'Robótica na medicina é um caminho sem volta', diz CEO da Zentys

O mercado de cirurgia robótica deve movimentar US$ 14 bilhões no mundo até 2027. Os dados da Research and Markets são promissores para o Brasil, que ocupa a nona posição em relação ao número de robôs e equipamentos em funcionamento no país. Para Soraya Capelli, CEO da Zentys, a utilização da tecnologia é um caminho sem volta. “Apesar de não se pagar, apesar do convênio não cobrir esse tipo de custo, cada vez mais os hospitais vão encontrar formas dos pacientes que têm condições buscar por essa ferramenta”, explica.

A Zentys, fornecedora de equipamentos, insumos e serviços para soluções cirúrgicas, representa a STERIS no Brasil e é a líder do segmento no interior de São Paulo. Entre as soluções oferecidas pela empresa, estão tecnologias de desinfecção e esterilização para equipamentos utilizados nas operações de robótica. Em 2021, foram realizadas cerca de 24 mil cirurgias robóticas no país e, atualmente, aproximadamente 100 robôs operam em território nacional.

Não é difícil explicar o sucesso da cirurgia robótica. O procedimento é minimamente invasivo, alcança áreas normalmente de difícil acesso e a recuperação do paciente é muito mais rápida do que quando a cirurgia é realizada da maneira tradicional. “100% dos pacientes que são submetidos a uma cirurgia de robótica tem um pós-cirúrgico suave comparado a um paciente que fez por videolaparoscopia, por exemplo, que também é uma cirurgia considerada minimamente invasiva”, afirma a CEO da Zentys.

De acordo com Soraya Capelli, mesmo o investimento nesse tipo de tecnologia sendo alto e ainda não se pagando, os hospitais têm procurado pela solução com foco na melhor experiência do paciente. “Hoje, existe Valor Baseado em Saúde. Quer dizer que cada vez mais se busca a experiência do paciente colocando saúde baseada em valor. Ou seja, eu preciso prover para o paciente o melhor que ele tem de tratamento e tecnologia, com o menor custo possível”, afirma.

CEO da Zentys diz que o investimento nesse setor ainda não está se pagando
CEO da Zentys diz que o investimento nesse setor ainda não está se pagando

Dados do Digital Commerce 360 ​​Statistics apontam que 81% dos executivos de sistemas de saúde afirmam que melhorar a experiência do paciente é uma alta prioridade. Já para 42% dos pacientes, uma melhor experiência é fator determinante na hora de escolher o hospital para realizar uma cirurgia ou tratamento. É o que mostra um estudo realizado pelo Beryl Institute.

Porém, como destacado pela executiva, os procedimentos realizados por robótica não têm cobertura dos planos de saúde e, até o momento, está mesmo restrito a quem pode pagar por eles. “Existe um impasse com relação a esse cenário. Muitas vezes, o melhor desfecho, o melhor tratamento para o paciente, o melhor resultado que esse paciente vai ter está destinado somente a um grupo mínimo de pessoas”.

A CEO da Zentys acredita que a demanda pelas soluções de robótica e outras tecnologias inovadoras vão continuar aumentando e os hospitais irão procurar formas de oferecer o serviço para cada vez mais pessoas. “A gente vê para o próximo ano os clientes buscando cada vez mais investimentos que tragam para eles resultados efetivos de experiência do paciente. Resultados, produtos, tecnologias e serviços que tragam uma melhor manutenção da sua própria mão de obra qualificada dentro do hospital”, completa a executiva.