Rio volta a bater recorde da média móvel de mortes por Covid-19 de toda a pandemia; 602 aguardam por UTI

Felipe Grinberg
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RIO — Há 20 dias seguidos a média móvel de mortes no estado do Rio apresenta uma tendência de aumento da contaminação. Nesta sexta-feira, outro triste recorde foi batido: pela segunda vez em uma semana o Rio têm o recorde da média móvel de óbitos pela doença: 260 por dia.

Somente nesta sexta-feira foram confirmadas 381 novas mortes por coronavírus e quase 5,2 mil casos. Desde março de 2020, 39.038 pessoas foram vítimas fatais da doença. Com os dados divulgados pela secretaria estadual de Saúde, a média móvel passa a ser de 3.118 casos e 260 mortes por dia. Em relação aos números de duas semanas atrás, houve um aumento de 80% na quantidade de óbitos, o que indica uma tendência de crescimento na intensidade do contágio por estar acima da marca mínima estipulada de 15%.

A fila por um leito de UTI apresentou queda, mas continua em um patamar alto.Nesta sexta, 608 pacientes aguardam por uma vaga de UTI na rede pública de saúde do Rio. Se somados com as pessoas que esperam um leito de enfermaria, o número chega a 749 pessoas. A ocupação dos leitos de UTI estão em 90%. Apesar da redução na fila, só há 198 leitos livres de UTI em todo o estado do Rio

Rio se mantém na bandeira roxa com risco 'muito alto' para a Covid-19, aponta estudo da Saúde

Pela segunda semana seguida os técnicos da secretaria estadual de Saúde do Rio apontam que o Rio está na bandeira roxa e com risco "muito alto". A pior situação é na região Metropolitana 1 - que engloba a capital e os municípios da Baixada Fluminense. Na projeção atual, os leitos de UTI para atender pacientes de Covid-19 nessa região podem acabar em cinco dias.

"Todas as 9 regiões do estado apresentam taxa de ocupação de leitos de UTI acima de 80%, apontando para uma situação crítica no atendimento aos casos graves. Em relação à taxa de ocupação de enfermaria, exceto a região Noroeste, as demais regiões também apresentam esgotamento de leitos com taxas acima de 70%" , diz trecho da nota técnica.

Houve uma sensível melhora em indicadores de algumas regiões, que fez três delas saírem da bandeira roxa e ir para a vermelha. Junto com a Metropolitana 1, a região Serrana continua com o mais elevado grau de alerta.

Ao todo 21 municípios são considerados de "alto risco" para o coronavírus. Sete, porém foram o que apresentaram os piores indicadores gerais:

MesquitaNilópolisNova IguaçuQueimadosRio de JaneiroEngenheiro Paulo de FrontinSapucaia

Na outra ponta, apenas Rio das Flores foi classificada com risco moderado para a Covid-19.

A avalição do corpo técnico da secretaria estadual de Saúde compara a semana epidemiológica 12 (de 21 a 27 de março) com a 10 (de 07 a 13 de março) de 2021.

Atendimentos voltam a crescer

Os técnicos também analisaram o número de atendimentos de pessoas com sintomas de Covid-19 na porta de entrada do sistema. Nas UPAs estaduais houve um crescimento sustentado durante o mês de março com uma pequena queda no fim, quando houve maiores medidas restritivas. Entretanto, no início de abril foi percebida "nova subida e pico em 5 de abril".

"As solicitações por leitos (Figura 7) apresentam maior variabilidade diária, mas que reflete uma tendência de aumento desde o início de março. A partir do dia 15 de março, observamos uma maior velocidade no aumento do número de pessoas na fila de espera"

Medidas de restrições sugeridas

De acordo com a classificação de risco, os técnicos apontam que medidas devem ser tomadas para tentar conter o avanço da pandemia. Os critérios e medidas de isolamento foram definidas já para o primeiro boletim, divulgado no início de julho de 2020. Em caso de "Risco muito alto", as medidas que devem ser tomadas são:

Suspensão de atividades econômicas não essenciais definidas pelo território, avaliando cada uma delas (Também para o "risco alto")Definição de horários diferenciados nos setores econômicos para reduzir aglomeração nos sistemas de transporte público. (Também para o "risco alto")Adoção de quarentena, como expõe a Portaria 356/2020 (a), conforme avaliação do gestor.