Rio tem 5.000 fuzis na mão de traficantes, diz Wilson Witzel

Gustavo Goulart
RI Rio de Janeiro 23/09/2019 Coletiva do governador Wilson Witzel no Palácio Guanabara. Governador falou sobre a morte da menina Ágatha, atingida por uma bala de fuzil no Complexo do Alemão na última sexta-feira. Foto de Márcia Foletto / Agência O Globo

RIO - Wilson Witzel disse que há mais de 5000 fuzis na mão de traficantes nas comunidades do Rio atualmente. Segundo o governador, a conta foi feita pela Polícia Militar. A declaração foi dada em evento realizado em Duque de Caxias na manhã desta quinta-feira. Witzel também criticou a reação do ministro da Justiça, Sérgio Moro, que disse que o governador está transferindo a responsabilidade dos crimes no estado para o governo federal. Witzel tinha usado as redes sociais para criticar duramente a falta de combatividade, em nível federal, ao tráfico de drogas e armas e ao sucateamento da Polícia Federal.

— Contra fatos, não há argumentos. As armas estão entrando por onde? Pelas fronteiras. São 5000 fuzis nas mãos de narcoterroristas. E essas armas não são produzidas aqui. Elas entraram por ar, terra ou mar e cruzaram nossas fronteiras. Estamos fazendo a nossa parte. Já prendemos o miliciano acusado da morte da menina Ketellen. Eu fui juiz federal e sei que a quantidade de armas e drogas apreendidas é muito inferior ao que é produzido. A Colômbia e a Bolívia produzem maconha e cocaína numa escala absurda - comentou Witzel.

Witzel comentou ainda que tiroteios só acontecem em comunidades e não nas áreas turísticas mais visitadas do estado. O governador comparou a violência na cidade do Rio com os indicadores de Nova York, Paris e Madri. Segundo ele, o Rio é a segunda capital mais segura do país:

— Os tiroteios acontecem nas comunidades e não no Centro, no Pão de Açúcar, no Cristo Redentor. São décadas de abandono no planejamento urbano nas comunidades. Mas a realidade da cidade do Rio de janeiro hoje é que nós saímos de uma taxa de 35 mortes por 100 mil habitantes para 16 mortes por 100 mil habitantes. Nós só perdemos para uma capital do Brasil. Somos a segunda capital mais segura do Brasil. E se nós olharmos para o resto do mundo, veremos que estamos no mesmo patamar de Nova York, de Paris, de Madrid. Essa é a realidade que precisa ser mostrada - disse Witzel.

O governador sugeriu ao governo federal que utilize militares das forças armadas no combate ao tráfico de armas e drogas. Ele também afirmou que a Polícia federal está sucateada:

— As nossas forças armadas hoje podem e devem controlar as fronteiras. Em Israel, o exército é usado no policiamento. É necessário usar satélite, programa de controle nacional e precisamos ir à ONU responsabilizar a indústria armamentista. O governo federal precisa se mexer e eu não estou vendo esse movimento. O que estou vendo é um movimento muito tímido. O governo federal me ofereceu 60 policiais para botar em Angra dos Reis. O que eu vou fazer com 60 policiais em Angra? Nada. O que é preciso e a polícia federal entrar nos morros e pegar as armas que foram contrabandeadas - afirmou Witzel, após solenidade de inauguração do Programa Duque de Caxias Presente na Praça do Pacificador.

O governador aproveitou a solenidade para reafirmar a sua intenção de criar um programa Segurança Presente nas estradas do Rio. Ele pediu ao governo federal que conclua o Arco Metropolitano. Logo em seguida, foi provocado pelo prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis, a fazer as obras de conclusão da estrada uma união entre prefeituras e o governo do Estado.

Sambódromo

Witzel também comentou o veto do prefeito Marcelo Crivella a utilização do Sambódromo para a solenidade de entrega de 72 ambulâncias para 47 municípios. O evento foi remarcado para o Palácio Guanabara. O governador disse que o prefeito não está preocupado com a saúde, já que ainda não foi buscar os 130 milhões de reais para investimento nos hospitais Rocha Faria e Albert Schweitzer na Zona Oeste.

— Vamos entregar as ambulâncias de qualquer jeito e será no Palácio Guanabara. Se me pedissem o Palácio Guanabara, eu abriria as portas para o prefeito. Nós não estamos procurando a discórdia. Estamos procurando fraternidade. Até agora, o Prefeito não foi assinar e receber os 130 milhões de reais para entregar para os hospitais. Isso significa que ele não está preocupado com a saúde. Nós não estamos procurando brigar com ninguém. Queremos sempre ajudar. Mas eu não vou deixar de fazer críticas. Não sou gado, não sou cordeirinho. Sou um político e um ex-juiz federal. Então, quando tiver que falar, eu vou falar.

O governador achou a postura do prefeito lamentável. E garantiu que mesmo com as brigas envolvendo a passarela do samba, o governo do estado vai ajudar na realização do carnaval.

— É lamentável esse tipo de postura. O carnaval do Rio de janeiro vai acontecer com a ajuda do estado, com a polícia na rua, com Corpo de Bombeiros. Eu não posso fazer obras no Sambódromo porque não está comigo, mas estou pronto para ajudar e as ambulâncias serão entregues.