Rio tem 88% de ocupação nos leitos de UTI para Covid-19 na rede particular, que registra aumento nas internações

Arthur Leal
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RIO — Praias fechadas, medidas restritivas mais rígidas, "superferiadão" antecipado. Alguns fatores podem indicar os motivos pelos quais prefeitura do Rio e governo do estado, nos últimos dias, tem mostrado uma preocupação crescente com o avanço da pandemia, através do estudo de alternativas e implementação de medidas mais restritivas. Mas o principal desses indicativos, conforme destacado pelo próprio comitê científico do município em reunião na manhã desta segunda-feira, é em relação à ocupação dos leitos exclusivos para tratamento da doença, sobretudo os de UTI, nas redes estadual, municipal e privada.

Na regulação estadual, segundo a última atualização, 86,8% das vagas para terapia intensiva estão preenchidas e cada um dos 493 pacientes na fila aguarda, em média, 16 horas para conseguir ser transferido. Houve aumento em relação à fila que havia no domingo, de 445 pacientes, mas o tempo de espera, antes de 22 horas, diminuiu. No recorte da capital, os números estão ainda mais próximos do limite: 90% de leitos de UTI ocupados na rede municipal e 114 pessoas na fila, segundo os últimos dados divulgados, no domingo.

O cenário também não é diferente na rede privada, onde há por volta de 88% de ocupação nas UTIs para Covid-19 na capital, de acordo com o Sindicato dos Hospitais do RJ, que confirma que houve um aumento no número de internações. No hospital particular Unimed-Rio, na Barra da Tijuca, por exemplo, O GLOBO apurou que 85% dos leitos para coronavírus estão ocupados. Em geral, a unidade afirma que está com 90% do total de seus leitos ocupados, sendo metade deles com pacientes com coronavírus. A Rede D'or, por sua vez, não quis divulgar o percentual atual de ocupação dessas vagas para tratamento de infectados, mas afirmou que tem ampliado o número de leitos "para atender a população da melhor forma".

— No Rio é óbvio para nós que a cada semana há um movimento maior de procura por emergência e internação. Hoje estamos com 88% de ocupação nas UTIs para Covid na capital e cerca de 60% em todo o estado — disse o diretor do Sindicato dos Hospitais do Estado do Rio de Janeiro, doutor Graccho Alvim.

Segundo Alvim, a situação é preocupante, mas ainda há leitos que podem ser abertos em unidades privadas da capital.

— Da semana passada para cá, tivemos um aumento de 8% na ocupação de leitos de UTI, o que é muita coisa. Também aumentaram os atendimentos a pessoas com queda de saturação, Síndrome Respiratória Aguda Grave, assim como crescimento no atendimento à população infantojuvenil — acrescentou.

Hospitais particulares de Niterói já sofrem com falta de insumos e podem parar de receber pacientes

De acordo com médico, uma questão tem preocupado, principalmente, é em relação ao abastecimento de medicamentos importantes no tratamento dos pacientes com Covid-19. Nesta segunda-feira, ele revelou que hospitais particulares de Niterói informaram que podem parar de receber pacientes com coronavírus por falta de insumos.

— Estão com falta de equipamentos e suprimentos no mercado. Se eles pararem de receber pacientes, acredito que o Rio chegue a 93% ou 94% de ocupação de UTIs em pouco tempo — disse Alvim. — Há uma preocupação em relação a medicamentos, principalmente anestésicos. É um problema que é nacional, e isso já nos coloca também com um alerta de luz vermelha acesa para este ponto. Oxigênio apesar de o Rio ter aumentado o consumo, ainda não tivemos um impacto no fornecimento como nos outros estados, mas a gente tem uma preocupação grande sobre como essa pandemia vai evoluir. Se evoluir de maneira muito grande, podemos chegar a problemas parecidos com os enfrentados em São Paulo e Minas Gerais.

Em nota, o Sindicato dos Hospitais Clínicas e Casas de Saúde de Niterói (Sindhleste) expôs o problema e destacou que, além da falta de materiais, tem observado uma crescente da pandemia na cidade da Região Metropolitana.

"Nos últimos dias, o município de Niterói tem passado por um aumento expressivo e numa velocidade muito grande na transmissão e internações do Covid-19. O SINDHLESTE informa que, a sua rede privada de Hospitais e Clínicas de Niterói, encontra-se neste momento, quase no limite da ocupação máxima dos seus leitos covid e com dificuldades para expansão diante da falta de equipamentos e suprimentos no mercado.

Atentos à complexidade deste quadro, esperamos que a Prefeitura Municipal de Niterói, juntamente com sua Secretaria de Saúde e o Comitê Centífico, tome as medidas preventivas necessárias para conter a propagação do vírus no município", diz trecho do comunicado.

Abertura de mais leitos na rede pública estadual

Na última sexta-feira (19), o governador em exercício, Cláudio Castro, publicou em suas redes sociais sobre a expectativa de abertura de 450 novas vagas para Covid-19 no estado. Num primeiro post, Castro afirmou que, após conversa, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, havia se comprometido com ele em abrir "imediatamente" 150 leitos na rede federal em parceria com o governo do estado e da iniciativa privada. Logo em seguida, ele reproduziu um chamamento feito no Diário Oficial de quinta-feira, para abertura de mais 300 leitos, que seriam abertos na rede privada e pagos pelo estado.

Nesta segunda-feira, questionada sobre estas vagas anunciadas pelo governador, a Secretaria Estadual de Saúde detalhou que, em relação às 300 vagas, 100 serão de UTI, mas não soube informar se algum destes leitos já foi aberto ou tem previsão para ser ativado. Sobre os 150 leitos que teriam sido prometidos pelo ministro da Saúde ao governador na rede feral, a SES não soube informar. A pasta, no entanto, afirmou que a mesma quantidade de leitos deve ser aberta no Hospital Modular de Nova Iguaçu, que teve sua inauguração adiada por diversas vezes, e agora tem previsão de entrar em funcionamento em abril. "O Governo do Estado recomendou às prefeituras que se unam em uma força-tarefa para a abertura de vagas e que elas sejam disponibilizadas na central de regulação unificada", acrescentou a secretaria.

Só nesta segunda-feira, 158 pacientes com Covid-19 deram entrada em pedidos de internação em UTIs na regulação estadual. Os dados do governo mostram que, só nesta segunda-feira, foram registrados 1.469 casos e 49 mortes pelo novo coronavírus. Ao todo, o vírus já matou 35.180 pessoas e infectou 623,4 mil em território fluminense.