Rio vive semana decisiva para futuro da pandemia, diz secretário municipal de Saúde

Rodrigo Viga Gaier
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Pandemia de Covid-19 no Brasil

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Rio de Janeiro vive uma semana decisiva para os rumos da pandemia, disse à Reuters o secretário municipal de Saúde, que fez novo apelo à população para permanecer em casa após um primeiro fim de semana de super recesso com cenas de desrespeito às medidas de restrição mais rigorosas até o próximo domingo.

A rede pública e privada do Rio tem taxa de ocupação de UTI acima de 90% e a fila de espera por internações bate recorde dia após dia há quase uma semana. Ela tem altamente quase mil pessoas esperando uma vaga sendo a maioria por uma UTI.

Nas últimas semanas , houve também uma procura intensa de pessoas por atendimento na rede básica com suspeita de Covid-19.

“Certamente é a semana decisiva, mais importante é que todas as unidades de saúde vão vacinar 40 mil pessoas por dia para segurar esse momento (mais complicado)”, afirmou Daniel Soranz.

“Acelerando a vacina, conseguindo isolamento social e aumentado leitos a gente espera reduzir a mortalidade e que seja a primeira cidade a sair dessa confusão da Covid-19“, acrescentou.

“Se o super recesso der certo e correr bem a gente espera não ter que renovar as medidas de restrição, mas é claro que algumas vão se manter e o que vai dizer são os números e a adesão de todos“, avaliou o secretário.

Mesmo assim, no primeiro fim de semana do super recesso houve festas e eventos ilegais com aglomerações, pessoas na praias que estão “fechadas“ com apenas atividades esportivas no mar e na areia liberados.

Soranz ressaltou a importância do comportamento da população para o êxito das medidas e redução da crise sanitária.

“A gente viu uma diminuição intensa na circulação de pessoas na cidade do Rio, mas infelizmente a gente ainda vê pessoas muito irresponsáveis se aglomerando e fazendo festa. A gente precisa muito da população, ainda mais num momento de dominância da variante de Manaus e a gente precisa interromper a circulação do vírus“, disse Soranz à Reuters.

De sexta a domingo a prefeitura do Rio aplicou 2.788 autuações --multas e interdições a estabelecimentos, infrações sanitárias, multas de trânsito, reboques e apreensões de mercadorias. Entre elas, foram aplicadas 289 multas a bares, restaurantes e ambulantes, além da interdição de 42 estabelecimentos que estavam em desacordo com as determinações atuais.

A cidade do Rio pretende chegar até o fim de março tendo vacinado todos com pelo menos 70 anos e fechar o mês de abril com todos os idosos --acima de 60 anos-- imunizados.

ESTADO

Não é só a cidade do Rio de Janeiro que enfrenta restrições mais rígidas.

Na semana passada, o governador em exercício do Estado, Cláudio Castro (PSC), baixou um decreto com medidas restritivas mais duras para conter a disseminação da doença. A maioria das regiões do Estado está em nível alto ou muito alto para Covid segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde.

O Estado do Rio de Janeiro acumula mais de 36 mil óbitos e maia de 640 mil pessoas infectadas ao longo de mais de um ano de pandemia.

No domingo, o governador em exercício celebrou seu aniversário de 42 anos em uma casa na região serrana.

A comemoração, segundo pessoas próximas ao governador, reuniu cerca de 15 pessoas --familiares e seus respectivos acompanhantes. No lado de fora da casa, foram vistos por vizinhos mais de 10 carros.

O Palácio Guanabara informou, no entanto, que parte dos veículos era da segurança do governador e garantiu que não houve aglomerações.

Segundo um morado próximo, os convidados teriam tido que deixar os celulares na entrada, mas o governo do Estado negou que isso tenha ocorrido.