Rio só tem vacina contra a Covid até esta terça, mas segunda dose está garantida

André Coelho, Cíntia Cruz e Giovanni Mourão
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Aquela imagem de esperança aos pés do Cristo Redentor no último dia 18, quando as autoridades deram início à vacinação contra a Covid-19, ficou mais distante para cerca de 256 mil idosos que esperavam ser imunizados este mês. Sem estoque, a prefeitura anunciou que vai suspender a campanha a partir de amanhã, tornando o Rio a única capital do país a parar a aplicação de doses. Hoje, os postos seguem vacinando idosos de 83 anos. O prefeito Eduardo Paes disse ontem que esperava receber novos lotes do Instituto Butantan até ontem, o que não ocorreu. A promessa, agora, é que uma nova remessa seja liberada na próxima terça-feira.

“Recebi a notícia de que não chegaram novas doses. Teremos que interromper amanhã (hoje) nossa campanha. Hoje (ontem) vacinamos pessoas de 84 anos e amanhã (hoje), de 83. Estamos prontos, e já vacinamos 244.852 pessoas. Só precisamos que a vacina chegue”, escreveu o prefeito numa rede social.

Numa tentativa de evitar a suspensão da campanha, o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, pediu ao governo estadual a liberação de 50 mil doses de CoronaVac que estão reservadas para uso como segunda dose. Essa remessa faz parte da segunda leva do imunizante, entregue aos municípios na semana passada, e que só precisaria ser utilizada daqui a 28 dias, quando, espera-se, já terão chegado novos frascos.

— Não faz o menor sentido ficar esperando 28 dias, sabendo que a gente já deve receber vacinas no próximo dia 23 — afirmou Soranz.

A Secretaria estadual de Saúde informou, no entanto, que esse lote de 50 mil só será liberado no prazo previsto para garantir a segunda dose àqueles que tomaram a primeira.

A prefeitura informou ontem que recebeu até agora 260,9 mil primeiras doses — 184.383 de CoronaVac e 76.530 da Oxford/AstraZeneca. Dessas, 244.852 tinham sido aplicadas até domingo. Sobraram cerca de 16 mil para esta semana, quando estava prevista a vacinação de 109.653 idosos de 80 a 84 anos. Na próxima semana, seriam mais 152.821 de 75 a 79 anos.

Sobre o Rio ter sido a única capital a ficar sem estoque, Soranz afirma que não houve erro, e isso ocorreu porque a cidade acelerou a vacinação de idosos:

— Foi ótimo ter antecipado o calendário, porque a gente vacinou as pessoas uma semana antes do que era previsto. E vai fazer parte da rotina dessa campanha. Acelera, espera chegar, acelera, espera chegar. É bom ter essa urgência. A gente conseguiu ser a cidade que mais vacinou, antes de todas as outras capitais.

Segunda dose reservada

Apesar da interrupção da campanha, o calendário de vacinação não sofre alteração para o público que vai receber a segunda dose, uma vez que essa parte do lote ficou reservada. Já estão recebendo o reforço os idosos e deficientes que vivem em instituições, os profissionais da linha de frente de combate à doença e os indígenas. Ontem, a primeira pessoa a ser imunizada no Corcovado, Teresinha da Conceição, de 80 anos, foi vacinada de novo.

Segundo o prefeito Eduardo Paes, as doses de reforço estão garantidas para todos os que se vacinaram na primeira etapa, o que inclui os idosos atendidos até hoje.

Corrida aos postos

Após Eduardo Paes ter anunciado que vai suspender a imunização, houve grande procura nos postos do Rio. O Centro de Saúde Heitor Beltrão, na Tijuca, ficou pelo menos 30 minutos ontem sem estoque e foi preciso buscar doses em um posto de Vila Isabel.

Na Baixada Fluminense, os postos também lotaram, e idosos penaram em longas filas. Em Nova Iguaçu, a espera chegou a passar de três horas. No Espaço Municipal da Terceira Idade, Bruna Somma chegou às 10h25 com a avó, Sônia Maria Marques, de 85, que só foi vacinada às 12h45.

— Minha avó ficou duas horas na fila só para entrar. Depois, mais meia hora para tomar a vacina — contou Bruna, que chegou a levá-la antes ao drive-thru do Centro Olímpico de Nova Iguaçu, mas a fila era maior.

Tânia da Silva, de 64 anos, esperou três horas e meia para tentar vacinar a mãe, Yolanda da Silva, de 84, no Centro Olímpico. Em vão:

— Chegamos às 11h40 e fomos atendidas depois das 15h. Minha mãe faz 85 mês que vem, mas não quiseram dar a dose.

A Secretaria de Saúde de Nova Iguaçu informou que a fila estava maior ontem devido ao número de pessoas do público-alvo (idosos acima de 85 anos) e que, com a campanha interrompida em municípios vizinhos, muitos idosos estão indo até postos de Nova Iguaçu. A prefeitura diz estar exigindo comprovante de residência, além do cartão do SUS e CPF.