Rita Lobo dá dicas de alimentação saudável para Felipe Neto, que quer perder gordura; veja receitas

Primeiro foi o youtuber Felipe Neto, que reclamou da quantidade de calorias em massas "(macarrão, lasanha etc)", o que classificou, brincando, como "absurdo". "Pergunto: como os italianos não ficam obesos que nem os americanos? Será que não comem tanta massa assim?". As perguntas geraram uma sequência de mensagens no perfil dele no Twitter. Numa delas, Felipe conta que se alimenta de forma saudável e que está contando calorias para perder gordura. Eis que a chef Rita Lobo entrou na história, e quem ganhou foram os internautas, que receberam dicas dela e até receitas.

Rita foi marcada por uma fã de Felipe que explicou que os italianos comem massa e molhos de verdade, a maioria sem processados. "É isso! Alimentação saudável tem mais a ver com excluir os ultraprocessados do que contar calorias. Esse paradoxo das dietas mediterrâneas já foi amplamente estudado… nas regiões onde as populações cozinham a saúde é melhor do que nos lugares onde as pessoas consomem UPs", escreveu Rita.

A chef fez em seguida uma defesa do prato feito consumido pelo brasileiro: "E é por isso q temos que valorizar a dieta brasileira, simbolizada pelo arroz e feijão que, juntos, são uma potência nutricional. No pê-efe tradicional, caseiro, vai tb pelo menos duas hortaliças, seja o chuchu, a couve, o tomate… uma refeição saborosa e balanceada".

Rita reproduziu ainda um desafio de dez dias para diminuir os ultraprocessados na dieta diária. No material, ela explica a origem dos alimentos, mostra como identificar esse tipo de alimento, ensina a fazer um PF balanceado e dá dicas rápidas de cardápio, com receitas rápidas para o dia a dia. A seguir, algumas delas.

PAILLARD DE FILÉ MIGNON COM ESPAGUETE DE PUPUNHA

INGREDIENTES

250 g de espaguete de palmito pupunha fresco

1 xícara (chá) de tomate sweet grape (cerca de 180 g)

3 colheres (sopa) de azeite

2 ramos de manjericão

¼ de xícara (chá) de nozes tostadas e picadas

sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto

MODO DE PREPARO

Lave, seque e corte os tomates ao meio. Leve uma panela média com água ao fogo alto. Quando ferver, misture 2 colheres (chá) de sal, adicione o espaguete de palmito e deixe cozinhar por apenas 30 segundos. Reserve 1 xícara da água do cozimento e escorra o palmito numa peneira. Volte a panela ao fogo médio (sem água, nem precisa lavar). Quando aquecer, regue com o azeite, junte os tomates, tempere com uma pitada de sal e de pimenta e refogue por cerca 2 minutos, mexendo de vez em quando, até os tomates ficarem macios mas sem desmanchar. Junte ¼ de xícara (chá) da água do cozimento reservada, acrescente o manjericão, metade das nozes e desligue o fogo. Reserve o molho na panela enquanto prepara o paillard.

INGREDIENTES PARA O PAILLARD

2 bifes de filé mignon (cerca de 100 g)

sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto

azeite a gosto

MODO DE PREPARO

Corte um saco próprio para alimentos ao meio. Disponha um bife numa das metades e cubra com a outra metade do saco. Com um batedor de carnes bata e, ao mesmo tempo, empurre o bife do centro para as laterais até ficar bem fininho (se preferir, utilize a parte mais gordinha da palma da mão ou o fundo de uma panelinha pesada). Cuidado: se bater forte demais a carne pode romper. Repita com o outro bife. Leve uma frigideira grande ao fogo médio. Tempere apenas um dos lados dos paillards com sal e pimenta-do-reino a gosto. Quando a frigideira estiver bem quente, regue com ½ colher (chá) de azeite e gire para cobrir todo fundo. Coloque um paillard e deixe dourar por cerca de 2 minutos. Vire com uma pinça e doure por mais 1 minuto. Transfira para um prato e repita com o outro paillard. Sirva a seguir com o espaguete de pupunha e o molho de tomate com nozes e manjericão.

POLENTA COM ESPINAFRE E COGUMELOS REFOGADOS

PARA OS COGUMELOS

INGREDIENTES

100 g de cogumelos-de-paris

100 g de cogumelos shiitake

1 dente de alho

2 colheres (sopa) de azeite

sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto

3 ramos de salsinha picada

MODO DE PREPARO

Com um pano úmido (ou papel toalha), limpe os cogumelos-de-paris e o shiitake – não lave sob água corrente, eles absorvem água e perdem o sabor. Corte os cogumelos em 3 fatias grossas. Caso estejam pequenos, corte apenas ao meio. Descasque e pique fino os dentes de alho. Lave, seque e pique a salsinha grosseiramente. Leve uma frigideira grande ao fogo médio. Quando aquecer, regue com o azeite, adicione o alho e mexa por 1 minuto para perfumar. Junte os cogumelos, tempere com sal e pimenta a gosto e refogue por cerca de 2 minutos, até ficarem macios e levemente dourados. Desligue o fogo e misture a salsinha picada. Reserve os cogumelos numa tigela enquanto prepara a polenta.

