Roberta Kaplan, a advogada que enfrenta Trump e a extrema direita

Catherine TRIOMPHE
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Roberta Kaplan en una foto suministrada por su bufete de abogados, Kaplan Hecker & Finck, el 4 de febrero de 2021

Roberta Kaplan não gosta dos "valentões". Foi isso que a levou a se tornar uma advogada e o que a motiva hoje a levar à Justiça figuras como Donald Trump e outros da extrema direita americana, ainda que isso a torne alvo de insultos e ameaças.

Em 2013, Kaplan ganhou fama com sua vitória no caso Edie Windsor perante a Suprema Corte, que declarou inconstitucional uma lei federal que limitava o casamento a uma união entre um homem e uma mulher. A decisão abriu caminho para a legalização do casamento gay em 2015.

Fortalecida por sua notoriedade e múltiplas premiações por sua profissão, esta ex-aluna de Harvard e da Universidade de Columbia, cuja esposa é uma militante democrata, se encontra na vanguarda de várias batalhas judiciais contra Donald Trump.

Cofundadora da associação Time's Up de assistência jurídica a vítimas de agressão sexual, ela processou Trump por difamação em nome da ex-colunista de revista Elle E. Jean Carroll, que afirma que Trump a estuprou em uma grande loja de Nova York em meados dos anos 90.

Trump negou e chamou Carroll de "mentirosa". "Ela não é meu tipo", disse o ex-presidente em junho de 2019. Mas duas amigas às quais Carroll contou o que houve devem ser testemunhas no processo, e Kaplan está confiante de que isso a levará à vitória.

Especialista em litígios comerciais, a advogada também representa um grupo de pessoas que acusam Trump e seus filhos de terem chamado ilegalmente para investir na empresa ACN em seu reality show "O Aprendiz", quando a empresa o pagou por isso.

E ela também defende a sobrinha de Trump, Mary Trump, que acusa o ex-presidente de ter organizado com os irmãos e uma irmã - todos tios de Mary - de forma a privá-la de uma parte da herança da família.

Em todos os três dossiês, "Trump agiu como um terrível valentão", ressalta a advogada.

Mas para vencer será necessário "muita paciência e obstinação", já que no passado o ex-presidente "se mostrou disposto a usar todos os recursos possíveis para bloquear ou atrasar os dossiês", disse.

- Caricaturas nazistas -

Além de Trump, a advogada de 54 anos também lidera o único processo civil contra os principais líderes neonazistas e supremacistas brancos nos violentos protestos de Charlottesville, em agosto de 2017. O julgamento, marcado para a primavera, pode ser adiado para o outono por causa da pandemia.

"Acho que nunca desejei tanto na minha vida estar errada sobre algo. Eu realmente gostaria de estar errada em ver Charlottsville como eu via, como um aviso muito sinistro e ameaçador do que estava acontecendo neste país, e o que ainda estava para acontecer", ressalta.

O ataque ao Capitólio em 6 de janeiro provou que as forças em ação em Charlottsville "continuaram a crescer" e atualmente constituem "a maior ameaça à segurança de nosso país".

E também uma ameaça referente à sua segurança pessoal: uma empresa privada informa diariamente sobre as ameaças que circulam contra Kaplan nas redes sociais.

"Sou abertamente lésbica, nova-iorquina, sou responsável pela Time's Up... Há muitas coisas pelas quais as pessoas poderiam me criticar. Mas o que me surpreende é que a essência do que falam diz respeito ao fato de eu ser judia. Postam na internet caricaturas minhas que se parecem exatamente com os desenhos nazistas dos anos 1930", acrescentou.

Kaplan, que por um tempo defendeu Amber Heard, ex-mulher de Johnny Depp, também se tornou um dos alvos favoritos dos fãs do ator de "Piratas do Caribe".

A ascensão de Joe Biden ao poder, entretanto, a deixa otimista.

Os novos funcionários federais estão "cientes do perigo" e "farão o que for necessário para reduzir a ameaça", explicou.

"Eles conseguiram se infiltrar em grupos extremistas depois do 11 de setembro. Francamente, deveria ser mais fácil se infiltrar em grupos domésticos de terroristas americanos".

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