Rohani faz apelo ao guia supremo por mais "competição" na eleição presidencial do Irã

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O presidente do Irã, Hassan Rohani, em 28 de abril de 2021

O presidente do Irã, Hassan Rohani, anunciou nesta quarta-feira (26) que escreveu ao guia supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, para pedir sua intervenção e garantir uma maior "competição" na eleição presidencial de junho, após o veto de vários candidatos importantes.

"O coração das eleições é a competição. Se você retira isso, temos um cadáver", disse Rohani em um discurso exibido na televisão, um dia após o anúncio do veto das candidaturas de seu vice-presidente Eshaq Yahanguiri e de um de seus principais aliados, Ali Larijani.

"Escrevi ontem (terça-feira) ao guia supremo para saber se ele pode ajudar neste sentido", completou.

Responsável por examinar as inscrições de quase 600 candidatos para as eleições de 18 de junho, o Conselho dos Guardiães da Constituição autorizou sete candidatos a disputarem as eleições presidenciais.

A lista tem cinco ultraconservadores e, de maneira surpreendente, ficaram de fora da disputa eleitoral Yahanguiri (reformista) e Larijani (conservador), atual conselheiro do guia supremo.

A escolha dos candidatos validados parece abrir caminho para a vitória do presidente da Autoridade Judicial, o ultraconservador Ebrahim Raisi, que recebeu 38% dos votos na disputa contra Rohani há quatro anos.

O ex-presidente Mahmud Ahmadinejad também teve a candidatura rejeitada, mas esta decisão já era esperada, pois o mesmo havia acontecido em 2017.

Rohani não pode disputar novamente a eleição. Ele expressou preocupação com a possibilidade de que os eleitores optem pela abstenção, o que considera negativo para o país.

Nas eleições legislativas de fevereiro de 2020, a taxa de abstenção foi de 57%, um recorde.

"Onde estão os 98%?", questionou, em referência à taxa de participação oficial no referendo de 1979, após a derrubada do regime do Xá, quando foi aprovada a República Islâmica.

Há várias semanas, Khamenei pede uma participação "grande e revolucionária" na votação de 18 de junho.

Em 2005, o guia supremo atuou e conseguiu que o Conselho de Guardiães da Constituição validasse as candidaturas de dois políticos que haviam sido inicialmente excluídos.

Desde terça-feira (25), a publicação da lista de candidatos autorizados a participarem alimenta uma grande polêmica no Irã. O Conselho é acusado, com frequência, de selecionar os postulantes de maneira arbitrária e, inclusive, de influenciar diretamente o resultado das eleições.

A decisão do órgão "transforma a eleição em uma nomeação. Antes era disfarçado, agora, nem isso", afirmou Majid, engenheiro entrevistado pela AFP.

- "Adeus ao reformismo?" -

"Adeus ao reformismo?", questiona o jornal reformista Shargh, para o qual "nem os mais céticos teriam imaginado que toda uma frente política seria empurrada para fora".

O jornal ultraconservador Keyhan afirmou, por sua vez, que o "Conselho dos Guardiães não pode atuar com base em preferências pessoais".

"É crucial que a participação em 18 de junho seja a máxima, mas esta responsabilidade não cabe ao Conselho", escreveu o Keyhan em seu editorial.

À frente de um governo de aliança entre moderados e reformista, Rohani tentou estimular uma política de aproximação com o Ocidente, que tinha como objetivo retirar o Irã do isolamento e atrair investimentos estrangeiros.

O país sofreu, porém, uma grave recessão, depois que sua conquista mais importante - o acordo sobre o programa nuclear assinado em 2015 com a comunidade internacional - foi atacado pelo governo dos Estados Unidos, em 2018, durante a presidência de Donald Trump.

Negociações estão em curso em Viena para tentar salvar o acordo nuclear.

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