Rocinha tem risco de contágio moderado para Covid-19 em plena Zona Sul, tida como área de alto perigo para a doença

Felipe Grinberg
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RIO — Alvo de grande preocupação dos especialistas por conta do baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e da falta de saneamento, as favelas não registraram nos dados oficiais o cenário mais pessimista durante a pandemia. A Rocinha, por exemplo, onde foram registradas 64 mortes desde março, bem abaixo do esperado para uma das maiores comunidades do Rio, é classificada como área amarela, de risco moderado de contágio.

Levantamento do portal Voz das Comunidades sobre a incidência de Covid-19 em 25 áreas carentes da cidade mostra que elas chegaram a dez mil casos confirmados da doença e tiveram 964 mortes.

A prefeitura só divulga os números da Covid-19, em separado, das favelas que são consideradas bairros: Maré, Alemão, Jacarezinho, Rocinha e Cidade de Deus. Os casos ocorridos nas outras comunidades são incluídos nas estatísticas dos bairros onde elas estão localizadas.

O mapa divulgado ontem pelo município deixa em destaque, no entanto, a situação dessas cinco comunidades. Enquanto toda a Zona Sul aparece com o risco alto de contágio pelo novo coronavírus, a Rocinha, que tem população estimada em quase 80 mil pessoas, ficou de fora. O quadro na favela é melhor do que no Leblon e na Gávea. O mesmo acontece com Alemão, Maré, Jacarezinho e Cidade de Deus, todas com risco moderado.

Subnotificação

Para o epidemiologista Guilherme Werneck, professor da Uerj e vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), ainda é preciso esperar dados mais concretos para entender se há um comportamento diferente da doença nas favelas ou uma grande subnotificação por conta da falta de assistência médica nessas regiões:

— Tivemos um momento em que situação se deteriorou rapidamente e houve uma pressão grande no sistema de saúde, mas ainda bem que não vivemos o pior cenário. Pode ser que a população esteja com um grau individual de cuidado maior, como o uso de máscaras e distanciamento, evitando a pior situação. São coisas que vamos precisar entender melhor no futuro. Temos sempre que pensar na dinâmica da transmissão, que não é igual em todos os lugares. Você pode estar tendo um efeito primeiro nos bairros vizinhos — analisa.

Os números da doenças em áreas carente

A prefeitura e o painel Voz das Comunidades fazem levantamentos

10.068 9641428.125 6436