PARA A POLENTA

INGREDIENTES

½ xícara (chá) de polenta instantânea

½ xícara (chá) de folhas de espinafre lavadas

2 ½ xícaras (chá) de água

2 colheres (sopa) de manteiga

¼ de xícara (chá) de queijo parmesão ralado

2 colheres (sopa) de castanhas-de-caju torradas e picadas grosseiramente

raspas de 1 limão

sal a gosto

MODO DE PREPARO

Passe um papel toalha na frigideira utilizada para refogar os cogumelos apenas para tirar o excesso de azeite (não precisa lavar). Coloque 2 ½ xícaras (chá) de água na frigideira e volte ao fogo médio. Assim que a água começar a ferver, tempere com ½ colher (chá) de sal e acrescente a polenta aos poucos, mexendo com um batedor de arame para não empelotar. Mexa por 2 minutos até a polenta ficar cremosa. Atenção: o tempo de cozimento da polenta instantânea pode variar dependendo da marca; caso seja necessário cozinhar por mais tempo, regue com o um pouco mais de água para a polenta não grudar no fundo da frigideira. Desligue o fogo, junte a manteiga, o queijo parmesão, as folhas de espinafre e misture bem – o espinafre vai cozinhar no calor da polenta. Por último, misture as castanhas picadas e as raspas de limão. Sirva a seguir com os cogumelos refogados.

RISOTO VERDE NA PRESSÃO

INGREDIENTES

2 xícaras (chá) de arroz para risoto

1 maço de espinafre

1 abobrinha

1 cebola

1 talo de salsão (com as folhas)

1 dente de alho

½ xícara (chá) de vinho branco

1 litro de água

1 folha de louro

2 cravos-da-índia

¼ de colher (chá) de bicarbonato de sódio

3 colheres (sopa) de azeite

⅓ de xícara (chá) de queijo gorgonzola esfarelado

2 colheres (sopa) de manteiga

sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto

queijo gorgonzola a gosto para servir

endro (dill) a gosto para servir

MODO DE PREPARO

Destaque as folhas dos talos de espinafre e lave bem sob água corrente. No liquidificador, bata metade das folhas de espinafre com a água e reserve — este vai ser o líquido de cozimento do risoto. Reserve o restante das folhas no escorredor.

Descasque e corte a cebola ao meio. Numa das metades, prenda a folha de louro, espetando com os cravos, e pique fino a outra metade. Descasque e pique fino o dente de alho. Lave e seque a abobrinha e o salsão. Pique o salsão em cubinhos e reserve uma das folhas. Corte a abobrinha em cubinhos. (Para isso, corte ao meio, no sentido da largura. Corte as metades ao meio novamente, no sentido do comprimento. Fatie a parte mais fina em 3 tiras e a mais grossa em 4 tiras. E então corte as tiras em pedaços de 1 cm.)

Leve uma panela de pressão (sem a tampa) ao fogo médio. Regue com 1 colher (sopa) de azeite, adicione a abobrinha, tempere com uma pitada de sal e refogue por 2 minutos. Transfira para uma tigela e reserve.

Mantenha a panela em fogo médio, regue com 2 colheres (sopa) de azeite, acrescente a cebola, tempere com sal e refogue por 3 minutos até murchar. Junte o salsão e refogue por mais 2 minutos. Acrescente o alho e mexa por 1 minuto apenas para perfumar.

Adicione o arroz e misture bem. Regue com o vinho e mexa até secar. Junte a água batida com espinafre, a cebola cravejada, as folhas de salsão e misture. Tempere com o bicarbonato, 2 colheres (chá) de sal e pimenta a gosto. Tampe a panela e aumente o fogo para alto.

Assim que começar a sair vapor pela válvula, diminua o fogo para médio e conte 3 minutos — esse é o tempo exato para o risoto não passar do ponto. Enquanto isso, leve uma chaleira com 1 xícara (chá) de água ao fogo alto para ferver e prepare a farofinha de nozes.

Passado os 3 minutos, desligue o fogo e, com cuidado, leve a panela para esfriar sob água corrente até parar de sair vapor pela válvula. Atenção: a água não deve entrar em contato com nenhuma das válvulas, apenas com a superfície lisa da tampa.

Abra a tampa da panela e, com uma pinça, pesque e descarte a folha de salsão e a cebola cravejada. Volte a panela ao fogo baixo, junte as folhas de espinafre, a abobrinha refogada e mexa por cerca de 5 minutos, até o risoto ficar cremoso e al dente — se necessário, vá regando com a água fervente para manter o risoto bem úmido.

Desligue o fogo, acrescente a manteiga, o queijo gorgonzola e misture bem. Prove e ajuste o sal e a pimenta. Sirva a seguir com folhas de endro, queijo gorgonzola esfarelado a gosto e a farofinha de nozes.

