Romênia investiga possíveis crimes contra humanidade na Ucrânia

AFP - ANATOLII STEPANOV

A Romênia anunciou nesta segunda-feira (11) a abertura de uma investigação sobre possíveis crimes contra a humanidade ocorridos Ucrânia, após a invasão lançada pela Rússia em 24 de fevereiro. A artilharia do Exército russo intensifica os bombardeios no leste do país, onde chegou a 26 o número de mortos no impacto de um míssil contra um edifício residencial em Chasiv Yar, noite de sábado (9).

O bombardeio russo fez várias vítimas nesta cidade de 12.000 habitantes, ao sudeste de Kramatorsk. Os serviços de emergência continuam procurando cerca de 20 pessoas que podem estar sob os escombros e de onde cinco moradores foram retirados com vida.

O prédio de quatro andares foi atingido por um míssil russo Uragan, conforme informou no Telegram o governador da região de Donetsk, Pavlo Kyrylenko. O ataque derrubou parte do edifício. "Eu estava no quarto quando tudo começou a tremer. Consegui escapar porque o choque me empurrou para o banheiro", disse uma moradora que não quis se identificar a jornalistas.

Um ataque pelo qual a Rússia deveria ser colocada na lista de "patrocinadores do terrorismo", afirmou Andriy Yermak, chefe de gabinete da presidência ucraniana. O presidente Volodymyr Zelensky confirmou que o Rússia lançou 34 ataques aéreos em seu país desde sábado (9). Ele acusou Moscou de atacar "deliberada e intencionalmente alvos civis, casas e pessoas".

Para justificar a abertura de uma investigação sobre crimes contra a humanidade, a Procuradoria-Geral da Romênia explica que atua com base na lei penal que se aplica a crimes perpetrados contra cidadãos romenos em território estrangeiro.

Invoca também o princípio da "jurisdição universal", que permite o julgamento dos suspeitos dos atos mais graves onde quer que tenham sido cometidos. “As consequências do ataque são particularmente graves, com grandes perdas entre a população civil, especialmente crianças”, explica a promotoria. "Ao mesmo tempo", continua o documento enviado à imprensa, "devido ao trauma psicológico causado pelo ataque militar da Federação Russa, milhões de civis deixaram o território da Ucrânia e se tornaram refugiados, inclusive na Romênia".

O Tribunal Penal Internacional (TPI) abriu uma investigação sobre a situação na Ucrânia no início de março, depois de receber apoio de cerca de 40 Estados, incluindo a Romênia. A Rússia nega sistematicamente todos os abusos de que suas tropas são acusadas: bombardeios de civis, execuções sumárias, estupros; ela, por sua vez, acusa a Ucrânia de crimes de guerra.

Alvos civis

O Estado-Maior ucraniano indicou, nesta segunda-feira (11), que o leste do país é alvo de bombardeios implacáveis. Um edifício residencial em Kharkiv também foi atingido por um míssil, na noite de domingo (10), sem deixar vítimas. De acordo com as autoridades, uma escola também foi atingida. Elas ainda acusaram as tropas russas de incendiarem plantações para destruir as colheitas.

O Ministério da Defesa russo nega ataques a civis na Ucrânia. O Exército diz ter como alvo depósitos de munição em Dnipro, no centro do país, onde estariam armazenados lançadores de foguetes e armas fornecidas pelos ocidentais. Moscou confirma, no entanto, que as forças russas atacaram destacamentos de tropas ucranianas e de combatentes estrangeiros, na região de Kharkiv.

Autoridades separatistas e uma fonte em Luhansk, citada pela agência de notícias russa TASS, afirmou que o Exército russo e seus aliados tomaram o controle de três aldeias na região de Donetsk.

Contraofensiva

Mais ao sul, a vice-primeira-ministra ucraniana Irina Vereshchuk, pediu, no domingo (10), que os civis deixem com urgência a cidade de Kherson, onde as forças ucranianas continuam sua contraofensiva.

Desde o início da invasão russa, em 24 de fevereiro, 591 civis morreram e 1.548 ficaram feridos na região de Donetsk, de acordo com números do governo local.

O Exército russo reivindicou o controle da região de Lugansk, no início do mês, e pretende agora conquistar Donetsk, o que permitirá a Moscou ter o controle de toda a bacia de mineração do Donbass. Os separatistas pró-Rússia controlam parte desta área desde 2014.

(Com informações da AFP)

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