Rogério Ceni no Flamengo

Mauro Beting
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Rogério Ceni no Maracanã contra o Fluminense. Agora será pelo Flamengo FOTO Buda Mendes/Getty Images
Rogério Ceni no Maracanã contra o Fluminense. Agora será pelo Flamengo FOTO Buda Mendes/Getty Images

O desafio é grande, mas Flamengo e Rogério são do mesmo tamanho.

Em 1996, quando começou a treinar para fazer gols as faltas que ganhava nas apostas com todo o elenco são-paulino na brincadeira-séria de mandar a bola na trave, Rogério falou para um amigo que, se deixassem ele cobrar para valer, ele seria o maior goleiro artilheiro de todos os tempos e campos.

Como ele começou a ser a partir do primeiro gol, em Araras, em fevereiro de 1997.

E não parou mais.

Tanto não para que mais uma vez deixa o Fortaleza por um desafio do tamanho da carreira dele - o Flamengo. E não só o Flamengo desde 1895 que é uma honra e uma glória e uma responsabilidade ainda maiores com tamanha torcida a favor (e contra), e tanta pressão da imprensa a favor e contra, e da FlaTT (também a favor e contra). É o Flamengo do pós-Jesus e do pós-armagedão de Dome. Com mais elenco do que tinha JJ. Mas menos futebol, menos treino, menos aplicação e intensidade, óbvia queda técnica, e mais coisas que já disse no texto anterior.

Mas é Rogério. O que ainda não havia feito um gol de falta e falou que seria o que de fato é no futebol mundial, depois de 25 anos de São Paulo, 22 anos desde a estreia no time de cima, e 19 como titular absoluto da meta tricolor. M1TO que, ainda, por conta disso, não conseguiria AGORA ser no banco de reservas de Corinthians, Palmeiras e Santos o que muito bem foi no Fortaleza. O que não teve tempo e nem elenco para ser no São Paulo em 2017. O que nem Telê daria jeito na passagem curta pelo Cruzeiro em 2019.

O que acredito que será no Flamengo pelas ideias que tem e batem com o timaço que terá. Pela experiência frustrada no São Paulo e no Cruzeiro. Pelo talento, obstinação, capacidade de trabalho e ambição.

Era muito mais difícil conseguir o que se propos em 1996. E conseguiu até 2015.

Agora, se não depende apenas dele, tem time, banco e até quem nem entra no banco para conseguir resultados esperados. E, no Flamengo, no Rio, sem a cobrança exacerbada que ainda teria nos campos paulistas se assumisse um rival.

O plano de carreira de Rogério não é nem brilhar no Flamengo ou na Seleção. Ele quer um grande time na Europa para treinar. Mas sabe, que para isso, etapas são necessárias de aprendizado e também conquistas.

Algo que o campeão brasileiro e da América em 2019 tem como dar a ele. E ele tem como resgatar na Gávea.

Um acerto do Flamego acertar com Rogério.

Um acerto do Rogério acertar agora com o Flamengo.

Vai dar certo?

Quem sabe?

Nem o Rogério, que sabe muito, sabe.