Rodrigo Garcia vive dilema entre agradar um aliado e frustrar outro na escolha pelo vice em SP

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 30.07.2022 - O governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), candidato à reeleição ao cargo. (Foto: Rubens Cavallari/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 30.07.2022 - O governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), candidato à reeleição ao cargo. (Foto: Rubens Cavallari/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Na semana em que se encerra o prazo de definição das chapas, os candidatos ao Governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) e Rodrigo Garcia (PSDB) vivem pressão dentro de suas coligações para escolher os respectivos candidatos a vice.

No caso do tucano, também está em aberto quem será o indicado para concorrer ao Senado Federal.

Rodrigo e Haddad já realizaram suas convenções partidárias --as pendências foram delegadas às cúpulas dos partidos. Ainda assim, a escolha para os postos em aberto deve ser feita até sexta-feira (5), prazo final das convenções.

Haddad lidera a corrida com 34%, segundo Datafolha do fim de junho. Com 13%, Rodrigo e Tarcísio de Freitas (Republicanos) estão empatados. O candidato do presidente Jair Bolsonaro (PL), contudo, já definiu sua chapa completa.

Já Rodrigo está numa encruzilhada entre o acordo feito com o MDB pela vice, que poderá impactar o futuro do PSDB nas eleições de 2024 e de 2026, e a exigência da União Brasil de ocupar o posto. Esta última sigla é a mais estratégica para sua campanha em termos de verba e tempo de TV, porém, só seguirá lhe apoiando em troca do direito de indicar o vice.

Em meio ao imbróglio, passou a ganhar força o nome de um tucano para o posto --o presidente da Assembleia, Carlão Pignatari (PSDB). Isso garantiria espaço aos tucanos na disputa de 2026 e também no caso de o governador retornar à União Brasil (antigo DEM).

Líderes do MDB e da União Brasil, no entanto, querem evitar a chapa pura tucana. De qualquer forma, a briga pela vice impacta ainda a cadeira ao Senado --reservada ao partido que perder a batalha.

Diante da indecisão de Rodrigo, a União Brasil passou a flertar com o PT de Haddad, o que deixou a equipe de campanha do tucano receosa.

No plano nacional, a sigla também passa por reviravolta. Após uma investida do PT, o presidente Luciano Bivar aceitou retirar sua candidatura à Presidência da República, mas uma esperada união com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno não se concretizou. A União Brasil decidiu lançar a senadora Soraya Thronicke ao Planalto.

Já em São Paulo, integrantes da União afirmam que a tendência é apoiar Rodrigo mesmo após a aproximação entre Bivar e Lula --mas resta o impasse sobre a vice.

Com a União, o governador passará a ter em torno de 4 minutos e 18 segundos no horário eleitoral obrigatório de TV e rádio. Uma exposição vista como essencial para decolar a sua campanha à reeleição.

Haddad terá cerca de 2 minutos e 15 segundos, e o bolsonarista Tarcísio dever ter aproximadamente 2 minutos e 22 segundos.

Na última sexta (29), véspera da convenção do PSDB em São Paulo, o governador almoçou com Baleia Rossi, presidente do MDB, e Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo, com a intenção de pavimentar o seu casamento com a União.

Aliado de Rodrigo e dos caciques do MDB, o presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil), também participou da reunião. Na ocasião, Rodrigo não conseguiu convencer os emedebistas a abrir mão da indicação.

A reportagem apurou que no sábado (30), após a convenção do PSDB, Baleia, Nunes e Edson Aparecido, ex-secretário municipal de São Paulo, discutiram possíveis estratégias para emplacar o vice. Aparecido é o nome indicado pelo MDB ao posto.

Para driblar o MDB, o governador argumenta que o acordo foi feito em 2020 com Bruno Covas, morto em maio de 2021. O então prefeito de São Paulo é quem indicaria um vice do MDB que não atrapalhasse a sua intenção de disputar o governo na eleição de 2026.

