Risco de PSDB perder governo de SP pesou para desistência de Doria, dizem aliados

SÃO PAULO - A desistência do ex-governador João Doria da corrida presidencial foi vista por lideranças do PSDB como uma sinalização de que a sigla decidiu se valer do peso histórico e político de São Paulo, estado que governa há mais de 26 anos e cuja eleição está sob ameaça inédita desde 1995. Com Doria candidato ao Palácio do Planalto, dirigentes partidários avaliaram que as chances de reeleição do governador Rodrigo Garcia (PSDB) seriam diminutas em razão da rejeição do antecessor nas pesquisas de opinião. Garcia, que nunca disputou uma eleição majoritária, aposta na visibilidade do cargo para tornar-se conhecido e tem trabalhado para descolar sua imagem de Doria.

Não por acaso, o governador foi a principal ausência no pronunciamento desta segunda-feira, no qual um Doria emocionado anunciou que sairia de cena. Garcia decidiu cumprir agenda com seu gabinete itinerante que visitou Araraquara, no interior paulista. A unidade partidária ainda está distante, avaliam dirigentes, e o partido cancelou uma reunião da Executiva Nacional nesta terça-feira para selar, mesmo com resistências, o apoio à pré-candidatura da senadora Simone Tebet (MDB-MS).

O evento foi remarcado para o dia 2 de junho na tentativa de chegar a um consenso antes e evitar mais desgastes internos. O apoio a Tebet representaria uma mudança na tradição da legenda, que, desde a sua fundação, sempre escalou um candidato na corrida presidencial. Em seis das oito disputas desde 1989, o PSDB foi protagonista, com duas vitórias e quatro segundas colocações.

Além disso, a viabilidade da candidatura de Tebet é vista com ceticismo. Uma ala do partido prefere apoiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda assim, aliados da senadora afirmam que ela tem apoio público de 19 diretórios da sigla, o que lhe permitiria ter seu nome homologado na convenção partidária, entre julho e agosto.

Fontes ligadas à direção nacional acreditam que um cenário que deixe o PSDB fora da chapa levaria a uma crise e a divisões internas, com risco a quebra do acordo com as demais legendas de centro por uma candidatura única.

Horas após Doria lamentar que não era "a escolha da cúpula do PSDB" ganhou força novamente um movimento pela volta do ex-governador Eduardo Leite (RS) para uma candidatura própria. Tucanos experientes também defendiam o nome do senador Tasso Jereissati (CE), que, segundo pessoas próximas, só cogitaria a possibilidade de ser vice. Tasso tem dito em entrevistas que pretende se aposentar da vida pública e se dedicar à família, que é contrária ao cenário de ele encabeçar uma chapa.

Um dos aliados mais próximos de Leite e um dos quadros históricos do PSDB, o ex-senador José Aníbal (SP) dá o tom do clima no partido:

— A Simone é uma excelente candidata, mas a saída do Doria animou o partido e nada impede que o PSDB tenha também o seu candidato. Temos que ajudar a construir esse centro democrático.

Longe do fim

Reservadamente, um dos aliados mais próximos do núcleo partidário de Doria não descarta a possibilidade de retorno à corrida presidencial e diz que o momento é de recuar e de jogar pressão sobre Tebet. Ainda assim, mesmo algumas pessoas próximas ao paulista admitem que preferem apoiar outro nome do PSDB a Tebet. Além disso, a possibilidade de Doria ser vice ou candidato ao senado e deputado, no entanto, é rechaçada. Estrategistas dizem que ou o ex-governador será candidato a presidente nestas eleições ou pode se preservar para o pleito de 2026.

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