Romário segue à frente dos adversários, mas joga isolado no time do PL

Temido por adversários e respeitado por companheiros de equipe nos tempos em que era jogador de futebol, Romário (PL) vive um isolamento político em sua campanha para tentar se reeleger ao Senado. Apesar de liderar as pesquisas de intenção de votos no Rio, ele não conta com o apoio de integrantes da chamada ala ideológica do governo de Jair Bolsonaro, de seu mesmo partido. São correligionários que defendem o lançamento de uma candidatura que levante a bandeira das “pautas de costumes”.

Sem nem mesmo frequentar agendas no estado ao lado do presidente, Romário recorre a um jeito peculiar de fazer política: nome mais conhecido da disputa, ele é recebido com pompa em municípios do interior e da Baixada Fluminense, onde participa de peladas e jogos de futevôlei antes de fazer breves pronunciamentos. Registros dos eventos são rapidamente compartilhados em suas redes sociais.

Outras preferências

O fato de ser correligionário de Bolsonaro e do governador Cláudio Castro não faz dele o candidato de ambos. Castro posa com mais frequência ao lado do petista André Ceciliano, que preside a Assembleia Legislativa e também tenta o Senado, enquanto Bolsonaro costuma se referir ao ex-jogador como “o candidato do Waldemar da Costa Neto e do Altineu Côrtes”, respectivamente presidentes nacional e estadual do PL.

O Baixinho ignorou propostas de outros partidos e permaneceu na legenda sob a promessa de ser candidato à reeleição. Em troca, concedeu aos líderes da legenda indicações para duas suplências. Ex-mulher de Bolsonaro, Rogéria Bolsonaro é a favorita para ocupar um desses postos, graças à influência do filho mais velho, o também senador Flávio Bolsonaro. Homem de confiança do principal fiador de sua candidatura, Altineu Côrtes, Bruno Bonetti também é dado como certo para uma das vagas.

Caso Romário e Bolsonaro consigam a reeleição, especula-se que os caciques do PL devem alocá-lo em algum cargo, para que um dos suplentes possa assumir a cadeira no Senado.

Sem identificação com pautas conservadoras, Romário vê crescer movimentos partidários pelo lançamento de outras candidaturas: ex-prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos) tenta emplacar seu nome para a disputa, enquanto o PTB aguarda a definição sobre a elegibilidade do deputado federal Daniel Silveira.

"Não vejo nada de errado"

Procurado para comentar o assunto, Romário não se pronunciou. Altinêu Côrtes disse não ver problema no fato de o senador não comparecer em agendas ao lado de Bolsonaro e assegurou que ele segue candidato do PL:

— Romário é o nosso candidato, não há discussão. Ele sempre votou com o governo, foi fiel a Bolsonaro, mas alguns bolsonaristas não acompanham os acordos feitos com a anuência do presidente. Ele faz campanha do jeito que achar melhor. Quanto às ausências em agendas, Romário sempre preferiu jogar do que treinar e não vejo nada de errado nisso, mesmo porque ele segue líder nas pesquisas.

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