Rodrigo Lombardi fala da relação com o filho adolescente, Rafael, e revela desejo de pausar carreira na TV

No ar em "Travessia'", novela que tem como pano de fundo assuntos como metaverso e fake news, Rodrigo Lombardi diz não acompanhar de forma veloz as inovações tecnológicas. É comum, por exemplo, o ator de 46 anos pedir ajuda a Rafael, seu filho adolescente. O garoto é filho dele com Betty Baumgarten e tem 14 anos.

— Eu sou completamente analógico. As pessoas sabem fazer desenhos no SketchUp, editar em aplicativo. Eu sei fazer origami. Até hoje, se eu quiser mandar um e-mail com um anexo, tenho que pedir para o meu filho. E ele voa. Ele transita nisso de uma maneira tranquila, rápida. Eu, não. E gosto de ser assim. Graças a Deus, hoje tenho condição de continuar assim. Porque isso traz qualidades para o meu trabalho. Se eu precisar ser tecnológico, posso chamar alguém para fazer para mim. Então, podendo ter uma equipe que trabalha junto, é possível trafegar nos dois universos e ficar tranquilo. Na maioria das vezes, como sei que meu filho já sabe, passo para ele direto. "Filhão, me ajuda aqui!". Ele diz: "Ai, pai, que saco". E eu: "É, mas vem cá!" — diverte-se.

O veterano comenta que o menino tenta aconselhar o pai a se atualizar mais:

— Eu me imagino uma outra pessoa se eu vier a aprender. E eu vou deixar de ser uma pessoa que eu acho que gosto de ser, que é o Rodrigo Lombardi à lenha. Não é o Rodrigo Lombardi a jato. Meu filho fala: "Você não vai deixar de ser à lenha se aprender". Eu falo: "Mas vou adquirir certos conhecimentos e certas características que não sei se quero". Acho que isso pode ser um diferencial lá na frente. Meu trabalho não é mexer com isso. É mexer com a alma, com o ser humano. Hoje eu sou um esquisito porque não sei (mexer demais com aparatos tecnológicos). Lá na frente, eu posso ser um objeto de apreciação porque talvez serei o último dos moicanos.

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Rodrigo comenta ainda sobre fazer parte do elenco de mais uma novela de Gloria Perez. Ele já tinha trabalhado, por exemplo, em "Caminho das Índias" (2009), "Salve Jorge" (2012) e "A força do querer".

— Depois de tanto tempo trabalhando juntos e de ver outras novelas e séries que ela fez, ao assistir, eu entendo como ela escreve, como ela funciona. Assim como ela é capaz de entender muito bem como alguém trabalha ao vê-lo em cena. E a partir dali ela vai começar a construir os próximos capítulos. Ela pega muito isso. Então, acho que o fato de fazer duas, três, quatro novelas dela me dá uma certeza, na primeira leitura do capítulo, de que eu já sei a velocidade e o que posso acrescentar. E quero emprestar o meu melhor para que aquilo ganhe um peso ainda maior — frisa.

Na pandemia, Rodrigo Lombardi protagonizou a série "Passaporte para liberdade" (Globoplay), de Jayme Monjardim. Questionado se trabalha de maneiras diferentes dependendo do formato, ele responde:

— Novela é uma série, só que é grande (risos). O modus operandi não muda. Todo mundo fala assim: "Ah, mas uma novela é uma série de 200 capítulos". "Grey's Anatomy" (série de quase 20 temporadas) é o quê? Eu faço o que amo e faço da mesma forma. Claro que linguagens mudam, mas elas também se repetem. Gloria, escrevendo essa novela, está trazendo uma coisa que ao meu ver é inédita para ela: a vida cotidiana retratada por pessoas cotidianas, que não são vilões ou bandidos ou enamorados somente. Todo mundo tem de tudo dentro de si. E a gente vai contar isso ao longo da novela para quem assistir se identificar. Talvez seja a cópia mais fiel da realidade que tenho visto nas últimas novelas.

Uma das tramas centrais da história de seu personagem, Moretti, em "Travessia", é a relação mal-resolvida com o ex-sócio, Guerra (Humberto Martins). É possível que o personagem se vingue. Lombardi despista:

— Moretti tem elementos de vingança dentro de si, assim como todos os personagens da novela. Todos serão pivôs de briga, senão a novela não existiria.

Na história, o empresário também é uma das pontas de um triângulo amoroso que envolve duas irmãs, Leonor (Vanessa Giácomo) e Guida (Alessandra Negrini):

— Ele acha o máximo, se diverte com o fato de ter se relacionado com duas irmãs. O que essa diversão vai gerar no futuro nem eu sei. Quando faço um personagem, procuro abrir o maior número de portas possível.

Além da novela das 21h da Globo, Rodrigo Lombardi tem dois filmes para lançar e pensa em olhar com calma para projetos em que trabalhará atrás das câmeras:

— Tenho alguns para produzir, mas, pela falta de tempo, emendando um trabalho no outro... Na pandemia, fiz o longa "Antes de acontecer" e "Grande Sertão: Veredas". E os meus projetos próprios estão bagunçados na gaveta. A qualquer hora pegarei cada um com uma paciência boa. Tenho vontade de dar uma parada aqui (com a TV) para meter a mão na massa. Como diretor e como autor.