Rodrigo Chaves assume presidência da Costa Rica com promessa de 'reconstruir a economia'

O economista Rodrigo Chaves tomou posse neste domingo como 49º presidente da Costa Rica (AFP/Ezequiel BECERRA) (Ezequiel BECERRA)

O economista Rodrigo Chaves tomou posse neste domingo como 49º presidente da Costa Rica para o período 2022-2026, com o compromisso de "reconstruir a economia e deter" o assédio às mulheres em seu país.

"Enfrentamos com valentia a obrigação iminente de reparar o país. Não iremos apenas arrumar a casa, iremos reconstruí-la!", disse Chaves, que recebeu uma sanção por assédio sexual, em seu primeiro discurso após ser empossado no Congresso, em San José, perante 97 delegações internacionais.

Enquanto Chaves discursava na Assembleia Legislativa, organizações feministas faziam uma manifestação perto do local da cerimônia, em San José.

Economista, Chaves trabalhou por três décadas no Banco Mundial, que o sancionou por assédio sexual devido a condutas impróprias entre 2008 e 2013 envolvendo duas jovens subordinadas. Embora inicialmente tenha minimizado esses fatos, Chaves pediu desculpas às vítimas pouco antes de assumir a presidência.

A taxa de feminicídios em 2020 na Costa Rica foi de 0,8 a cada 100.000 mulheres, baixa em comparação com os países vizinhos, e registrou um leve aumento em relação a 2019, segundo a Cepal. O aborto é permitido apenas se a vida da mãe estiver em risco.

- Crise econômica -

O direitista Chaves, 60, chega ao poder para tentar resolver a crise econômica do país, que tem 23% de sua população vivendo na pobreza (6,30% em extrema pobreza) e 13, 6% de desemprego, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Inec).

Com uma economia impulsionada principalmente pelo turismo, a Costa Rica foi duramente atingida pela pandemia. A dívida pública equivale a 70% do PIB.

Logo após seu discurso, Chaves assinou seus três primeiros decretos: eliminar o uso da máscara, exceto para agentes de saúde na linha de frente, erradicar a vacinação obrigatória contra a Covid no setor público e uma declaração de emergência nacional devido a ataques cibernéticos contra organizações do Estado.

Semanas antes de tomar posse, Chaves disse que espera "melhorar as condições" de um empréstimo de 1,7 bilhão de dólares com o Fundo Monetário Internacional (FMI), vital, segundo o governo em fim de mandato de Carlos Alvarado, para manter as finanças do país à tona.

"Esta, ao que parece, será uma gestão voltada para a parte econômica, o ponto forte do novo presidente. Também é uma preocupação em nível nacional em todos os setores. Parece que vamos ver uma proposta para o reestruturação e reorganização das finanças públicas", disse a analista política Gina Sibaja.

- Compromisso com as mulheres -

Segundo especialistas, a população privilegiou a experiência de Chaves na economia, apesar da sanção por assédio sexual. Em seu discurso, ele afirmou que não irá tolerar "atos de assédio como os que as mulheres sofrem diariamente em todos os espaços. Não é possível que nossas mulheres tenham medo de andar sozinhas na rua, que sintam medo em seu próprio lar, em seu trabalho, em um parque, em um show."

Embora a Costa Rica seja um promotor regional da defesa do meio ambiente, esse aspecto não foi incluído no discurso do novo presidente. Dias antes de tomar posse, ele antecipou sua oposição às políticas ambientais, em um país que desistiu de explorar gás e petróleo.

Chaves disse que não ratificará o Acordo de Escazú, um importante pacto regional para proteger os defensores do meio ambiente.

O novo presidente é uma figura surpreendente na política, já que sua única experiência em cargos públicos foi por 180 dias como ministro da Fazenda, entre 2019 e 2020.

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