RJ: Em entrevista, Castro se esquiva de escândalo da Ceperj e deixa Supervia 'no ar'

Cláudio Castro (PL) é candidato à reeleição no estado do Rio de Janeiro. (Foto: Philippe Lima/Governo do Estado/Divulgação)
Cláudio Castro (PL) é candidato à reeleição no estado do Rio de Janeiro. (Foto: Philippe Lima/Governo do Estado/Divulgação)
  • Castro: Candidato à reeleição respondeu perguntas sobre transporte, segurança pública e geração de empregos caso vença o pleito para 2023;

  • "Não celebro morte de ninguém", declarou o candidato, que soma 3 das 5 maiores chacinas do Rio;

  • Tarifa da Supervia pode aumentar em 2023, segundo o governo.

Em entrevista nesta quarta-feira (24) ao g1, o governador Cláudio Castro (PL), se esquivou de perguntas a respeito do escândalo da Fundação Ceperj (Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio), envolvendo falta de transparência na contratação de pessoal e saques de dinheiro em espécie na "boca do caixa". O candidato à reeleição respondeu perguntas sobre transporte, segurança pública e geração de empregos caso vença o pleito para 2023.

Questionado sobre a demora para investigar tais contratações e a falta de transparência, o ex vice de Wilson Witzel (PL) retrucou: "A população nao sabe o que é o Ceperj, só ouve hoje de uma oposição que diz que esta tudo errado. (...) A maneira do Ceperj contratar sempre foi assim, há 30 anos, não fui eu que inventei. Não recai sobre 'Cláudio Castro' contratar assim", respondeu.

O caso da Ceperj, apurado pelo UOL, mostrou que cerca de 20 mil cargos temporários foram cedidos via Fundação sem publicação em Diário Oficial ou qualquer documento público. A verba também assusta: ordens bancárias para pagamentos de pessoas contratadas que somaram R$ 69,1 milhões só em julho deste ano; o total de pagamentos em 2022 chegou a R$ 226,4 milhões. Há indícios de uso político do dinheiro, o que o governo nega.

O Ceperj, que teve projetos suspensos para investigação do caso, tinha oito projetos sociais, como esporte e atendimento a população de rua no estado. Também foi apurado que a Secretaria Estadual de Educação transferiu R$ 58 milhões de seu orçamento para a Fundação, visando um projeto da pasta. O Ceperj é investigado pelo Ministério Público do Rio, o Tribunal de Contas do Estado e a Procuradoria Eleitoral.

"Meses antes da denúncia, já estávamos tentando corrigir, vendo que não era algo correto. Não estou me escondendo dos erros", afirmou, destacando a ação de programas sociais oferecidos através da Fundação. Castro afirmou também que foram cortados núcleos dos programas, e que há investigações sobre funcionários com duplo vínculo.

"Eu não neguei em momento algum que tem problema (...) Tem problema sim e a gente tem que punir quem errou. Eu me comprometo que em 15 dias nós vamos entregar um relatório com todas essas pessoas que erraram. Eu vou mandar o PAD e enviar todas essas pessoas para o Ministério Público", prometeu o candidato.

Sobre as famosas 'rachadinhas', o jornalista Edimilson Ávila citou relatos de participantes dos saques em dinheiro. "'Eu sacava e tinha que dar parte do meu salário para o político que me indicou para a vaga'. O sr. vai investigar? Há rachadinha em seu governo?", enfatizou o entrevistador. Castro disse que "não tem como saber", mas reafirmou que há investigação e punição prevista.

A respeito da segurança pública, carro-forte de sua gestão, Castro enfatizou o programa Cidade Integrada, que foi criticado por entidades de direitos humanos a respeito das ações em áreas como o Jacarezinho, na zona norte do Rio. O entrevistador lembrou que a gestão contabiliza 69 mortes em 3 das 5 operações mais letais da história do estado.

"Não celebro morte de ninguém", declarou o candidato, que prometeu que o programa deve crescer caso seja eleito em 2023, mas não esclareceu em quais áreas as ações devem ocorrer.

Preço da Supervia vai aumentar?

Outra demanda é a agenda de transportes no estado, especialmente na Supervia, operadora de trens na Grande Rio. Segundo o acordo, os usuários dos trens vão seguir pagando a tarifa de R$ 5 até o fim do ano, e a concessionária receberá R$ 251 milhões por perdas geradas pela pandemia. O governador não ter medo de fazer reajustes nos preços das passagens, e que pode haver sim aumento no valor da passagem.

"A concessionária não está cumprindo a parte dela", esclareceu, afirmando que deverá negociar caso haja aumento. No próximo dia 30 de agosto, o governador deve se reunir para avaliar os rumos do acordo feito com a concessionária.

Formado em Direito, Cláudio Castro nasceu em Santos (SP), foi chefe de gabinete do deputado estadual Márcio Pacheco (PSC) na Alerj. Após passar pela Câmara dos Vereadores, foi eleito vice-governador em 2018 e assumiu interinamente o governo do estado em 28 de agosto de 2020, após a prisão de Wilson Witzel.