Robôs ocuparão tantas vagas de emprego que precisaremos de uma “cota para humanos”, estudo sugere

Malditos robôs, roubando nossos empregos… [James Gourley/REX/Shutterstock]

Um corpo jurídico internacional alertou que os governos precisarão criar “cotas para humanos em vagas de trabalho”, graças à ascensão da robótica.

Um relatório da International Bar Association diz que as leis trabalhistas estão se tornando rapidamente ultrapassadas pelo mundo da tecnologia, num período que está sendo chamado de Revolução Industrial 4.0.

O estudo diz que os efeitos de se utilizar máquinas para fazer a maioria das tarefas será extenso, sugerindo que cerca de um terço dos trabalhos feitos por pessoas com formação acadêmica no mundo poderia ficar a cargo de máquinas e softwares, num futuro próximo.

Ele também adverte que as economias emergentes, que hoje são sustentadas pela mão de obra barata, irão sofrer com a mudança. É mais barato empregar um robô do que um ser humano, já que o primeiro não tira férias, não se cansa e nem fica doente.

A Revolução Industrial 4.0 refere-se a um período no qual as indústrias de produção e prestação de serviços (Amazon, Uber, Facebook) usam softwares, tecnologias físicas e impressões em 3D para substituir a mão de obra humana, afirma o relatório.

As três revoluções anteriores seriam a industrialização, eletrificação e digitalização.

O autor do relatório, Gerlind Wisskirchen, explica: “A novidade da revolução atual é o entusiasmo com o qual a mudança está ocorrendo e a amplitude do impacto que será causado pela robótica e inteligência artificial”.

“Trabalhos de todas as camadas da sociedade, atualmente realizados por humanos, correm o risco de serem transferidos para robôs ou inteligências artificiais. A legislação trabalhista, feita para proteger os direitos dos trabalhadores humanos, pode não estar atualizada o suficiente para lidar com isso, em alguns casos”.

“Uma nova legislação de trabalho se faz urgentemente necessária para controlarmos o ritmo da crescente automação”.

O relatório sugere que os governos “introduzam algum tipo de ‘cota para humanos’ em todos os setores”, com a possibilidade da criação de postos de trabalho ‘somente para humanos’ ou uma taxa extra sobre o uso de máquinas”.

Também deverá haver critérios sobre que tipos de serviços deveriam ser realizados apenas por humanos (o de babá, por exemplo), e que tipos deveriam ser delegados a máquinas autônomas.

Houve 33 mortes de empregados humanos causadas por robôs nos Estados Unidos no ano passado. O relatório salienta que as leis de responsabilidade estão desatualizadas. De quem é a culpa quando um carro autônomo bate, por exemplo?

A ideia é que se atribua um modelo militar – drones autônomos devem ter pelo menos um humano para fiscalizar suas ações, evitando que eles saiam de controle e comecem guerras por conta própria.

Mas as profissões que supostamente seriam dizimadas pela robótica e a inteligência artificial não são tão emocionantes: contadores, assistentes de tribunal e secretários de autoridades fiscais estão entre os profissionais que, teoricamente, mais sofreriam, bem como alguns tipos de advogados.

Kate Solomon
Yahoo News UK