Do riso às lágrimas: Biden traz suas emoções à flor da pele

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O presidente dos EUA, Joe Biden, costuma se desculpar em público por coisas diferentes (AFP/Adrian DENNIS)
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Ri, chora, pede desculpas. Para o homem mais poderoso do mundo, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, mostra um pouco de seu lado suave.

Na segunda-feira (1), se desculpou em Glasgow em nome dos Estados Unidos por Donald Trump, a quem derrotou há um ano. Um dia antes, em Roma, Biden quase chorou ao falar sobre seu filho falecido e o Papa.

E isso apenas durante sua viagem à Europa para o G20 e as cúpulas do clima, antes de voltar para casa na noite de terça-feira.

Trump exibia um estilo machista de bravata, Barack Obama denotava autoconfiança, mas Biden leva suas emoções à superfície.

Ignorando a máxima política de que o pedido de desculpas mostra fraqueza, diz 'desculpa' o tempo todo: por chegar atrasado, por falar muito, por ser chato ou por não ser tão bom quanto os que o cercam.

Esse hábito parece ser parte de uma leve autodepreciação. "Olá a todos, sou o marido de Jill", é uma de suas frases de abertura favoritas quando a primeira-dama Jill Biden está presente.

O pedido de desculpas por Trump ter retirado os Estados Unidos do Acordo Climático de Paris foi um clássico de Biden - ele começou se desculpando por se desculpar. "Acho que não deveria me desculpar, mas peço", disse.

Seus comentários emocionados no dia anterior sobre seu filho Beau, que morreu de câncer no cérebro em 2015, foram notáveis por sua franqueza.

Inicialmente, sugeriu que não responderia à pergunta de um jornalista sobre o que seu encontro com o Papa Francisco significou para ele, dizendo que era "pessoal".

Mas a resposta foi dada quando ele lembrou como o Papa, durante uma visita aos Estados Unidos, o contatou para apoiar sua família logo após a morte de Beau.

As "feridas ainda estavam frescas" e o Papa teve "um impacto catártico", disse ele, com a voz embargada.

- Selo político -

A abertura emocional de Biden não responde apenas à sua personalidade. É sua marca política.

Apresentando-se como "Joe, de classe média", um fanático por carros e trens com raízes na classe trabalhadora em Scranton e Delaware, se mostra real demais para dar a si mesmo o ar clássico de político.

Essa é a ideia. Por sua idade e agora enorme responsabilidade, sua imagem pública evoluiu para um tio idoso sábio, mas ainda brincalhão.

Mas funciona? Não para todos.

Alguns opositores dizem que Biden é fraco demais para a política selvagem de Washington. Eles enfatizam que até agora ele não conseguiu que seu próprio partido aprovasse seu enorme plano de investimentos em infraestrutura e gastos sociais no Congresso.

Outros críticos mais duros até questionam sua capacidade mental, ou - no caso de Trump e seus seguidores - espalham teorias da conspiração que apontam que Biden é um fantoche na Casa Branca.

Não há dúvida de que, nove meses após sua chegada ao governo e um ano após sua eleição, Biden enfrenta problemas.

A última pesquisa da NBC News diz que 54% dos americanos desaprovam seu desempenho. E apenas 42% aprovam.

Mas, apesar de seu sentimentalismo, Biden não parece deixar o pessimismo afetá-lo.

Muitas vezes sua exasperação só aparece em uma frase como: "Vamos lá, cara." Ou, como disse em Roma: as pesquisas "sobem e descem, sobem e descem".

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