Roman Polanski cancela aula em universidade após protestos de estudantes

Depois de reclamações de empregados e estudantes da Escola de Cinema de Lodz, em sua Polônia natal, o diretor Roman Polanski cancelou uma palestra para a qual havia sido convidado na instituição. "Como qualquer outra entidade educacional, nossa escola de cinema deve ser um lugar onde a violência sexual é condenada", diz trecho da petição online contra a presença do cineasta, condenado por estupro nos EUA nos anos 1970.

Radicado na Europa desde 1978, para onde fugiu antes do anúncio de sua sentença, Polanski se graduou pelo instituto de cinema de Lodz, que lhe concederia mais tarde o título de doutor honoris causa. Mesmo após o cancelamento do cineasta, manifestantes protestaram e carregaram uma placa que dizia: "Estuprador, não uma estrela", informou a revista "Variety".

Mariusz Grzegorzek, reitor da universidade, divulgou uma nota em devesa do convite ao realizador: "Roman Polanski é um grande artista do cinema, nosso aluno mais destacado. Ele sempre expressou enorme respeito por nossa escola. Devemos a ele muita gratidão", escreveu.

Apoio do conselho de estudantes

O conselho de estudantes da escola de cinema também emitiu carta sobre o ocorrido: "Nós não somos um tribunal. Não nos compete julgar Roman Polanski. Estamos preocupados com os relatórios da imprensa afirmando que toda a comunidade estudantil está contra o planejado encontro com o maior ex-aluno de nossa universidade. Nós respeitamos todos vocês, e todos têm o direito de se expressar. No entanto, não concordamos com as emoções ditadas pelo ódio, que parecem cada vez mais substituir o discurso racional", diz trecho da nota.

Polanski havia viajado para receber um prêmio por sua obra, falar com os estudantes de sua antiga universidade e apresentar seu novo filme, "“An Officer and a Spy (J'accuse)", que estreou neste mês na Europa.