Rodrigo Lacerda assume como editor-executivo do grupo Record

Bolívar Torres
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RIO — Mudança no comando do Grupo Editorial Record: após oito anos,Carlos Andreazza está deixando o cargo de editor-executivo do grupo, um dos maiores conglomerados editoriais da América Latina, com 8 mil títulos ativos em seu catálogo. Em seu lugar assume o escritor, historiador e editor Rodrigo Lacerda. Ele começa oficialmente na empresa no próximo dia 20, cuidando das linhas de ficção e não ficção brasileiras e estrangeiras do selo Record.

— A ideia é não fazer revoluções (na editora), mas pretendo dar o meu perfil — diz Lacerda, vencedor do Prêmio Jabuti por "O mistério do Leão Rampante" (1995) e do Prêmio da Academia Brasileira de Letras por "Outra vida" (2009). — A Record é uma editora com um catálogo imenso e nesse sentido seria impossível fazer uma guinada radical. Mas o trabalho de editor também tem um lado autoral. O Andreazza deixou a marca dele e agora devo começar a atuar com os meus olhos e minha cabeça.

Rodrigo Lacerda dirigiu diversos projetos editoriais, incluindo a coleção Clássicos Zahar, que publicou mais de 30 livros. Traduziu ainda clássicos de William Faulkner e Charles Dickens e foi curador do Café Literário da Bienal do Livro do Rio nas edições de 2015 e 2017.

Ele assume o grupo, que completará 80 anos em 2022, em meio a um momento difícil para o mercado editorial, que se reinventa após a crise das mega-redes como Saraiva e Fnac e o aumento das vendas online devido à pandemia. Com os impactos da pandemia, as livrarias físicas tiveram uma queda média de 40% nas vendas em relação ao ano passado, perdendo espaço para o comércio online

— O mercado está se adaptando a uma nova realidade — diz o editor. — Todas as editoras estão se reinventando. Vamos dar continuidade a esse trabalho de apostar no livro digital e nas vendas através dos canais digitais. Mas lembrando que a figura do livreiro ainda é importante e é sempre bom ter contato direto com o livro.

Em nota divulgada pela sua assessoria de imprensa, a presidente do Grupo Editorial Record Sonia Jardim agradeceu Andreazza por "seu empenho e dedicação" e saudou Lacerda como "nome do primeiro time do mercado editorial". "(Lacerda) Certamente conseguirá imprimir sua marca, sem perder de vista os valores da Editora Record, que preza pela diversidade de pensamento e pelo debate”, afirmou Jardim.

Andreazza, por sua vez, encerra um ciclo de oito anos à frente da editora. Ele decidiu sair da empresa no final do ano passado para se dedicar exclusivamente ao jornalismo. Andreazza vai ancorar um programa nacional na rádio CBN, de segunda a sexta. Também comandará o CBN Rio. Ele também continua como colunista do GLOBO.

— Já comecei a conversar com os autores da casa e iniciamos a transição com o Rodrigo, que é um grande nome, um escritor premiado que chega num time já montado. Acho que foram bons anos, tenho orgulho do investimento que fizemos na literatura nacional, não apenas na ficção mas também em grandes livros de reportagem — afirma Andreazza.