Mas Nunes tem empreendido esforços para emplacar Aparecido --a gestão tem organizado almoços frequentes nas subprefeituras para promover o ex-secretário de Saúde.

Além disso, força-tarefa para encher os eventos do Governo Nos Bairros, iniciativa estadual criada no ano eleitoral e que garante palanque ao governador na capital.

Outra emedebista cotada para o cargo é a promotora Gabriela Manssur, que ao menos preenche o desejo de Rodrigo de ter uma mulher na chapa.

Além da disputa entre MDB e União, há ainda uma discórdia interna na União sobre o nome a ser indicado para a vice. Bivar insiste que o indicado seja um candidato "raiz" da sigla, que é uma fusão do DEM e do PSL.

Entre os cotados, estão os deputados Geninho Zuliani e Alexandre Leite, filho de Milton Leite. Ambos são vistos como próximos a Rodrigo e ligados ao DEM, portanto enfrentam resistência na ala do PSL.

O ex-ministro Henrique Meirelles (União Brasil), secretário da Fazenda em São Paulo até abril deste ano, é o nome preferido do ex-governador João Doria (PSDB).

Os emedebistas nutriam, até esta terça (2), esperanças de virar o jogo que parece ter a União Brasil na vantagem.

Caso Nunes perca a vaga de vice, a aliança entre MDB e PSDB deve ficar estremecida para este pleito e pode haver consequências em 2024, quando o prefeito espera ter o apoio dos tucanos para a reeleição. O PSDB, no entanto, não descarta ter um candidato.

A relação hoje já apresenta desgastes. Rodrigo tem pior performance na capital que no interior. A cidade governada por Nunes causa preocupações na campanha tucana devido aos problemas de zeladoria.

Na equipe de Haddad, a preferência é que a ex-ministra Marina Silva (Rede) aceite ser candidata a vice. Integrantes da campanha dizem que ela está disposta, mas enfrenta resistência no próprio partido, que pretende lançá-la candidata a deputada federal para ampliar as cadeiras na Câmara e criar uma bancada forte ligada ao meio ambiente.

Outros nomes aventados para o posto saíram do páreo nos últimos dias. Juliano Medeiros, presidente do PSOL, anunciou que aceitou ser candidato a suplente do Senado --Márcio França é o nome que concorrerá na chapa como candidato a senador. O PSOL vinha pleiteando a vaga de vice, mas o PT não aceitou.

O nome do PSB para o posto, o ex-prefeito de Campinas Jonas Donizette, também informou que declinou da indicação e será candidato a deputado federal. Há ainda outras opções em aberto no PSB, como a ex-secretária Marianne Pinotti.

Aliados de Haddad afirmam, porém, que o PT busca novos nomes e, inclusive, espera a decisão da União Brasil, que colocou a vaga de vice como condição para apoiar Rodrigo. Caso a aliança com os tucanos não dê certo, petistas querem atrair a sigla --mas interlocutores de Haddad afirmam que não há sequer diálogo em curso entre o partido e a campanha.

A intenção do PT é escolher um nome que dialogue com o centro e fure a bolha da esquerda. Há quem aposte que a decisão fique para o último dia, após consulta a Lula.

O cenário da disputa ao Governo de São Paulo também foi modificado nesta semana com a decisão do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub (PMB) de desistir. Com 1% na pesquisa, Weintraub não chegou a dividir o voto bolsonarista e, por isso, sua retirada é indiferente para a campanha de Tarcísio.

Bolsonaristas próximos de Tarcísio avaliam que a candidatura de Weintraub sempre foi irrelevante e que já surgiu natimorta.

Outra esperada desistência, a de André Janones (Avante) para apoiar Lula em vez de concorrer à Presidência, tampouco deve impactar a corrida paulista. O presidente do Avante-SP, Campos Machado, afirma que o apoio a Rodrigo é "irreversível" pois foi "consagrado em uma convenção com a presença de cerca de 10 mil pessoas".

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