Rivais palestinos chegam a acordo eleitoral crucial

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Forças de segurança palestinas leais ao Hamas, usando máscaras devido à pandemia do coronavírus, montam guarda no cruzamento da fronteira de Rafah com o Egito, no sul da Faixa de Gaza, em 28 de janeiro de 2021.

Os principais movimentos palestinos, Hamas e Fatah, prometeram na terça-feira (9) respeitar os resultados das próximas eleições, as primeiras em 15 anos, que buscam legitimar ainda mais sua voz perante o novo governo dos Estados Unidos.

Após inúmeros adiamentos e rumores, o presidente palestino Mahmud Abbas assinou em 15 de janeiro, dias antes da chegada de Joe Biden à Casa Branca, um decreto sobre a realização de eleições legislativas em maio e presidenciais em julho.

Após o decreto, as diferentes facções palestinas viajaram ao Cairo para conversas cruciais sobre as modalidades de realização dessas eleições, as primeiras nos Territórios Palestinos desde 2006.

De acordo com um comunicado conjunto, as facções palestinas, incluindo Hamas e Fatah, concordaram em "respeitar as datas das eleições" anunciadas por Abbas e "aceitar seus resultados".

A última presidencial remonta à vitória de Abas em 2005, seguida um ano depois das legislativas em que prevaleceu o rival Hamas.

Essas eleições precederam os confrontos sangrentos entre os dois. Desde 2007, o islâmico Hamas se fortaleceu na Faixa de Gaza, enquanto o Fatah controla a Cisjordânia, território ocupado por Israel desde 1967.

Em uma conversa por telefone na terça-feira à noite, o chefe do Hamas, Ismael Haniyeh, agradeceu a Mahmoud Abas por seu apoio às discussões no Cairo e disse que espera o "sucesso" das eleições e o "fim das divisões", segundo a agência oficial Wafa.

- "Tribunal eleitoral" -

Analistas veem a realização dessas eleições como uma forma de os palestinos ganharem legitimidade e falarem a uma só voz perante a comunidade internacional e, principalmente, os Estados Unidos de Biden.

Abas rompeu com os Estados Unidos em 2017 depois que o então presidente Donald Trump reconheceu Jerusalém como a capital de Israel e depois de anunciar um plano de paz que previa a anexação israelense de partes da Cisjordânia.

Durante sua gestão, Washington também fez manobras para que Israel normalizasse suas relações com vários países árabes, como os Emirados Árabes Unidos, iniciativa criticada tanto pelo Hamas quanto pelo Fatah.

Mas como os palestinos estão divididos em duas administrações, o Hamas no poder em Gaza e a de Abbas na Cisjordânia, ambos os campos tiveram que primeiro concordar com os mecanismos das eleições.

Um dos principais problemas era a pessoa jurídica que deveria validar os resultados em caso de litígio. As facções concordaram com o princípio de um "tribunal eleitoral" de consenso para supervisionar o processo e os resultados.

- Jerusalém? -

As facções também concordaram em realizar eleições na Cisjordânia, onde vivem 2,8 milhões de palestinos, e na Faixa de Gaza, um enclave muito pobre de dois milhões de habitantes sob bloqueio israelense, mas também em Jerusalém Oriental.

No passado, Abbas declarou que as eleições não poderiam ocorrer se os 300.000 palestinos residentes nesta seção da Cidade Santa anexada por Israel não votassem.

Os palestinos pediram, então, à União Europeia que pressionasse Israel a permitir a votação em Jerusalém Oriental.

Na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, "apenas a polícia palestina" e nenhum outro movimento armado será capaz de proteger as seções eleitorais, disse o comunicado.

A capital do Egito deve sediar novas discussões em março para definir o acordo. A Fatah já anunciou que começará a trabalhar nas listas eleitorais para as eleições.

As facções palestinas prometeram "garantir oportunidades iguais" para "todas as listas eleitorais" nas eleições que deveriam ser, se realizadas, as primeiras para centenas de milhares de jovens palestinos.

A Jihad Islâmica, um movimento islamita armado com apoio tanto em Gaza quanto na Cisjordânia, comemorou o acordo em um comunicado, mas anunciou que não participará das próximas eleições.

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