam em casa”, diz o artigo assinado por alguns dos mais respeitados e experientes especialistas em saúde do país.

São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília atuam como eixos de disseminação da infecção para outras partes do país, mostra a projeção do grupo de Alves. A situação atual sugere que estamos à frente de uma situação de uma gravidade sem precedentes na história recente do país, destacam os cientistas.

Em cerca de três meses desde o início da epidemia de Covid-19 na China no final de 2019, já ocorreram mais de 400 mil casos no mundo e 20 mil mortes. É certo que esse número se multiplicará nos próximos meses. No Brasil, já foram confirmados mais de 2.433 casos e 57 óbitos por Covid-19 apenas cerca de duas semanas após a confirmação da transmissão comunitária da infecção nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

Tudo isso é só a ponta de um colossal iceberg. Uma pesquisa da London School of Hygiene and Tropical Medicine, na Inglaterra, estima que os casos notificados no Brasil representam aproximadamente apenas 11% do número real.

Os pesquisadores chamam a atenção para o fato de Brasília, apesar de ter um número menor de casos em relação a São Paulo até o momento, apresentar um risco de infecção maior quando se leva em consideração o tamanho da população que pode contrair a infecção, e não apenas a contagem de casos. Considerando não apenas o número de casos confirmados, mas o risco inerente à população de cada cidade (fatores demográficos), as projeções indicam que o número de casos acumulados em Brasília poderá, nas próximas semanas, superar o registrado em São Paulo.

Com pesquisadores da USP em Ribeirão Preto, Alves desenvolveu um portal para avaliar a Covid-19 no Brasil em tempo real e fazer análises da resposta a medidas de contenção e multiplicação de casos por município (https://ciis.fmrp.usp.br/covid19/).