Robson Conceição sobe ao ringue em busca do cinturão

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Há pouco mais de cinco anos, Robson Conceição subia no pódio no Rio de Janeiro para se tornar o primeiro boxeador brasileiro a conquistar um ouro olímpico. No início da madrugada de amanhã, ele pode se juntar a um outro seleto grupo de pugilistas do país, desta vez, no boxe profissional: os que carregam um cinturão.

O baiano, de 32 anos, vai em busca do título do Conselho Mundial de Boxe (WBC), enfrentando o mexicano Óscar Valdez pela categoria superpena, no Casino Del Sol, em Tucson, nos Estados Unidos. Se vencer, Robson vai colocar seu nome ao lado de Éder Jofre, Miguel de Oliveira, Acelino Popó Freitas, Valdemir dos Santos Pereira, o Sertão, e Patrick Teixeira, brasileiros que já foram campeões mundiais de boxe.

Os holofotes na luta foram aumentados devido à polêmica que ocorre com o rival, que foi pego em um exame antidoping recente, mas conseguiu manter a luta.

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— Valdez é um cavalo. E o favorito é sempre o campeão. Como brasileiro, estou na torcida pelo Robson, mas gosto do boxe do Valdez. O cara estava fazendo “sparring” (treino de simulação de luta) com o Canelo (Saúl Álvarez, mexicano campeão mundial no meiopesado). O Robson tem as qualidades dele, mas o Valdez realmente está impressionando muito com a qualidade da luta — avalia Popó.

O ex-pugilista baiano, dono de quatro títulos mundiais, aponta que a força nos golpes é um dos grandes trunfos do rival de Robson:

— Acho que o mexicano tem 70% e Robson, 30% de chances. Se o Robson tivesse uma pegada, eu podia acreditar que em quem tocasse, iria cair. Mas o Robson não é o melhor pegador, porém, ele tem uma qualidade excelente que é muita sequência de boxe, muita variação. E tem gás para isso. Mas o que falta nele, tem de sobra em Valdez, que é pegada.

O mexicano carregou o título mundial no peso-pena de 2016 a 2019 e atualmente é dono do superpena. No histórico profissional, tem 29 vitórias em 29 lutas, sendo 23 por nocaute. Robson também está invicto, com 16 triunfos — oito por nocaute.

Não será o primeiro encontro entre os dois, que já lutaram no Pan-Americano de 2011, ainda amadores à época. No evento, sediado na casa do rival, em Guadalajara, no México, o baiano levou a melhor, conquistando o ouro.

— Isso não importa — destaca Popó — Boxe Profissional é bem diferente do Olímpico. O profissional é com mais colocação, os rounds são maiores. O olímpico são três rounds de três minutos. No profissional, são dez, o que pede menos exposição.

Doping

Conhecido pela postura extremamente agressiva, Valdez foi flagrado em um exame antidoping realizado em 13 de agosto pelo uso de fentermina, substância majoritariamente utilizada em medicamentos que cessam o apetite e, consequentemente, atuam de forma eficaz na perda de peso. A contraprova, realizada no último dia 2, também deu positivo.

O pugilista conseguiu manter a luta por uma brecha de normas entre instituições. A substância foi detectada nos exames recolhidos pela VADA (Associação Voluntária Antidopagem), entidade privada referência no conceito de “boxe limpo”, utilizada pela WBC. Porém, de acordo com a WADA (Agência Mundial Antidoping), o uso de fentermina só é proibido no período de 24 horas antes da competição.

Com base no código da segunda instituição, o comitê da WBC decidiu não punir o mexicano que, por sua vez, negou ter usado algum comprimido e alegou que a substância estava em um chá de ervas que lhe fora oferecido. Valdez disse que nunca tinha ingerido tal medicamento e tampouco tinha prescrição.

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