Rompimento de barragem em Minas deixa 17 mortos

Ao menos 17 pessoas morreram e mais de 50 ficaram feridas nesta quinta-feira, após o rompimento de uma barragem que continha resíduos tóxicos de uma mineradora em Minas Gerais, disse à AFP o comandante do corpo de bombeiros da cidade de Mariana, Adão Severino Junior.

"(Vítimas) fatais são 17. Desaparecidos já superam os 40, mas não é oficial", disse Adão Severino em entrevista por telefone no distrito de Bento Rodrigues (a 23 km de Mariana), soterrado por toneladas de lama tóxica.

"As vítimas feridas passam de 50", acrescentou o comandante.

O Corpo de Bombeiros de Ouro Preto, cidade próxima à Mariana, também informou à imprensa no local a morte de 17 pessoas com o rompimento da Barragem de Fundão, da mineradora Samarco.

"Não há qualquer possibilidade de se sobreviver sob este material", assinalou Adão Severino.

Debaixo da lama

"A situação está preta. Está escuro, há muito barro. Há muita informação desencontrada e as buscas continuarão durante toda a noite", disse Adão Severino.

Várias casas de Bento Rodrigues, onde viviam cerca de 620 pessoas, ficaram cobertas pela lama até a altura do telhado, aparentemente após serem arrastadas por centenas de metros, revelaram imagens exibidas pela TV.

"A situação é muito difícil porque não conseguimos chegar até o local. O máximo que conseguimos chegar foi até mais ou menos 500 metros. Não dá para avançar mais por causa da lama", disse à AFP Duarte Júnior, prefeito de Mariana, contatado por telefone.

"Não podemos afirmar o que realmente aconteceu", completou.

Vários moradores de Bento Rodrigues permaneciam refugiados nos telhados de casas à espera de socorro.

"Várias pessoas estão desaparecidas em meio ao barro", completou Severino, que afirmou que 80% do povoado estão debaixo da lama e que novos deslizamentos poderão ocorrer.

A única vítima fatal confirmada até o momento é um homem que morreu por um infarto ao chegar no local do acidente para ver o ocorrido, disse à AFP Ronaldo Bento, presidente do sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Extração de Ferro e Metais Básicos de Mariana.

"Sobrevoamos toda a região. Todas as vias de acesso foram obstruídas pela enxurrada de lama tóxica", disse um integrante da polícia de Mariana.

A busca de pessoas continuará por toda a noite e inclusive até a manhã seguinte, informaram os bombeiros.

Danos ambientais

O sindicalista Ronaldo Bento informou que a área de uma das barragens equivale a 10 campos de futebol e recebia "resíduos de mineral, uma lama tóxica que contamina o meio ambiente". Devido à contaminação existem acordos com o governo para que este material seja armazenado em depósitos.

A mineradora Samarco, propriedade em partes iguais da Vale e da empresa australiana BHP Billiton, é a dona do local onde ocorreu o acidente por volta das 16H20 local.

"Mobilizamos todos, absolutamente todos os esforços necessários para priorizar a atenção e a integridade das pessoas que estavam trabalhando no local ou que residem próximo às barragens", disse o presidente da Samarco, Ricardo Vescovi, em um vídeo publicado no Youtube.

"Também não estamos medindo esforços para conter os danos ambientais", declarou, sem dar informações sobre as vítimas.

O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, expressou sua consternação em um comunicado e disse que a Defesa Civil e outros órgãos "estão fazendo todos os esforços para prestar os primeiros socorros e toda a atenção necessária à população do distrito, apesar do difícil acesso devido aos estragos causados pela inundação".

Consultado pela AFP, o Palácio do Planalto informou que a Presidência da República prestará apoio ao governo de Minas Gerais e uma delegação do governo federal será enviada nesta sexta-feira ao local do acidente.