Rodobens nega elo com atos antidemocráticos e se diz surpreso com decisão de Moraes

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Banco Rodobens afirma que não participou dos atos com pedidos de golpe promovidos após a derrota de Jair Bolsonaro (PL) e que foi surpreendido com a decisão de ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que mandou bloquear contas bancárias ligadas a pessoas e empresas suspeitas de envolvimento com as manifestações antidemocráticas.

"A Rodobens afirma que não teve qualquer participação nos atos relacionados na referida decisão noticiada, nem autorizou qualquer pessoa ou instituição a fazê-lo em seu nome e está atuando para que esse equívoco seja corrigido", em nota desta quinta-feira (18).

De acordo com o comunicado, o Banco Rodobens consta como proprietário de caminhões identificados pela polícia nos protestos por se tratar de veículos financiados na modalidade de leasing operacional, "quando o cliente arrendatário tem a posse direta do caminhão e pode optar, ao final do contrato, pela aquisição".

"Não são bens de uso do Banco Rodobens", afirmou a instituição.

Procurado pela Folha de S.paulo, por meio da assessoria de imprensa do Supremo, o ministro ainda não se pronunciou.

Assinada no sábado (12), a decisão de Moraes está sob sigilo. A Polícia Federal terá dez dias para tomar o depoimento dos suspeitos alvos e indicar as diligências que entender necessárias.

Em diferentes pontos do país, apoiadores do presidente questionam o resultado das urnas e cobram as Forças Armadas para promoverem um golpe que impeça a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Um dos documentos considerados por Moraes para a decisão foi produzido pela Polícia Militar do Distrito Federal a partir de levantamento feito nas proximidades do QG do Exército em Brasília, onde bolsonaristas se concentram há mais de duas semanas.

O relatório da PMDF incluiu cinco caminhões, todos com placas do Mato Grosso, em que o nome do Banco Rodobens foi incluído no campo "proprietário".

A corporação informou a Moraes que os caminhões que se dirigiram ao DF "encontram-se estacionados em local previamente indicado pelo Comando Militar do Planalto (CMP) do Exército, sem a identificação de eventuais lideranças até o momento".

Disse ainda que houve autuações de trânsito por estacionamento irregular nos locais próximos onde ocorrem as manifestações.

Moraes afirmou na decisão que "não há dúvidas de que os movimentos reivindicatórios de empregadores e trabalhadores, seja por meio de greves, reuniões e passeatas, não podem obstar o exercício, por parte do restante da sociedade, dos demais direitos fundamentais".

Acrescentou ser "claramente abusivo" o exercício desses direitos que impeçam o livre acesso das demais pessoas a aeroportos, rodovias e hospitais, por exemplo, "em flagrante desrespeito à liberdade constitucional de locomoção (ir e vir), colocando em risco a harmonia, a segurança e a saúde pública".