Roma terá mais de 130 eventos por ocasião de sínodo na Amazônia

O papa Francisco durante uma audiência no Vaticano em 3 de agosto de 2019

Mais de 130 eventos foram agendados em Roma e outras cidades italianas por ocasião do sínodo de defesa da Amazônia, que será realizado no Vaticano de 6 a 27 de outubro, com a participação de povos e personalidades indígenas da região, informaram nesta sexta-feira (20) os organizadores.

"Trata-se de acompanhar este grande esforço da Igreja", explicou o cardeal Pedro Ricardo Barreto, vice-presidente da Rede Eclesiástica do Pan-Amazônica.

Sob o lema "Amazônia: Casa Comum", reuniões, conferências, exposições e peregrinações dedicadas aos problemas da bacia amazônica foram organizadas em vários locais da capital italiana, para abordar tanto do ponto de vista de sua natureza quanto humano.

"Queremos dar voz à Amazônia", disse o missionário Roberto Carrasco, que trabalha na região amazônica entre Peru, Colômbia e Equador e um dos coordenadores do evento.

Entre os momentos de maior espiritualidade está uma vigília de oração em 5 de outubro com a qual o evento será oficialmente aberto e uma missa cantada em 12 de outubro, escrita pelo padre espanhol Pedro Casaldáliga, representante da teologia da libertação, que reside no Brasil, onde se tornou defensor dos pobres e desfavorecidos.

- Peregrinação de bispos e indígenas em Roma -

Outro momento importante será a peregrinação no sábado, 19 de outubro, dos bispos e religiosos que participam do sínodo, juntamente com os líderes indígenas e representantes das mais de 300 aldeias da Amazônia ao longo das ruas de Roma, a partir da colina do Monte Mario, ao norte da capital, até a Basílica de São Pedro.

"Os líderes indígenas vão falar sobre seu território, sobre direitos humanos violados, seu isolamento, sua realidade", disse Carrasco.

A preocupação com os graves problemas que afetam a Amazônia, como a devastação de seu território devido ao agronegócio, corrupção, imigração para cidades, abandono de povos indígenas, serão alguns dos temas abordados nos eventos organizados paralelamente à assembleia de bispos no Vaticano.

Vários grupos indígenas também viajarão para Nápoles (sul) e Milão (norte) e falarão sobre mudanças climáticas, um tópico que está "na moda", reconheceu o secretário especial do Sínodo para a Amazônia, o jesuíta Michael Czerny, que será proclamado cardeal no dia 5 de outubro.

"Mas os povos indígenas sabem que não é um tema da moda. Eles são testemunhas disso e devemos ouvi-los", acrescentou o religioso, subsecretário da seção de migrantes e refugiados do Vaticano, que acaba de chegar à Itália depois de passar um mês na Bolívia, Brasil, Colômbia e Peru.

Considerado o pontífice mais sensível aos problemas ecológicos após publicar em 2015 a encíclica "Laudato Sí", o argentino Francisco convocou a assembleia de bispos na Amazônia para proteger os povos daquela região que abrange nove países (Bolívia, Brasil Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela e Guiana Francesa), considerada o pulmão do planeta.