Ronaldinho foi levado ao Paraguai por empresário investigado na Lava-Jato

Cleide Carvalho
Ronaldinho chegando para depor ao governo paraguaio nesta quinta, 5 (NORBERTO DUARTE/AFP via Getty Images)

SÃO PAULO - O empresário Nelson Luiz Belotti dos Santos, que teria convidado o jogador Ronaldinho Gaúcho para participar de eventos no Paraguai, teve seu sigilo bancário quebrado pelo Ministério Público Federal em 2015. O nome dele apareceu como depositante de R$ 462 mil em contas da CSA Project Finance, empresa de Alberto Youssef, doleiro responsável pelo repasse de propinas de fornecedores da Petrobras a políticos do PP, como José Janene, deputado federal já falecido e que foi líder do partido.

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Belotti também recebeu R$ 24,1 milhões da Heber Participações, dos empresários Natalino Bertin e Silmar Betin. Na época, o MPF suspeitava que o empresário também atuava como repassador de propina. Num depoimento citado em despacho usado pelo então juiz Sergio Moro para decretar a prisão do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, condenado na Lava-Jato, o doleiro Carlos Alberto Pereira da Costa, que atuava com Youssef, citou contratos fictícios a favor de parentes do petista, feitos apenas para formalizar saída de recursos, "tal como ocorreu com a pessoa de Nelson Belotti".

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O empresário foi sócio de dois ex-executivos da BR Distribuidora numa empresa de energia, a Mitarrej, que se tornou sócia dos Bertin na área de energia. Juntos, os dois grupos fundaram uma empresa chamada MC2, que conseguiu arrematar em leilões 21 usinas termelétricas, cuja promessa era gerar energia equivalente a meia Hidrelétrica de Itaipu. A sociedade foi desfeita em 2010 e ex-sócios ainda brigam na Justiça. Os Bertin e a Mitarrej também estiveram envolvidos nas investigações do Grupo J&F.

A Lava-Jato de Curitiba não chegou a denunciar Belotti por qualquer crime. Também não há informação sobre as investigações de pequenas geradoras de energia, que por diversas vezes apareceram nos negócios investigados pela força-tarefa.

No Paraguai, o empresário é dono do cassino Il Palazzo. O jogador estava hospedado no Hotel Resort Yacht y Golf Club Paraguayo e uma de suas atividades no país vizinho era participar do lançamento de uma ação social na área de saúde, a convite da Fundação Fraternidade Angelical, que contaria com apoio de Belotti.

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