Roberto Dias diz que tomava chopp quando recebeu proposta e chama Dominguetti de "picareta"

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  • Roberto Dias, ex-servidor do Ministério da Saúde, afirmou que tomava um chopp com um amigo quando foi apresentado a Luiz Paulo Dominguetti

  • Dias fez duras críticas a Dominguetti, quem chamou de "picareta"

  • Responsável pelo setor de Logística, Dias foi demitido após denúncia do caso Covaxin

O ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, negou que tenha ido jantar com Luiz Paulo Dominguetti e relatou que estava com um amigo quando encontrou o cabo da PM. Ele teria se apresentado como vendedor de vacinas quando Dias tomava um chopp com um amigo, em 25 de fevereiro. 

"Acerca do jantar, no dia 25 de fevereiro, fui tomar um chopp com um amigo no restaurante Vasto. Em dado momento, se dirigiu à mesa o Coronel Blanco, acompanhando de uma pessoa que se apresentou como Dominguetti. Feitas as apresentações, o senhor Dominguetti disse representar uma empresa que tinha 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca. Neste momento, eu disse que isso já havia sido apresentado no ministério, mas nunca havia sido apresentada a documentação necessária e citei o nome do senhor Cristiano. O mesmo disse que era parceiro comercial do senhor Cristiano e que sua empresa teria tais documentos", disse Roberto Dias à CPI da Covid nesta quarta-feira (7). 

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Segundo o ex-servidor, ele teria pedido que Dominguetti encaminhasse um pedido oficial de agenda ao Ministério da Saúde. Caso a documentação fosse consistente o suficiente, a proposta seria encaminhada para a secretaria-executiva, comandada por Élcio Franco, responsável pela compra de vacinas contra a covid-19. 

Former Logistics Director of the Ministry of Health, Roberto Ferreira Dias, walks before a meeting of the Parliamentary Inquiry Committee (CPI) to investigate government actions and management during the coronavirus disease (COVID-19) pandemic, at the Federal Senate in Brasilia, Brazil July 7, 2021. REUTERS/Adriano Machado
Ex-servidor do Ministério da Saúde, Roberto Dias foi exonerado após denúncias do caso Covaxin (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

"Chegando ao ministério, o senhor Dominguetti foi atendido por mim, na presença de outra servidora. Os documentos se mostraram mais do mesmo, não havia carta de representação do fabricante. Entretanto, o mesmo alegou que a receberia em instantes. Disse, então, que possuía outra agenda, mas, se ele quisesse aguardar, ficasse a vontade na sala ao lado. Tempos depois, o mesmo se despediu, disse que teria que ir embora e nunca mais tive notícias, como diversos ofertantes de vacina", descreveu. 

Em seguida, Roberto Dias negou o pedido de propina, denunciado por Dominguetti, e fez duras críticas ao suposto representante da Davati. "Acerca da alegação do senhor Dominguetti, nunca houve nenhum pedido meu a este senhor. O mesmo já reconheceu à CPI que nunca antes daquela data havia estado comigo. Estou sendo acusado por dois cidadãos: o senhor Dominguetti, que aqui nesta CPI foi constatado ser um picareta que tentava aplicar golpes em prefeituras e no Ministério da Saúde, e durante sua audiência deu mais uma prova de sua desonestidade, mostrando não ser merecedor de nenhuma credibilidade." 

A outra pessoa que estaria acusando o ex-servidor, também criticado por ele, é o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF). "O nobre deputado Luis Miranda, conforme notícias relatam, possui um currículo controverso que me abstenho de comentar e é de domínio público. Causa estranheza que nenhum dos eventos, que não tinham nenhuma relação, começam a se interligar conforme os fatos que seguem." 

Dias negou ainda que tenha feito qualquer pressão sobre Luis Ricardo Miranda, funcionário de carreira do Ministério da Saúde que teria barrado a importação da Covaxin. 

Após a denúncia do caso Covaxin pelos irmãos Miranda, Roberto Dias foi exonerado do cargo. 

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