Roberto Soli, coreógrafo que viralizou dançando funk 'Árvore seca', comemora sucesso e ensina o passinho

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Não dá para parar de assistir. O vídeo de um casal dançando em um beco colorido no Morro da Conceição, na Zona Portuária do Rio, ao som do funk "Árvore seca, é nós (Tipo Colômbia)", dos MCs Tam e Cula, fez a internet parar na semana passada. Foram milhões de visualizações entre Instagram e Twitter, que tornaram conhecidos os rostos do coreógrafo Roberto Soli e da professora de dança Aline Maia.

— Esse vídeo é um fragmento de Rio de Janeiro. É sobre a energia, o ‘feeling’ do funk carioca, que não é só uma dança, mas uma cultura — destaca Soli, que também dança no vídeo — E a música, escolhida pela Aline, é uma relíquia que a galera curtiu muito nos bailes, traz uma nostalgia. Tem ainda a estética da favela, o varal com roupa no fundo, o beco, o chinelo, a camisa do Flamengo. Eu não imaginava esse sucesso todo.

Mas o sucesso veio, e atendendo a pedidos Soli preparou até um tutorial (disponível por "um precinho de cria, no amor") ensinando os passinhos contagiantes em detalhes. É só procurá-lo pelo direct do Instagram.

— Acredito muito no que eu faço, e ter pessoas vendo meu trabalho e me enxergando como artista é muito gratificante. Estou em êxtase com isso tudo.

Copa de 2014 e Baile do Renan da Penha

Aos 27 anos, o morador de Brás de Pina leva no currículo participações como dançarino em videoclipes de DJ Renan da Penha ("Namorar não pode", com MC Max), Kevin O Chris ("Baila pra mim"), Nego do Borel ("Me solta"), Os Hawaianos ("Encosta"), Luan Otten e Gaab (“TZÃO”) e MC Dudu ("Juras de amor"). O rapaz já dançou também na Copa do Mundo de 2014, nos Jogos Olímpicos de 2016, na comissão de frente do Império da Tijuca, no Prêmio Multishow de 2019, ao lado de Ludmilla, e se orgulha de ter participado do Baile do Renan da Penha, seu ídolo. Além do DJ carioca, Soli revela se inspirar na trajetória de Anitta e ser fã de Michael Jackson, Chris Brown, Justin Timberlake, Usher e Beyoncé.

O amor pela dança vem desde pequeno, quando mandava passinhos descalço na laje com os primos ouvindo Furacão 2000 e Os Hawaianos. O primeiro passo para transformar a brincadeira em um caminho de vida foi dado em 2012, quando começou a fazer aulas de dança urbana, com ritmos como hip hop, locking e house, e, mais tarde, jazz. Dois anos depois, o aluno virou professor para ajudar a pagar as contas da casa.

— Percebi que precisava estudar muito e continuar caminhando para chegar a algum lugar— afirma Roberto, que deu aulas em estúdios particulares e no projeto Comunidança, que oferece aulas gratuitas, quando cursava Educação Física na UFRJ.

O coreógrafo conta que o funk entrou em sua carreira como um bote salva-vidas e o ajudou a enfrentar uma depressão no fim de 2017.

— A dança já não me fazia feliz, era quase como algo burocrático. Me peguei nas minhas memórias de garoto, quando dançava pela paixão, sem técnicas e regras. O funk me trouxe novamente esse prazer que eu tinha perdido — lembra o carioca.

Ele resolveu, então, abrir novas turmas para ensinar o ritmo e criou ainda o evento “Turnê da Sarradinha”, com o qual viajou pelo Brasil mostrando que dançar funk é mais do que uma rebolada e um passinho.

Em 2019, depois de meses contando o dinheiro que ganhava como dançarino e professor, Roberto conseguiu juntar o suficiente para viajar pela Europa, estudando e dando workshops em países como Rússia, Suíça, Polônia e Dinamarca.

— Por onde passava, era um frenesi. As pessoas de fora valorizam muito a nossa cultura. Temos mania de achar que não somos bons, mas somos tão ricos de cultura que poderíamos dominar o mercado se entendêssemos nossa potência e tivéssemos investimentos. — aponta — Quando voltei, não parava de dançar, de tanta inspiração que eu tinha pra botar pra fora.

De lá pra cá, o artista não parou. Diante da pandemia, lives e aulas on-line para brasileiros e gringos tomaram conta de sua agenda, que teve que se adaptar. Roberto afirma ainda que o boom das dancinhas na Internet levaram a um aumento na procura pelas aulas, mas faz uma ponderação.

— O Tik Tok ajudou muita gente dar o pontapé incial, mas acho que as pessoas estão um pouco saturadas desses passos simples e repetitivos. E essa é uma das razões para a coreografia desse vídeo ter feito tanto sucesso. As pessoas viram a verdade no que estamos fazendo— diz o dançarino.

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