Ron Klain: quem é o chefe de gabinete escolhido por Joe Biden para tentar 'curar' a polarização nos EUA

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Ron Klain ao lado de Joe Biden
Ron Klain (esq.) já trabalhou com diversos candidatos democratas à Presidência em debates eleitorais

O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, escolheu um veterano do Partido Democrata para ser seu chefe de gabinete na Casa Branca.

Ron Klain trabalha próximo ao democrata desde os anos 1980, primeiro no Senado e, depois, quando Biden se tornou vice-presidente.

Também foi assessor sênior da Casa Branca no governo de Barack Obama e chefe de gabinete do vice-presidente Al Gore.

Conhecedor dos meandros de Washington, ele chegou a ser interpretado pelo ator Kevin Spacey no filme Recontagem (2008), sobre as eleições presidenciais do ano 2000.

O cargo de chefe de gabinete é mais próximo do de Ministro da Casa Civil no Brasil. Seu titular administra a agenda do presidente e é considerado uma espécie de conselheiro. É um indicado e não precisa de confirmação pelo Senado.

Biden ressaltou os atributos de Klain em um comunicado divulgado na quarta-feira (11/11) pela equipe de transição.

"A experiência rica e profunda e a capacidade de trabalhar com pessoas de todo o espectro político são exatamente o que eu preciso de um chefe de gabinete em um momento como este, em que atravessamos um momento de crise e precisamos reunificar nosso país", declarou o presidente eleito.

No mesmo comunicado, Klain disse estar lisonjeado pela confiança depositada nele por Biden.

"Espero poder ajudá-lo e à vice-presidente eleita a reunir um time talentoso e diversificado para trabalhar na Casa Branca, enquanto nos dedicamos a uma agenda ambiciosa de mudança, que busca curar as divisões em nosso país."

Operador do Partido Democrata

Klain foi consultor-chefe do Comitê Judiciário do Senado entre 1989 e 1992, quando o órgão era chefiado por Biden. Também foi conselheiro das campanhas malsucedidas de Biden para a Casa Branca em 1988 e 2008.

Na sequência, entre 2009 e 2011, foi chefe de gabinete de Biden, em seus primeiros anos como vice de Obama.

Alguns anos depois, em 2014, atuou como "czar do ebola" de Obama durante os episódios de surto da doença.

Como operador do Partido Democrata, ele também se envolveu na campanha presidencial de Bill Clinton e foi conselheiro de John Kerry em 2004, quando este se candidatou à Presidência.

Joe Biden discursa com a bandeira americana ao fundo
Biden se afastou de Klain depois que o assessor foi trabalhar com Hillary Clinton, mas eles depois se reaproximaram

Treinou Bill Clinton, Al Gore, John Kerry, Barack Obama, Hillary Clinton e Biden para seus respectivos debates eleitorais.

Foi como chefe de gabinete de Al Gore que protagonizou uma disputa polêmica à Casa Branca com George W. Bush no ano 2000 e foi parar no cinema, em Recontagem.

Naquele ano, quem decidiu as eleições foi o Estado da Flórida, depois de uma polêmica recontagem de votos que deu vitória ao candidato republicano.

Klain até hoje fala sobre o episódio. "As pessoas vivem me dizendo que eu deveria esquecer as eleições de 2000 e a recontagem de votos. Não esqueci e acho que nunca vou esquecer", disse um post publicado em sua conta no Twitter ano passado.

Depois da passagem pela campanha de Gore, ele trabalhou como lobista em Washington para uma grande empresa de hipotecas e uma farmacêutica que estavam sendo investigadas pelo Congresso.

Bagagem política

Ele e Biden chegaram a se afastar cinco anos atrás, quando Klain mergulhou na campanha de Hillary Clinton. Biden, então vice-presidente, ainda tinha ambição de ser a indicação do partido para as eleições de 2016.

"É difícil pra mim ter contribuído para o declínio de Biden", escreveu em um e-mail ao chefe de campanha de Hillary, John Podesta, em outubro de 2015.

"Estou morto para eles, mas feliz por estar no time da HRC", acrescentou, usando as iniciais de Hillary.

A mensagem foi divulgada pelo site Wikileaks após ser hackeada. Desde então, vinha trabalhando para reconquistar a confiança de Biden.

Durante a campanha desde ano, Donald Trump mencionou o nome do democrata algumas vezes em seus ataques contra Biden, relembrando comentários críticos feitos por ele sobre a forma como o governo lidou com a pandemia de H1N1 entre 2014 e 2015, quando Obama era presidente.

Cerca de 12,5 mil americanos morreram por causa da doença, que é bem menos letal do que a covid-19.

"Fizemos tudo errado. 60 milhões de americanos que contraíram H1N1 naquela época", disse ele em um painel em 2019. "Foi puro acaso isso não ter virado um dos piores desastres da histórica americana."

Trump usou as afirmações de Klain na tentativa de questionar as promessas de Biden de que traria competência e experiência para o combate à pandemia de covid-19.

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