RJ: PM investiga agentes que decapitaram ursos de pelúcia

Policiais chegam ao Hospital Getúlio Vargas, após mais de 24 pessoas terem sido mortas durante operação policial contra traficantes de drogas na favela Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, Brasil 24 de maio de 2022. (Foto: REUTERS/Pilar Olivares)
Policiais chegam ao Hospital Getúlio Vargas, após mais de 24 pessoas terem sido mortas durante operação policial contra traficantes de drogas na favela Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, Brasil 24 de maio de 2022. (Foto: REUTERS/Pilar Olivares)
  • 'Urso' é um dos apelidos do traficante Edgar Alves, também conhecido como Doca;

  • A atuação dos agentes na comunidade deixou 24 mortos;

  • Agentes do Bope teriam utilizado facas para decepar as cabeças dos ursos de brinquedo.

A Polícia Militar vai investigar a atuação de policiais que decapitaram ursos de pelúcia durante a operação na Vila Cruzeiro, no dia 23 de maio. 'Urso' é um dos apelidos do traficante Edgar Alves, também conhecido como Doca. A atuação dos agentes na comunidade, feita em conjunto com as polícias federal e rodoviária federal, deixou 24 mortos.

Dois grandes ursos de pelúcia foram localizados em um local chamado de Campo da Vacaria, área que seria usada por Doca para torturar inimigos e que contaria, inclusive, com cemitério clandestino. Segundo o site O Dia, neste local, Doca teria sido executado traficantes do Morro do Castellar, em Belford Roxo, que atuaram no assassinato de três crianças, em 2021. De acordo com a polícia, as execuções ocorreram após o caso ganhar repercussão nacional.

Agentes do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) teriam utilizado facas para decepar as cabeças dos ursos de brinquedo e fincar em estacas, que estavam em uma barricada. A barreira foi colocada por traficantes de modo a impedir a locomoção da polícia pelas ruas. A ação dos agentes seria uma ameaça a Doca, gerente-geral do tráfico da Vila Cruzeiro e chefe da chamada Tropa do Urso - grupo de criminosos comandado por ele.

De acordo com informações de inteligência, Doca está foragido e teria se escondido com outros chefes na favela da Rocinha. O criminoso possui 77 passagens criminais e é um dos principais procurados do Comando Vermelho.

O coronel Ivan Blaz, porta-voz da Polícia Militar, citou o filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) para analisar a situação. "Nietzsche já falava das dificuldades de se combater monstruosidades com o grande risco de se transformar em monstros também", disse.

E completou: "Então, ao observarmos atitudes como essa, que ainda será apurada se foram realmente policiais, mas dada algumas posturas adotadas por agentes, principalmente em redes sociais, há sim uma proximidade quase que emocional desse combate, desse enfrentamento. Há um envolvimento emocional por parte de policiais, eles já viram amigos morrerem, amigos feridos por conta dessa violência promovida por essas quadrilhas, sobretudo por essa quadrilha desse marginal que atende pela alcunha de Urso. Então, é de se esperar que haja esse envolvimento. Tem que ter um acompanhamento desse policial para que ele não se envolva".

O Ministério Público do Rio e o Ministério Público Federal abriram procedimentos para apurar a excepcionalidade da operação e possíveis abusos de autoridade.

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