Rio se prepara para receber quantidade de turistas próxima a do último réveillon antes da pandemia

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RIO — Com a vacinação contra a Covid-19 avançada e o fim da maioria das regras de isolamento social, o Rio se prepara para a chegada de uma leva de turistas na última quinzena de dezembro, se aproximando dos números registrados no mesmo período de 2019, que antecedeu a pandemia. De acordo com dados do RIOgaleão, 83% dos assentos dos voos nacionais e internacionais que aportarão na capital fluminense nas duas últimas semanas do ano já foram comprados. Enquanto isso, parte dos hotéis da Zona Sul e da Barra da Tijuca está com 100% dos quartos reservados. A expectativa é que todas as vagas da rede hoteleira do Rio estejam indisponíveis no próximo mês.

A chegada de turistas para as festas de fim de ano, é claro, também deve provocar impactos diretos na economia carioca. A expectativa da prefeitura é que o setor turístico volte a arrecadar ISS (Imposto Sobre Serviços) em valores similares aos do período que antecedeu a pandemia. Uma pista é que o nome da cidade voltou a crescer em buscadores da internet. Segundo levantamento feito pelo site Kayak.com, especializado em turismo, a procura pelo Rio teve um aumento de 560%, no comparativo com 2019. Já o Google informa que as pesquisas por “réveillon” e “virada de ano’’ no Rio de Janeiro, feitas em outubro, foram 80% maiores que as registradas em 2020.

A pandemia da Covid-19 mudou o perfil do turista que chegará ao Rio. Gerente de tráfego do RIOgaleão, Philipe Karat explica que os brasileiros são a maior parte dos que já marcaram voos. Até o momento, 120 mil turistas nacionais têm passagens compradas, enquanto 33 mil estrangeiros fizeram reservas. Segundo ele, os números mostram uma queda na oferta das viagens do exterior.

— O número de voos internacionais para o Rio corresponde a 35% do que foi visto em 2019. Acreditamos que a normalidade do trânsito aéreo internacional para a cidade só será retomada em 2024, com o arrefecimento da pandemia e com maior tranquilidade em relação à situação sanitária no Brasil. Em contrapartida, vemos o aumento da procura de brasileiros pelo Rio, e, também por causa da Covid-19, o turista nacional que buscaria outro país como destino acaba vindo para a Cidade Maravilhosa e gastando por aqui — diz.

Os índices de vacinação e o fim do uso obrigatório de máscaras ao ar livre incentivam os brasileiros a viajarem para o Rio. Entre os estrangeiros, visitantes de Argentina, Colômbia e Chile devem corresponder à maior parte dos que chegarão à cidade. O dado é reforçado pelo site Decolar, que informa ser desses países a maior parte das procuras.

Essa retomada é comemorada pela Associação Brasileira dos Agentes de Viagem (Abav). Segundo o presidente da entidade, Luiz Strauss, 75% dos quartos de hotéis estão reservados. Alguns estabelecimentos de luxo estão lotados. No Hotel Nacional, em São Conrado, e no Grand Hyatt, na Barra, não há mais acomodações para o período do réveillon. O Fairmont Copacabana já tem reservas para 55% dos quartos.

— Quanto mais sofisticado o produto, mais rápido ele está sendo vendido. Isso reflete o interesse do público. Pessoas que gastariam dinheiro em viagens internacionais ficarão aqui, porque não podem ir para fora, seja pelas fronteiras fechadas ou pelo preço pouco convidativo — ressalta.

Presidente da Associação de Hotéis do Rio (ABIH-RJ), Alfredo Lopes acredita que a Zona Sul não terá quartos vazios em todo o mês de dezembro.

Em função da demanda, o secretário municipal de Turismo, Bruno Kazuhiro, anunciou uma espécie de “choque de ordem”, para garantir uma melhor experiência aos visitantes. Dez regiões do Rio vão ser beneficiadas com ações integradas por diferentes secretarias e órgãos.

CET-Rio e Guarda Municipal já começam a atuar no início do próximo mês nas praças São Judas Tadeu (de acesso ao Cristo Redentor) e General Tibúrcio (de acesso ao Pão de Açúcar), na Escadaria Selarón, nos Arcos da Lapa, na Quinta da Boa Vista, no Arpoador, na Praça Mauá, nas imediações da Rodoviária Novo Rio, na Praça Paris e no Centro Histórico do Rio.

— Precisamos criar opções de lazer e segurança para evitar aglomerações, por exemplo, na Região Portuária, onde milhares de turistas vão desembarcar de transatlânticos. Teremos um réveillon com maior número de brasileiros, mas nem por isso teremos um impacto econômico menor. Só com ISS, o setor turístico deve voltar a gerar R$ 50 milhões em dezembro, retomando os índices de 2019 — afirma.

A presidente da Riotur, Daniela Maia, disse que as restrições sanitárias que serão adotadas no réveillon de Copacabana dependem das orientações do comitê científico da prefeitura .

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