Rituais espirituais homenageiam mortos pela covid-19 no Peru

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Peruanos que perderam entes queridos para a covid-19 participam de rituais espirituais ao ar livre para homenagear seus mortos, em meio a uma segunda onda da pandemia no país

O coronavírus gerou novos rituais religiosos no Peru, um país de maioria católica, devido à impossibilidade de se reunir nos templos para se despedir de amigos ou familiares que morreram em meio à segunda onda da pandemia.

As tragédias causadas pela covid-19 levaram um curandeiro espiritual a subir ao topo do Morro Solar, em Lima, para queimar folhas de coca e homenagear as vítimas em frente ao mar.

"Esta cerimônia que realizamos é de cura, de harmonização. Esses irmãos morreram de forma muito violenta, então essas almas sofrem muito", contou à AFP a curandeira Gladys Escudero.

Conhecida popularmente pelo apelido de Kot O. Lu Illary, Escudero disse que, com a cerimônia, busca "levantar o ânimo dos amigos ou familiares" e trazer uma sensação de tranquilidade ao seu redor.

Participaram do ritual pessoas que perderam entes queridos nas últimas semanas, depois que eles tinham adoecido com a covid-19.

"Perdi dois tios da minha família com a pandemia e perdi amigos muito próximos. Participando do ritual, me conectando com os seres, me conectando com os elementos, me sinto mais em harmonia, e não sinto mais aquela dor dessa partida", relata Ruth Jackeline Sosa, de 41 anos.

"Encontro a paz necessária para me fortalecer e continuar minha vida e também para meus entes queridos que se foram", acrescentou Víctor Méndez, de 49 anos, que perdeu um parente devido à covid-19.

- Ritual Krishna -

Em frente às praias de Huaral, ao norte de Lima, o Tapasvi Maharaj ou guia espiritual da comunidade Hare Krishna, Óscar Rivas, realizou uma cerimônia de fogo usando fotografias de pessoas falecidas e oferendas como frutas e óleo de ghee.

"Este ritual é dedicado às pessoas que deixaram este mundo: é de cunho espiritual porque a vida continua e o apoio é para os que ficam", explicou Rivas, de 54 anos, que conduziu a cerimônia em frente ao templo do religioso movimento hinduísta Hare Krishna.

"Pedi aos meus parentes que encontrassem a paz. Esta cerimônia nos ajuda a ficar calmos", disse à AFP Franklin Paredes, de 54 anos, que perdeu quatro tios para o coronavírus entre outubro e dezembro.

A segunda onda da pandemia atinge várias regiões peruanas sem pausa desde o início de janeiro, após registrar um aumento notório de casos desde o feriado de Natal e o final do ano.

Lima e sete outros departamentos cumprirão um confinamento obrigatório de 1º a 14 de fevereiro para tentar deter o vírus.

O Peru registra mais de 40.000 mortes por covid-19 e 1,1 milhão de casos desde o início da pandemia em março.

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