Romário, Neymar, Ganso, Renato Gaúcho: relembre ausências polêmicas e debates que marcaram convocações para Copas

Nesta segunda, todas as atenções estarão voltadas para o anúncio dos 26 jogadores que irão à Copa do Catar pela seleção brasileira. Mas, muitas vezes, são as ausências que dão o que falar. Num país em que a maioria da população gosta de palpitar no trabalho do treinador, não é raro ver campanha para nomes específicos e decisões serem contestadas. O GLOBO lembra algumas das mais polêmicas.

Romário (2002)

Esta talvez tenha sido a maior campanha já feita pela torcida para que um jogador fosse convocado. A seleção não atravessava bom momento, e Romário, que já havia perdido a Copa de 1998 por lesão, era a principal esperança da população. Mas Felipão não cedeu aos apelos. Com o título no Japão e a boa atuação da dupla Ronaldo-Rivaldo, acabou vencendo esta queda de braço.

Neymar e Paulo Henrique Ganso (2010)

A dupla era a sensação do futebol brasileiro no ano da Copa da África do Sul. Apesar da pouca experiência (ambos haviam sido promovidos aos profissionais em 2009), a torcida acreditava que poderiam servir como um fator surpresa no Mundial. Dunga ignorou os apelos em relação ao atacante e optou por Nilmar e Grafite para a reserva do setor. Já o camisa 10 do Santos chegou a ser incluído na pré-lista. Mas só.

Adriano (2010)

A convocação para a África do Sul foi repleta de ausências muito comentadas. Outra delas foi a de Adriano. Destaque do título brasileiro do Flamengo em 2009, o centroavante voltou a ser protagonista depois de uma queda de rendimento no futebol europeu. Mas a dificuldade de manter a dedicação nos treinos e a forma física pesaram. A gota d'água para ele foi a falta sem justificativa a um treino do Flamengo que contou com a visita de Jorginho, auxiliar de Dunga. Isso às vésperas da convocação.

Ronaldinho Gaúcho (2010)

O campeão mundial de 2002 e melhor do mundo em 2004 e 2005 já não vivia seu auge há muito tempo. Mas a melhora na temporada da Copa, quando jogava pelo Milan, fez ele voltar a ser cotado para a lista final. Todavia, Dunga não quis arriscar.

Alex (2002 e 2006)

O meia acabou sendo ausência sentida em duas Copas seguidas. Principalmente na primeira, pois vinha atuando pelas Eliminatórias e amistosos daquele ciclo e já era conhecido de Felipão, com quem trabalhara no Palmeiras. Quatro ano depois, seu talento era ainda mais reconhecido. Comandara o Cruzeiro na temporada arrasadora de 2003 e estava bem no futebol turco, onde virou ídolo. Mas Parreira o considerou inadequado para o esquema de jogo que acabou apelidado de "quadrado mágico".

Evair (1994)

O atacante viva grande fase. Foi um dos destaques do Palmeiras bicampeão brasileiro em 1992 e 1993. Ainda que Romário e Bebeto fossem os grandes nomes da posição, era unanimidade que havia uma vaga para ele ao menos como reserva. Parreira não entendeu assim e optou por Viola e por um jovem Ronaldo, que foi aos Estados Unidos mais para ganhar vivência do que para contribuir.

Leandro e Renato Gaúcho (1986)

A ausência da dupla foi cercada de polêmica. Telê Santana, conhecido tanto pelo talento quanto pela rigidez, cortou os dois por terem fugido da concentração para ir a um churrasco. O treinador acabaria perdoando o lateral-direito do Flamengo. Mas, em solidariedade ao atacante, recusou-se a ir para a Copa do México. Zico e Junior chegaram a ir a sua casa no dia da viagem da delegação para tentar demovê-lo. Em vão.

Zico (1974)

Aos 21 anos, o Galinho já era visto como promessa de jogador excepcional. Assim como ocorreria com Neymar e Ganso em 2010, também houve campanha para que o jogador do Flamengo fosse levado para o Mundial da Alemanha. O técnico Zagallo, contudo, não cedeu.

Carlos Alberto Torres (1966)

Aquele que viria a ser o capitão do tri amargou a frustração de ser preterido quatro anos antes. A ausência de Carlos Alberto Torres da lista para a Copa da Inglaterra gerou muita repercussão, já que o talento do lateral já era reconhecido pela torcida (ele viva grande fase no Santos). Vicente Feola optou por Djalma Santos, já com 37 anos, e por Fidélis, do Bangu.

Amarildo (1966)

Heroi do bicampeonato mundial, em 1962, o Possesso seguia em boa fase quatro anos depois, quando atuava pelo Milan. Assim como Carlos Alberto Torres, chegou a ser convocado para o período de preparação, que contou com 47 atletas. Mas não passou pelo crivo de Feola neste teste final.

Heleno de Freitas (1950)

Grande nome do futebol brasileiro nos anos 1940 e campeão carioca com o Vasco em 1949, Heleno ficou fora por ter se desentendido com o técnico Flávio Costa no time cruz-maltino. A rusga não foi esquecida quando ele montou a lista final para a Copa no Brasil.