Rompimento de bomba causa vazamento de óleo em córrego da região metropolitana de BH

Jessica de Almeida, especial para O GLOBO
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Divulgação / Sindipetro-MG

BELO HORIZONTE — Uma das bombas da BR Distribuidora rompeu-se e provocou um vazamento de óleo diesel em Betim, região metropolitana de Belo Horizonte (MG), na manhã do último sábado. O produto atingiu o Córrego do Pintado, que atravessa a área da Refinaria Gabriel Passos (Regap), da Petrobras. Funcionários do setor de Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS) da estatal fazem trabalho de contenção do combustível naquela área.

A BR Distribuidora (subsidiária da Petrobras até 2019, ano em que foi privatizada) estima que a quantidade de produto liberada tenha sido de 300 litros, mas o Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (SindiPetro-MG) contesta o comunicado oficial e fala em cerca de 100 mil litros de diesel no córrego — o equivalente a dois caminhões-tanque.

— Só na refinaria tinham seis caminhões entrando e saindo durante todo o fim de semana para retirar o que vazou. Cada caminhão tem capacidade para, no mínimo, sete mil litros —, diz Alexandre Finamori, coordenador geral do SindiPetro e também funcionário da Regap.

Os trabalhos de gestão do vazamento e vistoria das áreas atingidas são acompanhados pela Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam). O órgão informou, em nota, que “ainda estão sendo feitos estudos para verificar a quantidade de combustível que vazou e o que efetivamente chegou ao córrego”.

Sem a devida contenção, o óleo pode contaminar a Lagoa de Ibirité, no município vizinho de Ibirité. Em seguida, poderá atingir o Rio Paraopeba, morto após o rompimento da Barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho (MG).

A BR Distribuidora disse, por e-mail, que o óleo já foi contido, recolhido, reprocessado. “A contenção foi realizada a partir do plano de emergência, assim como o Plano de Auxílio Mútuo (PAM) com a Petrobras devido à proximidade com as instalações da Refinaria”, informa o comunicado.

A Petrobras declarou que, como participante do PAM, providenciou o lançamento de barreiras de contenção de óleo no Córrego Pintados. “As demais ações de contingência, como o deslocamento de pessoal, disponibilização de caminhões-vácuo e demais providências de remediação, foram coordenadas pela BR Distribuidora”, informou a estatal.

Empresa será autuada

O produto despejado no córrego é óleo do tipo S10 e, segundo a Feam, vazou de uma bomba no pátio de bombeamento e atingiu o córrego do Pintado. A equipe do Núcleo de Emergência Ambiental (NEA) fiscalizou o local no último final de semana, encontrando vestígios do combustível em todos os pontos percorridos.

As causas do vazamento ainda não foram identificadas, mas a BR Distribuidora informou permanecer em monitoramento preventivo na área atingida e no entorno. Segundo a empresa, uma comissão interna já iniciou a investigação sobre as causas do acidente.

“O empreendimento será autuado por dano ambiental e pela comunicação ao NEA em prazo superior a duas horas da ocorrência”, afirma a Feam. A BR Distribuidora acionou o NEA somente no fim do dia do vazamento, ferindo o decreto estadual 47383/2018, artigo 126 (“Os acidentes com dano ambiental deverão ser comunicados imediatamente pela pessoa física ou jurídica responsável pelo empreendimento”).

Funcionários da Regap que participaram dos trabalhos de contenção declaram, em off, que a BR executou de maneira caótica os trabalhos previstos no plano de emergência. Foram relatadas inadequações nos caminhões que faziam a retirada do diesel e no barco enviado para observar a situação da água na Lagoa Ibirité. Também foram relatadas falta de coordenação, supervisão e comunicação.

Procurado pela reportagem, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) disse, por telefone, que “quem acompanha o caso é o Núcleo de Emergência Ambiental da Semad, do governo de Minas Gerais. Trata-se de um empreendimento licenciado pelo estado de Minas Gerais e, portanto, a BR Distribuidora não tem obrigação legal de informar ao Ibama sobre o acidente”.

O vazamento causou apreensão nas instituições dedicadas à saúde do Rio Paraopeba.

“Continuamos acompanhando para o real entendimento dos volumes aportados e das formas de remediação indicadas para impedir maiores impactos para as áreas abaixo, principalmente o Paraopeba”, afirma Rodrigo Lemos, coordenador de análise ambiental do Instituto Guaicuy, responsável pela assessoria técnica aos atingidos pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG) em duas áreas do curso do rio.