Roberto Dinamite enfrentou perda trágica da primeira mulher e empresária nos anos 1980

Entre 1973 a 1984, Roberto Dinamite viveu o seu primeiro grande amor — sem contar com o futebol, é claro. Aos 18 anos, a jovem promessa do Vasco começou um namoro com Jurema Crispim, seis anos mais velha, mãe do pequeno Alexandre e viúva. O relacionamento que começou com críticas da família e dos torcedores terminou com a comoção, com direito a letreiro no Maracanã, depois da morte precoce e trágica de Jurema.

O casal se conheceu pela primeira vez em um trajeto de ônibus da linha Caxias-Praça Mauá em 1972, mas só foram iniciar o relacionamento um ano depois, em um baile de carnaval. Na época, Dinamite já começava a fazer sucesso no Vasco e chamar a atenção na noite carioca, com a maioridade recém-completa. O início foi conturbado, e Dinamite e Jurema enfrentaram a resistência das duas famílias, além da implicância da própria torcida do Vasco.

O ex-jogador relatou, ainda na década de 1970, que quando jogava em estádios menores, ouvia de dentro do campo ofensas contra a namorada. "Às vezes, jogando naqueles campos da Zona Norte, onde você escuta até passarinho, eu ouvia uma voz griar na multidão: 'Roberto, vê se larga essa mulher'. Aquilo doía", contou o craque.

Com o passar do tempo, a torcida percebeu que Jurema tinha os interesses de Dinamite como a prioridade do casal, e foi ganhando popularidade com os fãs do jogador. Ela passou a atuar nas negociações de contratos do craque, tanto na renovação com o Vasco, quanto na saída para o Barcelona e, depois, no retorno ao cruz-maltino.

Em 1984, Jurema aguardava na fila por um transplante de rim, enquanto realizava sessões de hemodiálise no Rio de Janeiro. Ela passava pelo tratamento há um ano e meio, desde que os órgãos pararam de funcionar em decorrência de uma doença inflamatória. Ela morreu durante uma pequena cirurgia para introdução de um cateter, o que facilitaria o tratamento.

Na época, mais de 100 vascaínos já haviam se oferecido para doar um rim para Jurema, e mais de 5 mil torcedores foram ao enterro, em Duque de Caxias. Ela recebeu uma homenagem no Maracanã no duelo do Vasco que sucedeu a sua morte, com a frase "Jurema, um símbolo, um exemplo" projetada no placar eletrônico do estádio.

Torcedores e familiares de Dinamite pensaram que a morte trágica da mulher, com quem teve duas filhas, Thalita e Luciana, poderia significar o fim da carreira do jogador. Mas ele resolveu honrar a memória de Jurema e não deixou os gramados. "Vou continuar jogando. Jurema nunca aceitaria o contrário", declarou.