Rival de Fernando Iggnácio na contravenção, Rogério Andrade também sofreu atentados na Zona Oeste; relembre

Arthur Leal
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Foto: Gabriel de Paiva / Agência O GLOBO

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Foto: Gabriel de Paiva / Agência O GLOBO

A execução do contraventor Fernando Iggnácio, na tarde desta terça-feira, dentro de uma empresa de táxi aéreo, no Recreio dos Bandeirantes, que é investigada pela Polícia Civil, que tenta descobrir os responsáveis pelo crime, foi o ponto final de uma disputa de mais de 20 anos entre ele e o também contraventor Rogério Andrade pelo comando do império ilícito e milionário das máquinas caça-níquel na Zona Oeste, deixado por Castor de Andrade — sogro de um e tio de outro —, que morreu em 1997. Muito perto do local onde Iggnácio foi morto, na Avenida das Américas, Rogério também sofreu atentados: num deles, seu filho de 17 anos acabou morrendo após ter o carro explodido, em 2010.

Em meados de outubro de 2001, Rogério Andrade sofreu um atentado quando chegava num apart-hotel, no Recreio dos Bandeirantes, ao lado da namorada. De acordo com relato dado pelo contraventor à polícia na época, ele foi recebido a tiros por um homem, mas conseguiu escapar dos disparos, e chegou a entrar em luta corporal com o atirador, que acabou fugindo. Na ocasião, Fernando Iggnácio foi dado como suspeito pela polícia de ter dado ordem para o crime.

No mesmo bairro, na Avenida das Américas, endereço do heliporto onde Iggnácio foi executado nesta terça, Rogério Andrade também havia sofrido um duro golpe em 2010 que, desta vez, terminaria com a morte de seu filho, Diogo Andrade, de 17 anos.

Ao contrário do que foi planejado por quem plantou a bomba no carro, um Toyota Corolla, o bicheiro estava no banco do carona, e o veículo era dirigido por seu filho, Diogo. No momento da explosão, Rogério sofreu uma fratura na face, mas o adolescente morreu na hora.

O carro usado pelo contraventor possuía blindagem nível 4, capaz de conter disparos de fuzis e o bicheiro costumava circular pela Barra da Tijuca escoltado por policiais militares. No momento do atentado, cinco PMs faziam a segurança de Rogério em dois veículos Vectra que o acompanhavam lado a lado. Um deles, onde estavam três policiais, acabou atingido pelas chamas provocadas pela explosão.

Em maio de 2017, Rogério de Andrade foi mais uma vez atacado. Ele chegava em casa de carro com sua mulher, Fabíola Oliveira, no Itanhangá, também na Zona Oeste, quando o veículo foi atacado a tiros. Na ação, Fabíola acabou baleada no braço, e o contraventor teve apenas escoriações. Após ser chamado para depor, ele afirmou à polícia que acreditava ter tratado-se de uma tentativa de assalto.

Durante as investigações, a Polícia Civil ainda identificou policiais militares que chegaram junto com Rogério ao hospital e que estariam fazendo sua escolta naquele momento.

Uma investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP-RJ e da Secretaria de Operações integradas do Ministério da Justiça, publicada antecipadamente pela TV Globo em julho deste ano, mostra que Fernando Iggnácio estava na mira do maior grupo de assassinos de aluguel do Rio, que atua principalmente na Zona Oeste, e que sua morte teria sido encomendada em 2018 por Rogério Andrade. Segundo o relatório, com informações obtidas através da quebra de sigilo telemático com autorização da justiça, há dois anos, os pistoleiros planejavam comprar uma metralhadora ponto 50, capaz de perfurar carros blindados, para matar o contraventor.

O grupo, que era chefiado pelo ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega, morto em confronto com a polícia na Bahia no início do ano, teve a maior parte de suas lideranças presas durante as operações Intocáveis 1 e 2 e Tânatos, da Polícia Civil e do MP-RJ, e entrou na mira dos investigadores durante o início da apuração do caso Marielle Franco e Anderson Gomes, mas a participação deles na morte da vereadora foi descartada. Pelo menos dois integrantes da quadrilha de matadores ainda estão foragidos: João Luiz da Silva, o Gago, e o ex-policial Anderson de Souza Oliveira, o Mugão. Policiais e promotores acreditam que eles foram avisados no dia da operação. rte