Risco de apagão no Amapá era conhecido por órgãos do setor; subestação operava no limite há dois anos

Redação Notícias
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MACAPA, BRAZIL - NOVEMBER 08: A general view of the 230/69 kV Macapa substation during a blackout due to a fire on November 8, 2020 in Macapa, Brazil. The substation located in the North Zone of Macapa undergoes maintenance after a fire that has left 89% of the state of Amapa (about 765 thousand people) without electricity since Tuesday the 3rd. There is a lack of running water in the city and ATMs and card machines do not work and only gas stations with a generator are able to operate. (Photo by Luiza Nobre/Getty Images)
O Amapá chega nesta sexta-feira (13) ao 11º dia de apagão com 13 das 16 cidades sem o fornecimento regular de energia elétrica e sem obedecer prazo para o restabelecimento de 100% do serviço (Foto: Luiza Nobre/Getty Images)

Os principais órgãos do setor elétrico do país sabiam dos riscos relacionados às condições de funcionamento dos equipamentos que entraram em colapso e ainda deixam grande parte do estado no 11º dia no escuro, com 13 das 16 cidades sem o fornecimento regular de energia elétrica e sem obedecer o prazo fixado pela Justiça para o restabelecimento de 100% do serviço.

De acordo com o jornal Valor Econômico, há documentos do Ministério de Minas e Energia, do Operador Nacional do Sistema (ONS) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) indicando que a subestação atingida, a SE Macapá, operava no limite da capacidade há cerca de dois anos.

A condição teria sido reportada ao ONS há 11 meses. Além de operar no limite, documento aponta que a subestação não tinha condições de religar imediatamente a rede se dependesse de um transformador sobressalente, como um “backup”.

Segundo o Valor, há ainda um relatório mostrando que um dos problemas com a segurança da linha pode ter ocorrido ainda na concepção do projeto. Em 2004, antes da contratação da empresa privada espanhola Isolux, o Comitê Técnico de Expansão da Transmissão do MME já indicava a necessidade de a SE Macapá ter “três transformadores e uma unidade reserva”.

Em outras palavras, estudos preliminares apontaram a necessidade de instalar quatro grandes transformadores na subestação, sendo que três deles deveriam operar em conjunto para que não houvesse sobrecarga — o quarto, de “backup”.

No apagão da semana passada, houve uma explosão de um transformador que atingiu o segundo em funcionamento naquele momento. A recomposição do sistema de abastecimento não foi possível já que o único transformador de backup, o terceiro, estava em manutenção desde o fim de 2019.

O blecaute já motivou mais de 80 protestos nas ruas e causou a suspensão das eleições em Macapá no domingo (15).