Romário rebate ministro e marca gol de placa contra preconceito

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Former soccer player and Senator Romario speaks during the session debating the voting for the impeachment of President Dilma Rousseff in Brasilia, Brazil, Brazil, May 11, 2016.  REUTERS/Ueslei Marcelino
O ex-atacante e hoje senador Romário. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Romário fez mais pelo Brasil em 45 minutos de qualquer jogo da Copa de 94 do que Milton Ribeiro fez por seu país em mais de um ano à frente do Ministério da Educação.

O título da reportagem da revista piauí desta semana resume o trabalho do teólogo e pastor presbiteriano à frente da pasta. Sua gestão representa um “apagão”.

Como disse Fernando Barros e Silva no podcast "Foro de Teresina" da semana passada, Ribeiro consegue ser mais perigoso do que seu antecessor, Abraham “Imprecionante” Weintraub. Este era uma espécie de bobo da corte colocado lá pra fazer graça. Seu sucessor ao menos é funcional.

Só que, em um churrasco, ambos ririam das mesmas piadas.

Ribeiro estava na foto com o chefe, Jair Bolsonaro, segurando a réplica gigante de CPF cancelado em um programa apresentado por um sujeito que conseguiu perder quase todos os anunciantes da TV por declarações homofóbicas.

Torcido e retorcido, Ribeiro é só um frequentador de WhatsApp que repassa para frente ideias tomadas de preconceito e realidade distorcida, como a de que o Brasil seria melhor se a universidade fosse para poucos (spoiler: já é para poucos. E nenhuma potência econômica decolou com os índices de graduação nacionais).

Ou a de que a criança com deficiência, quando colocada dentro de uma sala de alunos sem deficiência, “atrapalhava” os demais. 

Eis o que disse o ministro em uma entrevista para a imprensa chapa branca de seu presidente: “Ela atrapalhava, entre aspas, essa palavra falo com muito cuidado, ela atrapalhava o aprendizado dos outros porque a professora não tinha equipe, não tinha conhecimento para dar a ela atenção especial. E assim foi. Eu ouvi a pretensão dessa secretaria e faço alguma coisa diferente para a escola pública. Eu monto sala com recursos e deixo a opção de matrícula da criança com deficiência à família e aos pais. Tiro do governo e deixo com os pais”, disse Ribeiro.

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As aspas citadas não aliviam a gravidade da fala. O raciocínio é que ao Estado cabe se eximir da responsabilidade que ele chama de “inclusivista” e dá aos pais a decisão de escolher se seus filhos viverão em convívio com pessoas diferentes ou se viverão em um eterno apertheid. Coisa de “jênio”.

A declaração lembra um dos episódios da série “Atypical”, da Netflix, quando os pais de Sam, o jovem protagonista com transtorno do espectro de autista, tentam retomar a amizade com um casal do qual se afastaram depois que as crianças nasceram. Doug, o pai interpretado por Michael Rapaport, ouve do ex-amigo a certa altura que eles deixaram de ser chamados para as festas porque a criança autista “atrapalhava” os outros filhos da turma.

Uma daquelas crianças preservadas do convívio havia se tornado o típico babaca do ensino médio. Arrogante, desrespeitoso, violento, narcisista. Doug então questiona o outro pai se aquela criança teria se tornado o jovem detestável que se tornou se tivesse aprendido desde cedo a conviver e respeitar as diferenças de seu amigo de infância.

Hoje senador pelo PL do Rio, Romário, um dos grandes atacantes da história do futebol, assinaria embaixo.

Em dura fala no plenário, ele disse ter considerado “revoltantes e absurdas" as declarações do ministro da Educação. Romário é pai de uma jovem com síndrome de down e adotou a causa das pessoas com necessidades especiais como bandeira de sua atuação política.

A fala, segundo o Baixinho, demonstrava a “total incapacidade” do ministro para ocupar o cargo. Revelava ainda um “odioso e ultrapassado preconceito”.

Romário lembrou que os estudiosos e pedagogos mais influentes da contemporaneidade são unânimes em apontar os benefícios da educação inclusiva —e não só para as crianças com deficiência.

“É um ganha-ganha. A experiência com a minha princesa e linda filha Ivy me permitiu, graças a Papai do Céu, testemunhar essa fantástica evolução na dinâmica da sua escola. Como seus colegas a admiram, a acolhem e a respeitam! E como toda a sala dela evoluiu, cada um no seu ritmo individual de aprendizagem, mas compartilhando da mesma experiência humana e pedagógica”, discursou o senador.

Mais um golaço para a conta do Baixinho.

Chateado, o ministro foi às redes dizer que Romário foi deselegante em suas críticas. Conseguiu apenas chamar atenção para um erro crasso de português, um clássico entre os ministros da pasta sob Bolsonaro. Escreveu “dirije”, assim mesmo, com “j”, em vez de “dirige”. 

O parlamentar respondeu que "deselegância, imbecilidade e idiotice" é o que o doutor vem fazendo pela educação brasileira. De quebra, mandou o subalterno de Bolsonaro tomar vergonha na cara. 

Mais fácil subir contra a zaga gigante da Suécia e fazer gol de cabeça do que levar algum ministro do atual governo se constranger pela ignorância que ajudam a espalhar. 

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