Rodrigo França leva‘O Pequeno Príncipe Preto’ dos palcos para a literatura

Lívia Neder

RIO - Sucesso nos palcos, a peça infantojuvenil “O Pequeno Príncipe Preto” levou nos últimos dois anos mais de 60 mil pessoas ao teatro e ganha, agora, uma versão literária. O projeto surgiu de perguntas que ainda ecoam, como: Por que a maioria dos livros infantis só tem heróis e príncipes brancos e de olhos claros?Autor do espetáculo, o também ator e diretor Rodrigo França marca sua estreia como escritor de ficção. O livro será lançado nesta quinta-feira, às 19h, na Blooks Livraria, em Botafogo.

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“O Pequeno Príncipe Preto” conta a história de um príncipe que percorre vários planetas com a missão de plantar as sementes da empatia, amor, respeito, coletividade, generosidade e aprendizado familiar. Com diferentes linguagens, quebra paradigmas acerca da hierarquia da cultura afro e retrata o quanto é bonita a diversidade de cada povo.

Um dos principais nomes do movimento de teatro negro, Rodrigo França explica que para o livro criou novas situações além das apresentadas no espetáculo:

— Colocamos a árvore baobá num lugar muito mais especial do que já tinha na peça. A árvore significa a sabedoria da pessoa mais velha, que ensina, educa e orienta. Fala sobre ancestralidade, respeito ao mais velho, autoamor e cuidado. O livro sinaliza duas questões muito importantes: que existe uma grande riqueza humana, a pluralidade; e que tudo é melhor quando é feito junto, no coletivo — explica o autor, que participou da edição passada do Big Brother Brasil, na TV Globo.

Com edição da Nova Fronteira, o livro tem ilustrações de Juliana Barbosa.

— É um livro muito colorido e costumo dizer que é apropriado para crianças de 0 a 120 anos. Bem ilustrativo, tem linguagem de fácil acesso, mas sem perder a inteligencia que já tinha no espetáculo — diz França.

Ele comemora o sucesso da obra ainda na fase de pré-venda e adianta novos projetos literários já em andamento:

— Tenho um livro encomendado sobre a experiência que tive no reality, mas, como não posso falar do programa por questões contratuais, farei um paralelo mostrando como as mazelas e questões benéficas vividas pelo homem negro no macro se reproduzem no ambiente micro. Também estou escrevendo um infantojuvenil que fala sobre João Cândido, herói do mar. Vamos estrear esse espetáculo no segundo semestre e, em seguida, lançamos o livro. Outra obra que vem do palco para a literatura é uma parceria com o Adalberto Neto sobre a peça “Oboró — Masculinidades negras”, que faz todo um recorte sobre a análise científica da figura desse homem negro brasileiro.

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