RJ: A cada 45 dias, um político é assassinado na Baixada Fluminense

Dos municípios pesquisados, Duque de Caxias é o que lidera o ranking em número de casos de violência, com 10 ataques. REUTERS/Pilar Olivares
Dos municípios pesquisados, Duque de Caxias é o que lidera o ranking em número de casos de violência, com 10 ataques. REUTERS/Pilar Olivares

Um levantamento do Observatório de Favelas mostrou que, a cada 45 dias, um agente político é assassinado na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. Dos municípios pesquisados, Duque de Caxias é o que lidera o ranking em número de casos de violência, com 10 ataques.

De acordo com o estudo, dos 31 casos de violência política mapeados, 28 foram cometidos na Baixada Fluminense e 3 na região de Ilha Grande. Destas, 23 foram praticadas com o uso de armas de fogo e 12 foram execuções sumárias, todas na Baixada. As demais foram: atentados contra a vida, ameaça, invasão de espaço político, depredação de espaço político, violência política de gênero, e disparo de arma letal contra manifestação política no período.

Enquanto a frequência de assassinatos de 2015 a 2020 era de uma execução política a cada 50 dias, no período de janeiro de 2021 a junho de 2022, houve um assassinato político na Baixada Fluminense a cada 45 dias. Veja mais sobre o relatório aqui.

Considerando apenas o ano de 2021, houve uma execução política na região a cada 40 dias, a mesma frequência de 2019. O ano de 2016 segue sendo o mais violento da série, em termos de assassinatos políticos, com um caso a cada 24 dias. Considerando o total de casos de violência política nas duas regiões, tivemos um caso de violência política a cada 17 dias, entre janeiro de 2021 e junho de 2022.

A pesquisa apresentou, por fim, um conjunto de recomendações direcionadas aos Ministérios Públicos Eleitorais, ao Poder Legislativo, aos Tribunais de Contas e aos Partidos Políticos para a reversão dos processos de violência política instalados, especialmente nas regiões estudadas, Baixada e na Baía da Ilha Grande. Entre elas, destacam-se:

  • Coibir o discurso de ódio e de incentivo à violência por parte de políticos em quaisquer meios, principalmente em casos de violência de gênero e raça;

  • Estabelecer mecanismos de proteção à vida de politicas/os ameaçadas/os de morte, priorizando mulheres, pessoas negras e LGBTQIA+;

  • Organizar grupos de trabalho participativos especialmente dirigidos para a discussão e prevenção da violência política no estado do Rio de Janeiro, com foco nas regiões da Baixada Fluminense e da Baía da Ilha Grande.

  • Criar estruturas especializadas nas casas legislativas para a prevenção de violência política e proteção de parlamentares ameaçadas/os de morte;

  • Ampliar e refinar mecanismos de controle que garantam que os recursos públicos, principalmente municipais, não sejam utilizados para fins de clientelismo eleitoral;

  • Estimular a participação de pessoas negras, mulheres e LGBTQIA+ dentro dos diretórios dos partidos;

  • Reprimir práticas sexistas, misóginas, racistas e LGBTQIA+fóbicas no cotidiano das práticas partidárias.