A chef também deu 10 motivos para aderir ao PF brasileiro:

É natural

Arroz, feijão, hortaliças, frutas: a dieta brasileira tradicional é baseada em comida de verdade. Produtos ultraprocessados não têm lugar no prato. E são essas imitações de comida (carregadas de conservantes, aromatizantes e outros aditivos químicos, e mais uma quantidade excessiva de sal, açúcar e gordura) as grandes responsáveis pela epidemia mundial de obesidade e doenças relacionadas ao sobrepeso. Quem come arroz e feijão diariamente e baseia o cardápio em alimentos in natura e minimamente processados engorda menos.

É nota 10 em equilíbrio

O que deixa a dieta balanceada não é um alimento específico, mas a composição de vários deles no prato. O pê-efe combina de forma equilibrada quatro dos cinco grupos alimentares essenciais para a dieta. Estão lá os feijões (que inclui também outras leguminosas, como ervilha, lentilha e grão-de-bico); os cereais, raízes e tubérculos (arroz, trigo, mandioquinha e batata, entre outros); as hortaliças (legumes e verduras) e o grupo das carnes e ovos. Só ficam faltando as frutas, que devem entrar na sobremesa! Na hora de montar o prato, metade deve ser de hortaliças; a outra, arroz e feijão; e um pedaço de carne, para quem come.

É flexível

Você não precisa incluir todos os grupos alimentares em todas as refeições, nem seguir à risca a sugestão da divisão do prato. Mas essas informações ajudam a manter um cardápio equilibrado ao longo da semana. Se o jantar foi macarrão à bolonhesa, capriche nas hortaliças no dia seguinte. Se preparou omelete com salada numa refeição, não se esqueça do arroz com feijão na próxima. E tente incluir uma fruta em todas as refeições.

É democrática

Vegetarianos e veganos não passam aperto com o pê-efe. Há inúmeras formas de substituir a carne e os ovos na refeição. O jeito mais simples é caprichar na porção de arroz com feijão. Juntos, esses dois alimentos formam uma proteína completa, com todos os aminoácidos necessários para a nossa saúde. Não há pré-requisito para seguir a dieta brasileira. Quer dizer, tem uma habilidade que ajuda muito: saber cozinhar. É muito mais fácil manter uma alimentação saudável quando você domina as panelas.

É variada

Ao contrário dos modismos nutricionais, que têm uma lista de proibições, a dieta brasileira tradicional permite comer de tudo, desde que seja comida de verdade. E quanto mais variado o prato, melhor: cada alimento tem uma composição nutricional única, que só ele pode oferecer. Quando mais hortaliças e frutas diferentes você consumir na semana, maior o leque de nutrientes que oference ao seu corpo. Só ficam de fora os ultraprocessados. E, claro, é preciso observar o padrão alimentar tradicional. Não é porque o bolo de chocolate foi feito em casa com os melhores ingredientes que ele possa virar o almoço!

É prática

Arroz e feijão formam mesmo um par perfeito. Além de saudável, essa dupla deixa a rotina na cozinha muito prática: com arroz e feijão no jeito, metade do cardápio já está resolvida. É só agilizar a salada e os legumes, mais uma preparação com carne ou ovo, para quem quiser, e pronto. Para facilitar ainda mais, você pode cozinhar o feijão uma vez por semana e congelar porcionado.

É acessível

Nada de ficar atrás de itens exóticos ou de ter que comprar produtos caríssimos para complementar a alimentação. A dieta brasileira, como todos os padrões alimentares tradicionais, foi sendo elaborada no decorrer de centenas de anos, pela população, a partir de alimentos abundantes no país. É por isso que os hábitos variam de região para região! A nossa dieta leva em consideração os alimentos locais. Por isso, pode ser feita em qualquer lugar no Brasil, sem que você gaste mais por isso.

É econômica

O arroz e o feijão, símbolo na nossa dieta, garantem que uma alimentação baseada em alimentos in natura e minimamente processados continue sendo mais econômica do que se alimentar de ultraprocessados. (Em países como Estados Unidos e Inglaterra, acontece o oposto disso! Consumir alimentos frescos é um luxo para poucos.) Como variedade é essencial, podemos dar preferência aos alimentos da época, que são mais baratos e mais saborosos.

É da paz

Volta e meia um nutriente diferente entra na linha de tiro – ora é o glúten, ora a lactose, ora o próprio carboidrato. Com isso, alimentos milenares, como o pão, acabam virando inimigo público! A dieta brasileira é uma bandeira branca na guerra da alimentação. Ela nos lembra que comer também é prazer, não é um problema a ser resolvido. E ajuda a fazer as pazes com a comida.

É um pouquinho de Brasil, iaiá

Respeitar o nosso padrão alimentar tradicional ajuda a valorizar nossa cultura, as nossas raízes. A comida faz parte da identidade nacional e temos muito do que nos orgulhar nesse campo. Viva o pê-efe!

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