Após derrota injusta por cinturão, Robson Conceição diz que terá outras chances e critica rival: “Eu até o admirava antes do doping”

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TULSA, OKLAHOMA - APRIL 10: Robson Conceicao is victorious as he defeats Jesus Antonio Ahumada at the Osage Casino on April 10, 2021 in Tulsa, Oklahoma. (Photo by Mikey Williams/Top Rank Inc via Getty Images)
Robson Conceição depois da vitória contra Jesus Antonio Ahumada em 10 de abril de 2021 (Foto: Mikey Williams/Top Rank Inc via Getty Images)

Robson Conceição, 32, é um dos protagonistas do boxe brasileiro no cenário mundial, e, infelizmente se viu vítima de uma trama na qual o cinturão mundial lhe foi usurpado por jurados que decidiram favorecer o campeão do Conselho Mundial de Boxe (CMB) Óscar Valdez, 30, do México, antes pego no exame antidoping, em combate realizado no dia 10 de setembro, no Casino del Sol, em Tucson, Arizona, nos EUA.

Naquela noite, Conceição também teve sua invencibilidade roubada, e agora conta com 16 vitórias, sendo oito por nocaute, e uma derrota. Antes de sua realização, o duelo era apontando como uma das noites mais importantes para o boxe brasileiro nos últimos anos e só teve os direitos de transmissão garantidos para as TV brasileiras duas noites antes do embate pela Band.

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O super pena (até 57kg) baiano, campeão olímpico peso leve (até 60 kg) nos Jogos do Rio 2016, após a histórica medalha migrou para o profissionalismo e assinou contrato com a promotora americana Top Rank, nome respeitado no meio.

O desfecho do combate com Valdez foi criticado por considerável parte da crítica especializada internacional e brasileira, porém o resultado não foi revertido e Conceição se encontra como quarto no ranking mundial. Entretanto, o pupilo do treinador Luiz Dórea não desanima e conta ao Yahoo Brasil como mantém a cabeça erguida em momentos de dificuldades.

Yahoo: Em sua última atuação, muitos críticos de boxe do exterior e do Brasil consideram que você foi prejudicado diante de Óscar Valdez. Como você avalia o resultado?

Robson Conceição: Um resultado muito injusto, me dediquei muito para esta luta e este resultado foi muito infeliz e injusto.

O CMB manteve a vitória de Valdez. Acredita que há possibilidade de revanche e um novo desafio pelo cinturão?

Sim, tenho certeza que terei muitas outras oportunidades seja contra quem for estarei sempre preparado.

Óscar Valdez teve problemas com doping antes do combate contigo. Quais são suas opiniões sobre isto?

Eu até o admirava antes do doping, depois perdi a admiração. Em 20 anos de carreira eu sempre prezei por jogar com transparência, com muita garra e determinação com meus treinos alimentação e suplementação sempre fiz tudo de forma limada.

O grupo Bandeirantes praticamente comprou no último instante a transmissão da sua luta. Como foi observar o desenrolar desta situação considerando que se trata de uma das poucas oportunidades de boxeadores brasileiros disputarem a coroa mundial?

Infelizmente nosso esporte o boxe não tem o apoio da mídia. É muito triste, temos vários outros atletas a nível mundial, esse apoio nos dá uma força a mais para lutar por um cinturão mundial. Como podemos observar, compraram minha luta de última hora, sem divulgação alguma, e ainda conseguiram ficar em 2º lugar em audiência, mesmo sem a divulgação que se precisava para um cinturão mundial.

Questões de bastidores acabam influenciando de alguma maneira o desempenho do boxeador?

Se o atleta não tiver uma mente boa e forte assim como eu tenho, isso pode prejudicar e muito.

Um tema muito debatido no momento é a questão da saúde mental dos atletas. Quais são suas opiniões sobre o assunto? Faz algo pela sua saúde mental?

Todos os atletas precisam estar em dia com exames médicos. Eu tenho o acompanhamento do Dr. Fabio Costa aqui em Salvador e a cada seis meses preciso fazer alguns exames para estar apto para uma luta; boxe é um esporte de contato e requer todo cuidado com a saúde.

Como é trabalhar com o treinador Luiz Dórea e o manager Sergio Batarelli?

Trabalho com Dórea desde criança e nossa relação é familiar, procuramos sempre evoluir com os treinos e sempre buscamos a evolução. Já com Batarelli nos conhecemos há cinco anos e nosso contato se dá somente quando luto.

O que mudou em sua vida após a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos Rio 2016?

O reconhecimento do público mudou bastante, mas o que pensava que mudaria em questão de apoio e patrocínio não mudou nada, continuou tudo na mesma. Porém graças a Deus e aos meus esforços pude ser visto pela Top Rank e hoje sou um atleta reconhecido mundialmente.

A Bahia é um reduto de pugilistas. O que explica tal condição?

Nossa vontade de vencer na vida mesmo sem apoio ou incentivo, assim o boxe nos dá uma esperança de vencer na vida.

Qual é a memória mais doce que o boxe lhe rendeu?

O carinho e apoio do público e de admiradores do boxe comigo e, principalmente, o carinho e a admiração das crianças.

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