Rio Tietê registra aumento de água boa e diminuição em seu curso

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 22.01.2020 - Vista do rio Tietê, na altura da ponte do Piqueri, em São Paulo. (Foto: Rubens Cavallari/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 22.01.2020 - Vista do rio Tietê, na altura da ponte do Piqueri, em São Paulo. (Foto: Rubens Cavallari/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A mancha de poluição no rio Tietê voltou a apresentar queda, mantendo, dessa forma, a tendência de melhora na qualidade da água do corpo d'água.

O rio possui 85 km de água tida como ruim, segundo levantamento anual feito pela ONG SOS Mata Atlântica e lançado nesta quarta-feira (22), com apoio do Ypê, no dia do Rio Tietê. Esse espaço se divide em dois trechos: entre a cidade de Suzano e a Ponte das Bandeiras, em São Paulo; e no município de Porto Feliz. Nesse locais, a água é imprópria para usos e inadequada para a vida aquática. No ano passado, o valor era de 150 km.

Também aumentou a extensão do rio com água boa, que foi de 94 km (no ano passado) para 124 km. Somada ao trecho com qualidade regular, o Tietê já soma 407 km (70,6% do percurso monitorado) com água que permite presença de vida e diversos usos.

Apesar da boa notícia, uma parte do retrato não pode ser vista claramente neste ano. Mais uma vez, porém, a avaliação não pôde ser feita integralmente. Por causa da pandemia, não houve avaliação de 84 km de rio --em 2020, foram 44 km não avaliados.

A ONG avalia, anualmente, através de pontos de coleta, os 576 km do Tietê, partindo da nascente, em Salesópolis, até o reservatório de Barra Bonita.

Segundo a avaliação, a última década do Tietê se dividiu em dois momentos. Na primeira metade dela, houve piora da situação geral do rio, com mais esgotos sem tratamento lançados nele resultando em crescimento de qualidade de água ruim ou péssima, conjunto que chegou a somar 48,6% da extensão do curso d'água.

Desde 2016, porém, a situação vem melhorando, apesar de ainda hoje nenhum ponto de coleta analisado ter qualidade de água ótima no rio --mas, ao mesmo tempo, não há pontos péssimos no curso principal.

Segundo Gustavo Veronesi, coordenador do projeto Observando os Rios, da SOS Mata Atlântica, os rios têm o potencial de contar uma história sobre o local e sobre o que é feito em volta dele, na bacia hidrográfica.

"O rio Tietê nos conta que temos um caminho grande de tratamento e coleta de esgoto", afirma Veronesi. "Melhorou muito do que era na década de 90, mas já deveria ter sido solucionado, após 30 anos."

Segundo o representante da SOS Mata Atlântica, é preciso cuidado ao comparar a realidade brasileira, mais especificamente de São Paulo e do Tietê com exemplos internacionais, como o caso do rio Tâmisa (que passou por um profundo processo de despoluição), em Londres.

No caso, a situação socioeconômica da cidade, com muita gente vivendo em situação de irregular, cobra seu preço. Isso porque, nas moradias irregulares, além de outras ausências associadas à fragilidade da condição, também falta tratamento de esgoto. Com isso, os dejetos acabam despejados em galerias de águas ou diretamente em algum rio, sem tratamento adequado. O resultado é um Tietê poluído. "Precisamos olhar com mais carinho e mais atenção para os problemas sociais que temos", diz Veronesi.

E o problema não é somente do principal rio do estado de São Paulo, o Tietê. A falta de tratamento ou ações desastradas em seus afluentes também são um problema. Em pontos do rio Pinheiros, em São Paulo, capital, e no Ribeirão dos Meninos, em São Caetano do Sul, ambos afluentes do Tietê, houve registros de qualidade de água péssima.

Segundo o especialista da SOS Mata Atlântica, o longo e trabalhoso trabalho para melhorar a qualidade de água do rio pode ser perdido rapidamente, se não houver cuidado. Ele e o relatório apontam, por exemplo, que no fim de agosto de 2021, a barragem de Pirapora do Bom Jesus foi aberta e despejou grandes quantidades de água contaminada rio abaixo, o que provocou uma extensão de 300 km de água péssima em trechos em que o corpo d'água tinha classificação regular ou até boa.

Isso fez com que a água do rio chegasse preta à cidade de Salto, em São Paulo. O fato ocorreu no fim de agosto, quando os dados do relatório já estavam fechados. De toda forma, as equipes de voluntários que trabalham no projeto fizeram coletas extras, na semana seguinte ao ocorrido, para analisar o impacto da ação sobre rio. Então, a abertura da barragem não teve influência direta nos achados do momento, mas pode impactar os dados do próximo ano.

"Sujar o rio é muito rápido e limpar é muito vagaroso", diz Veronesi. "O que a gente quis alertar é que o ganho sofrido ao longo dos anos, em um dia, com a decisão de abrir a barragem, tem uma piora que não se sabe quanto tempo vai durar."

O projeto faz um monitoramento mensal do Tietê, em 53 pontos de coleta, espalhados por 21 rios afluentes do Tietê e no rio principal. A coleta para o relatório atual foi feita de setembro de 2020 a agosto de 2021.

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