Risco de lesão aumenta às vésperas da Copa; entenda por que quem joga na Alemanha e na Itália está mais exposto

Sadio Mané corre o risco de ser um dos maiores desfalques por lesão dessa Copa do Mundo. O craque de Senegal tem suspeita de fratura no osso da perna direita, problema sentido durante a goleada do Bayern de Munique sobre o Werder Bremen, pelo Campeonato Alemão, na última terça-feira. O clube bávaro não confirma a gravidade. De antemão, antecipou que ele não enfrentará o Schalke 04, sábado, na última partida da equipe antes do intervalo para a Copa do Catar.

A quatro dias da parada no calendário dos clubes, as seleções temem a perda de jogadores por motivo de lesão. Os que estão sob maior risco são os que atuam na Alemanha e na Itália. Nos dois países, os jogos que faltam até eles se apresentarem às equipes nacionais são válidos pelas ligas locais. Em outras palavras: os treinadores devem colocar força máxima em campo e, para as seleções, só resta torcer para que todos fiquem bem.

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Tite, por exemplo, pode ser obrigado a ver três convocados submetidos a essa última carga antes de estarem à disposição da seleção brasileira. A Juventus, dos laterais Danilo e Alex Sandro e do zagueiro Bremer, jogará hoje contra o Verona e domingo contra a Lazio. A equipe de Turim faz campanha apenas discreta no Italiano — é a sexta colocada —, e precisa pontuar para tentar ao menos entrar na zona de classificação para a Champions League.

Além da sequência de jogos às vésperas da Copa do Mundo, o histórico clínico do jogador pesa, podendo deixar comissões técnicas mais ou menos preocupadas. Philippe Coutinho, que passou os últimos quatro anos acumulando lesões que atrapalharam seu rendimento, voltou a ter problema muscular e, por isso, não foi convocado por Tite para o Catar.

Em condições normais, quando o intervalo entre o fim do calendário de clubes e o começo do Mundial é de cerca de 30 dias, o caso do meia seria analisado com mais calma pela comissão técnica. E não estaria descartada a convocação do jogador mesmo lesionado, como ocorreu com o lateral-direito Fagner em 2018. Entretanto, com a janela de apenas 11 dias entre a apresentação dos jogadores e a estreia na Copa do Mundo, essa hipótese foi prontamente descartada.

Seleções que sofrerem menos com desfalques e que souberem, depois de terem os jogadores à disposição, administrar melhor a carga física, devem ter vantagem sobre as demais. A França, por exemplo, perdeu dois titulares do meio de campo campeões na Rússia: Kanté e Pogba. A Alemanha não terá seu principal centroavante, Timo Werner, com lesão no tornozelo direito, e corre o risco de não ter também Thomas Muller, com problemas no quadril.

Gestão do desgaste

Até domingo, as seleções terão de apenas monitorar os quadros clínicos de seus atletas com as comissões técnicas de seus respectivos clubes. Depois, caberá às equipes nacionais estabelecer a melhor intensidade de exercícios para manter os jogadores saudáveis para a Copa do Mundo.

Como a maior parte dos jogadores convocados está em meio de temporada, e o intervalo para treinos e entre os jogos será curto no Catar, a seleção brasileira privilegiará trabalhos preventivos, com exigência menor sobre os jogadores.

— Não temos necessidade de tentar trazer potência aos jogadores, e nem teremos tempo hábil para isso. Será um trabalho individualizado, de manutenção — explicou o preparador físico Fábio Mahseredjian, na última segunda-feira, na CBF.

Outra maneira que as seleções têm para administrar a parte física dos jogadores e prevenir lesões é consequência do resultado em campo. Quem vence os dois primeiros jogos chega ao terceiro já classificado para as oitavas de final. Às vezes bem próximo de garantir o primeiro lugar do grupo. Neste caso, pode aproveitar a partida que resta na primeira fase para descansar alguns titulares. Foi o que o Brasil fez nas Copas de 2002 e 2006, por exemplo.

No fim de semana, as atenções dos torcedores das seleções estarão voltadas principalmente para a Inglaterra. A Premier League concentra alguns dos principais jogadores do futebol mundial: 12 convocados por Tite atuam por equipes que disputam a competição. Outras seleções bem cotadas ao título contam com atletas importantes jogando no país, como Portugal, além do próprio selecionado inglês.