Rishi Sunak e Liz Truss disputarão lugar de Boris Johnson no comando do Reino Unido

A disputa pela liderança do Partido Conservador e, consequentemente, pelo cargo de primeiro-ministro do Reino Unido entrou em sua reta final nesta quarta-feira. Após uma última rodada de votações, os 358 parlamentares conservadores afunilaram os nomes na lista de candidatos à sucessão do controverso Boris Johnson para dois: o do ex-ministro do Tesouro Rishi Sunak e da chanceler Liz Truss.

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Agora começa a segunda etapa da disputa, que chegou a ter 11 candidatos: os cerca de 150 mil filiados do partido votarão durante todo o mês de agosto para escolher entre Sunak e Truss. O vencedor, que herdará um país com a maior inflação desde os anos 1980 e sofre para se adaptar ao divórcio da União Europeia, será conhecido no dia 5 de setembro, ao fim do recesso parlamentar que começa na sexta-feira.

Boris, que permanece no poder interinamente, foi forçado a anunciar sua renúncia no último dia 5, pressionado por meses de escândalos consecutivos que culminaram em uma debandada em massa do governo. Primeiro vieram as denúncias de violações das regras de distanciamento para o controle da Covid-19, no caso conhecido como “partygate”. A gota d'água, contudo, foi as acusações de abuso sexual contra integrantes de seu governo.

Sunak, que pode ser a primeira pessoa de origem estrangeira a liderar Downing Street, teve 137 votos na quinta e última rodada parlamentar, 19 a mais que na votação anterior. Já Truss conseguiu 113 votos, aumento de 27 votos que consolidou seu lugar no segundo turno e a deixa perto de ser a terceira primeira-ministra mulher da História britânica, após Margaret Thatcher (1979-1990) e Theresa May (2016-2019).

Em um comunicado, a chanceler disse "estar animada de agora viajar pelo país para convencer o Partido Conservador sobre meu novo e ambicioso plano econômico que cortará impostos, melhorará nossa economia e liberará o potencial de todos no Reino Unido":

"Como primeira-ministra, começaria com tudo já no primeiro dia, uniria o partido e governaria alinhada com os valores conservadores", disse a mulher, a mais continuísta entre os finalistas. "Estou feliz de passar as próximas semanas provando para todos os nossos membros brilhantes exatamente porque sou a pessoa certa para guiá-los e guiar a nossa grande nação."

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A equipe de Sunak, por sua vez, disse em um comunicado que "este é um resultado muito forte e um mandato claro" dos parlamentares. O candidato, disseram eles, "agora trabalhará noite e dia para conquistar a família estendida do Partido Conservador":

"A escolha diante dos filiados é muito simples: quem é a pessoa mais capacitada de derrotar os trabalhistas na próxima eleição geral? As evidências apontam para Rishi", afirmaram em nota.

A dupla disputava com a secretária de Estado do Comércio Exterior, Penny Mordaunt, que chegou a ser cotada como o nome favorito para avançar de fase e aparecia em segundo lutar, mas foi ultrapassada por Truss. Ela obteve 105 votos, apenas oito a menos que a segunda colocada.

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Se o avanço do ex-ministro do Tesouro, cuja renúncia catalisou a derrubada de Boris, já parecia certo, Truss se aproveitou de um momento que lhe era favorável. Os aliados de Kemi Badenoch, candidata que foi eliminada na quarta rodada de votação, na terça-feira, foram fundamentais para o triunfo.

Quase metade dos 59 órfãos de Badenoch, ex-ministra da Igualdade, migraram para a chanceler, confirmando uma tendência que já era vista como natural. Mordaunt chegou a apostar na rejeição a Boris para tentar avançar novamente: ao contrário de Truss e de Sunak, insistia, nunca serviu no Gabinete do premier demissionário. Nada disso, contudo, foi suficiente.

Sunak liderou com alguma folga nas votações parlamentares, mas isso não significa que é o favorito entre os filiados do Partido Conservador. Na terça, uma pesquisa publicada pelo YouGov mostrou que ele perderia tanto para Mordaunt quanto para Truss na votação final.

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O ex-ministro do Tesouro terá seis semanas de campanha para reverter o cenário. A missão, contudo, não é das mais fáceis para o descendente de indianos que se formou na Universidade de Oxford: precisará convencer um eleitorado cujo sentimento anti-imigração foi um dos elementos-chaves por trás do voto que optou pelo divórcio do bloco europeu, em 2016. Sunak defendeu a ruptura, enquanto Truss era a favor da permanência.

O sentimento anti-imigração perdeu força, mas continua a ter peso para parcelas do eleitorado que, há três anos, deram a Boris um mandato claro para pôr um fim à novela do Brexit. O histórico de Sunak como um defensor de impostos para fazer frente à crise econômica e a percepção de que traiu Boris também não lhe são favoráveis entre os filiados do Partido Conservador.

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Sunak, junto com seu amigo Sajid Javid, então ministro da Saúde, anunciaram sua renúncia no dia 5 de julho, com críticas vocais ao premier. Pouco antes, Boris havia pedido desculpas por ignorar as acusações contra o vice-líder da bancada do Partido Conservador, Chris Pincher, que teria apalpado dois homens em uma festa.

Por dias, o governo negou que o premier não tinha conhecimento sobre as "acusações específicas" de má conduta, até que um servidor público veio à tona afirmando que Boris sabia sobre o assunto. As ações de Sunak e Javid, que os amigos afirmam não ter sido coordenadas, foram as primeiras de cerca de 60 renúncias.

Sunak foi chave para o colapso do premier demissionário, apesar de tê-lo apoiado nas várias crises que antecederam o imbróglio final. Truss, por sua vez, ficou no barco até ele afundar, apostando que teria o apoio dos conservadores mais radicais. As próximas semanas dirão qual dos dois tomou a decisão certa.

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