Rodrigo Maia: Só um Estado forte e ágil vence o vírus

Rodrigo Maia
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia

BRASÍLIA - O início e o alastramento da pandemiado Covid-19 pelo mundo impuseram a necessidade de ações rápidas.Naturalmente, as primeiras medidas voltaram-se para proteger oscidadãos e forçar o isolamento. Isso ocorreu predominantemente naChina e em menor grau, posteriormente, na Europa e nos EstadosUnidos.

A oferta de soluções diversas para osproblemas imediatos de saúde logo cedeu espaço para o debate sobreos efeitos econômicos e sociais da crise.

Urge ampliar os gastos extraordináriosna área da saúde, pois é vital deter o avanço da contaminaçãopelo vírus Covid-19. Eventuais desperdícios dessas verbasdisponibilizadas em caráter excepcional podem ser evitadoslançando-se mão das ferramentas criadas a partir das sofisticadascurvas formuladas em tempo real pelos economistas. Essas curvas sãoexplicadas didaticamente pela imprensa; as explicações ganharam asredes sociais, onde são debatidas pela sociedade.

No entanto, maior que os desafios nacompra de insumos, contratação de médicos e adaptação dehospitais, é a coordenação das ações num país de dimensõescontinentais e enormes desigualdades regionais como o Brasil. Aomenos nessa área, além do Estado, podemos contar com a competênciada gestão dos sistemas privados de saúde.

O mesmo não ocorre com o mercado e asociedade em geral, que ficam à mercê da desaceleração daatividade econômica, decorrente do fechamento do comércio, dasescolas, e do confinamento social.

É normal que não haja suficientecerteza sobre os efeitos maléficos dessa crise, tampouco quanto àsmedidas que devem ser tomadas para mitigá-los. Há inúmeraspropostas apresentadas pelas empresas, por associações, pelasociedade civil organizada, pelos intelectuais. Existe, contudo,muita assimetria de informação. Isso ocorre num momento em que asnotícias circulam abundantemente e de forma muito rápida. Nessecontexto, só um Estado forte, unido e coordenado dará conta do caose oferecerá soluções ao cidadão.

A sociedadeprecisa de previsibilidade, e isso só o Estado pode oferecer nestemomento. Não se trata de superestimar os efeitos da pandemia. Épreciso fazer o cidadão voltar a confiar no Estado. Para conquistaressa confiança é preciso comunicar com clareza o planejamento dasações que estão a ser pensadas. Provavelmente, haverá mudançasem algumas das ações previstas inicialmente. Os dados e o cenáriose alteram a cada dia, e é até recomendável que os planos sejamrevistos à medida que avança o conhecimento do inimigo – o víruse suas curvas de propagação. Mas o norte tem de ser, sempre, claroe convergente. É essencial coordenar as ações entre a saúde e aeconomia, evitando que pessoas que não morram da doença terminemvitimadas pela fome. É um equilíbrio difícil.

A ocorrência de erros e de acertosnessa guerra contra o vírus era esperado. Tanto aqui, quanto láfora. Olhando para trás, e para o sucesso e o fracasso daexperiência dos países atingidos pela pandemia antes do Brasil, éfundamental ter humildade para aprender lições e reverter as açõesque porventura tenham se mostrado precipitadas. Falar em fechamentode rodovias, apartando municípios e às vezes regiões inteiras doresto do país, ainda faz sentido? Isso foi posto sobre as mesas dedebate. É correto? A resposta depende de uma construção coletiva ecooperativa dos vários entes da federação, coordenadas num mesmosentido. À disposição deles, há uma infinidade de dados einformações, além de excelentes técnicos dispostos a ajudar. Omesmo precisa ocorrer na área econômica, com relação ao socorroàs empresas e à proteção do emprego. Muitos são os atoresenvolvidos. Sou do Parlamento, o Congresso é a minha área deatuação central. E o Parlamento brasileiro tem contribuído para odebate e para tornar ágeis as políticas de enfrentamento dessapandemia. Jamais faltamos ao país, nós deputados e senadores, enunca faltaremos, nos momentos cruciais em que sabemos estar ao ladoda construção de soluções. É imprescindível haver organização,rotinas e coordenação da porta para dentro.

Não se sabe qual será o final dahistória, mas é preciso construir o roteiro do filme com base nasanálises existentes. Não basta um álbum de fotografias, em quecada uma delas é trocada todos os dias, deixando rasgos e buracospara trás. Nunca foi tão urgente colocar em prática a coordenaçãoentre os poderes da República. Começarmos concordando com umdiagnóstico baseado em evidências empíricas e não em opiniões,além de um claro objetivo comum no curto, no médio e no longoprazo, é o melhor passo a dar a fim de avançarmos na proteção doBrasil e dos brasileiros.

(*) Deputado federal pelo DEM-RJ. Presidente da Câmara dos Deputados